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sardinhaSemlata

Um espaço de pensamento livre.

sardinhaSemlata

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30.04.20

Apoio de Psiquiatria para Profissionais de Saúde


Triptofano!

Não existem Super-Homens nem Super-Mulheres, e mesmo nas revistas aos quadradinhos, esses seres quase divinos com poderes extraordinários, volta e meia deparam-se com algo que os faz ir abaixo, como a Kryptonite, a cor amarela, o seu próprio nome ou mesmo a poluição!

Os Profissionais de Saúde são Heróis, cada um à sua maneira, cada um uma engrenagem preciosa neste relógio às vezes pouco suíço que são os nossos cuidados de saúde, mas nem são Super nem são Indestrutíveis nem sequer deixam de ser Humanos.

Cada um deles está sujeito a uma carga psicológica tremenda, e é normal que possam originar-se desequilíbrios a nível dos neurotransmissores, que se traduzem, entre outros, em ansiedade, depressão ou ataques de pânico.

Não é vergonha ter-se problemas psicológicos, tal como não é vergonha ter-se uma hérnia, ou uma gastrite ou um eczema gigantesco causado pelo stress. Ter problemas psicológicos não significa que se seja maluquinho, ou que se tenha um cérebro fraco, ou pior, que se necessite de esconder e de sofrer em silêncio.

Sinto que os Profissionais de Saúde acabam por estigmatizar contra eles próprios as doenças de foro psiquiátrico, não pedindo ajuda por acharem que vão ser julgados, recorrendo à auto-medicação ou a outras práticas aditivas que poderão ainda ser mais destrutivas, para eles e para os que os rodeiam.

Por isso é que quero que todos os Profissionais de Saúde que sintam que necessitam de apoio a nível psiquiátrico conheçam o P5 - Centro Medicina Digital P5, que lançou um projecto totalmente gratuito para cuidar de quem cuida, oferendo consultas de psiquiatria por vídeo-chamada.

Como por vezes as melhores palavras são aquelas que já estão escritas, vou transcrever do site do P5 a informação mais pertinente para encerrar este post.

Mas antes de o fazer quero pedir do coração que todos aqueles que sintam que vão beneficiar, nem que seja com uma conversa, de apoio psicológico/psiquiátrico, que o façam. Não tenham medo ou vergonha de melhorar a vossa vida, afinal ela é tão frágil que não vale a pena estarmos a viver a meio gás! 

 

"Num momento em que o país se mobiliza para combater a COVID-19, os profissionais de saúde são um dos grupos mais afetados pela pandemia e pelo aumento do recurso aos serviços de saúde. Cabe a todos unir esforços para cuidar de quem cuida.

Este serviço pretende cuidar de quem cuida através do agendamento urgente de uma consulta de Psiquiatria por vídeo-chamada. Os médicos farão a avaliação e orientação das situações clínicas, prestando apoio gratuito a todos os profissionais de saúde que dele necessitem.

Após o seu pedido receberá, o mais rápido possível, um link através do qual poderá realizar a consulta no horário definido. Esta chamada pode ser realizada através do browser, sem necessidade de instalação de qualquer software.

Esta iniciativa é uma parceria que reúne o Programa Nacional para a Saúde Mental da DGS, a Ordem dos Médicos, a Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental (SPPSM), a APIP e a Escola de Medicina da Universidade do Minho. O apoio logístico é garantido pelo Centro de Medicina Digital P5.

Bial apoia o serviço complementar de consultas de psicologia para profissionais de saúde no âmbito do projeto “Cuidar de Quem Cuida”."

 

"FAQ: Utentes Profissionais de Saúde

1. Em que consiste este apoio?
Serão realizadas consultas de Psiquiatria, em sistema de teleconsulta. Pode ser disponibilizada intervenção psicoeducativa, psicoterapêutica breve, de suporte ou psicofarmacológica, segundo critérios clínicos e de disponibilidade do médico prestador e do utente. Em função da situação clínica, poderá existir referenciação para serviços do SNS. Também poderá ser prestada consultoria em saúde mental aos profissionais de saúde, nomeadamente no que concerne à gestão dos seus doentes com patologia psiquiátrica, por forma a diminuir o recurso ao serviço de urgência de psiquiatria.

2. Que profissionais podem recorrer a este serviço?
Qualquer profissional de saúde em exercício clínico no SNS ou em instituições privadas, independentemente da sua categoria profissional.

3. Sou profissional de saúde e estou preocupado com a saúde mental dos meus filhos menores. Posso pedir uma consulta de Pedopsiquiatria para eles, ou o apoio de um Pedopsiquiatra sobre como comunicar com eles e ajudá-los?
Neste momento ainda não temos esse serviço, mas estamos a trabalhar no sentido de o disponibilizar.

4. Existe alguma compensação monetária para a realização deste serviço?
Este serviço é completamente voluntário e gratuito para quem dele beneficia.

5. Em que horário posso ter consultas?
No formulário iremos solicitar que nos indique as suas preferências. Procuraremos encontrar um Psiquiatra que fale consigo no horário solicitado. Caso não seja possível, indicaremos as nossas possibilidades de atendimento.

6. Enquanto utilizador/utente, como será selecionado o Médico que me vai atender?
O primeiro critério de alocação de um médico será a disponibilidade para consulta e o segundo será tratar-se de um Psiquiatra de uma instituição de saúde diferente daquela em trabalha o utilizador do serviço.

7. Como será garantida a confidencialidade do apoio que eu receber enquanto utente?
Todos os voluntários prestadores de serviços são médicos inscritos na Ordem dos Médicos. Encontram-se submetidos às mesmas normas de sigilo médico que em qualquer outra consulta presencial em contexto público ou privado.

8. Enquanto utilizador/utente, como posso reportar situações de uso indevido ou situações em que me tenha sentido em risco?
Todas as situações deverão ser comunicadas para cuidar@p5.pt."

29.04.20

Máscara social


Sarin

Máscara social. O nome que se convencionou dar a um equipamento que entrou recentemente nas nossas rotinas.

Quem se terá lembrado de tal nome? 

Percebo que seja para as distinguir das máscaras cirúrgicas, mas como se pode chamar social a um equipamento que é, em si mesmo, uma barreira à comunicação? Ou talvez seja eu que não consiga pensar em socializar sem expressão facial...  Como socializar sem sorrisos? Pensemos que mal surgiram as primeiras short text messages, as SMS (sigla para Short Messaging Sistem), surgiram também os primeiros emoticons, exactamente pela nossa necessidade de colocar expressão em textos que não o permitiam, por reduzidos.

Suponho que teremos de aprender a ler os sorrisos nos olhos, nas múltiplas entoações da voz. Como nestes dias reaprendemos a enviar abraços nas palavras, pois outros não. Será difícil, mas adaptar-nos-emos.

E, ainda assim, não gosto do nome. Preferiria máscara convivencial, mas é um palavrão. Ou máscara de rua, mas haveria logo quem dissesse que não são para usar apenas na rua... ainda descobrirão um nome mais adequado do que este, suponho.

Até porque máscara social recorda-me a persona de Jung, o papel que cada um de nós eventualmente interpreta perante a sociedade, a transformação que talvez assumamos perante os vários ambientes onde cada um interage. Talvez que com estas novas máscaras sociais se desnudem as personas, os sorrisos amarelos clareados porque inúteis, os sorrisos de circunstância adiados porque desnecessários - apenas o olhar carregado de impressões ou de vazio como denuncia do ego? Talvez estas máscaras sociais permitam que caiam essas outras máscaras sociais, e por aí já me reconciliarei com o nome -embora desconfie que não foi esse o objectivo do baptismo.

Enfim, seja como for passaremos a usar máscaras sociais.

As minhas são de chita de Alcobaça, um belo tecido de algodão estampado. Bonitas e leves, para que quem me olhe se sinta bem. Também tenho máscaras cirúrgicas descartáveis, há anos que as uso em alguns contextos profissionais. Mas usarei as minhas máscaras de chita de Alcobaça.

Poderão pensar que o faço por vaidade... mas não. A máscara cirúrgica causa inquietação em quem olha, por muito que nos sejam quotidianas continuam a ser máscaras cirúrgicas e o inconsciente tresanda-nos a hospital. Nesta época das Tecnologias da Informação deparamo-nos com barreiras comunicacionais que supúnhamos ultrapassadas, e esta rejeição inconsciente, este desconforto pressentido é um deles. Por isso combatê-lo-ei como posso: com máscaras coloridas.

 

Por falar em desconforto pressentido... como ficará neste momento aquela história de se andar de cara coberta em bancos, ourivesarias e outros lugares de alta segurança?

E como agirão os antagonistas do niqab? Talvez estas máscaras sociais lhes sirvam também para cobrir a vergonha? Porque belgas, franceses, holandeses, dinamarqueses e outros proibicionistas do cobrir de cara para, especificamente, proibirem o niqab (e a burka), terão agora uma tarefa engraçada pela frente. Engraçada para mim, claro, que assisto de fora. E pergunto-me como se posicionará o Tribunal Europeu perante uma recusa de uso de máscara.

Adivinho, dentro das minhas rudimentares artes lógico-divinatórias, que alegarão ser esta máscara usada por questões de segurança e saúde pública, e que por isso não fará mal andar de cara coberta. E evitarão dizer que o niqab é usado por questões religiosas, portanto uma questão completamente diferente - evitarão dizê-lo, mas pensá-lo-ão para com os seus botões, fechos e máscaras sociais. E acrescentarão que a saúde pública se sobrepõe à segurança pública - a tal que invocaram para proibir andar de cara coberta. Parecia mesmo uma ideia genial, não parecia? Porque, na verdade, a questão agora resume-se ao mesmo: estamos a tapar a cara parcialmente, dificultando a identificação. As motivações é que variam, o que prova que, para muitos, tudo é afinal aceitável e apenas os nossos desconfortos pessoais definem o quê, quando e como. Ou, como diria um vizinho muito velho e muito sábio, Menina, todos os burros comem palha, é preciso é saber dar-lha...

 

Em modo de despedida, convido-vos a ler, ou a reler, este artigo da repórter Céu Neves, republicado no Diário de Notícias em 2016. Iremos ter reacções semelhantes uns com os outros, ou cair-nos-á finalmente a máscara social e veremos a nossa essência?

 

Por mim, usarei uma máscara de protecção do outro feita de chita, um tecido tradicional aqui de Alcobaça - cujos padrões e técnica, oriundos de um país da Ásia, foram importados pelos navegadores do séc. XV.

O Mundo não pára de girar e acabamos sempre por nos descobrir mais próximos do que supomos.

máscara social em chita

 

29.04.20

Prelúdio


Sarin

E se o dia nascesse ao contrário?

E se o sol beijasse a serra antes de se ir a Espanha?

E se eu tivesse acabado no horário

o desejado postal - em vez desta mensagem estranha?

 

Voltarei de máscara antes do lanche. Voltem também. Tenho máscaras para vários gostos ;)

Vou-me... e não me párem agora!

 

 

28.04.20

Shh... Silêncio...


Robinson Kanes

 

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Imagem: Robinson Kanes

 

 

Dei um destes dias a recordar a recente passagem pelo "Bellas Artes" de Madrid onde tive oportunidade de ver a peça de Alberto Conejero, "Todas las noches de un día". Fiquei ainda mais encantado, ao recordar esse passado recente, com o facto da mesma estar online e mostrar a qualidade do texto e de dois actores, nomeadamente Ana Torrent e Carmelo Gómez. Se a peça, só por si já dava para um artigo, foco-me sobretudo na entrevista de Carmelo Gómez ao "El Mundo".

 

Nesta entrevista, Gómez abordou várias questões políticas e sociais de Espanha, mas houve uma questão que me intrigou, nomeadamente a dos silêncios. Para este, os silêncios no teatro já não são tolerados e até as "tosses provocadas" são a expressão de que o público não está para aí inclinado... O silêncio, agora visto como um acto de provocação num mundo que não consegue viver sem o ruído, uma espécie de entrega a um certo sonâmbulismo individual como lhe chama Lipovetsky.

 

Haverá espaço para o silêncio? Haverá espaço para que possamos, nesse silêncio, respirar, reflectir e agir? Em alguns casos funcionarão as novas censuras como fomentadoras do ruído ao invés das anteriores que procuravam o silêncio? Será que o jaleo é hoje uma censura auto-imposta? São demasiadas questões, mas a importância do silêncio é cada vez maior...

 

O recente confinamento ajudou-nos talvez a pensar o silêncio e a perceber a importância do mesmo, apesar das tentativas desesperadas de muitos para fazer ouvir o seu estrépito... Sob pena de caírem no esquecimento ou abrirem espaço ao pensamento. Hoje é difícil que o trabalhe fale por alguém e por isso, sem estardalhaço comunicacional não há palco para muitos dos fracos profissionais e fracas personagens que alimentam a nossa praça.

 

Esperemos que muitos dos silêncios, entretanto criados, tenham servido para gerar uma melodia sincronizada de um novo mundo, de uma nova forma de estar ou até de uma forma de estar igual, mas sem vendas, com máscaras sim, mas sem vendas. Passámos a ouvir as aves, os sons da natureza - incrível como tantos só recentemente tenham descoberto que as suas ruas têm mais aves do que os tradicionais pombos - e passámos também a ouvir os sons daqueles que nos rodeiam e quiçá até de nós próprios.

 

Talvez o silêncio, e na entrevista de Gómez essa mensagem acaba por estar presente, nos ajude a pensar o colectivo mas também o individual, como dois pratos da balança que se devem complementar e não subjugar. Talvez nos permita que "os homens verdadeiramente grandes da História universal (possam) meditar, ou (encontrar) sem se dar conta, a via que leva aonde nos conduz a meditação". As palavras de Hesse, contudo, complementam-se com o facto dos outros, os que não meditam (e não observo strictus census conceito de meditação) "acabarem por soçobrar e ser vencidos porque as suas tarefas e os seus sonhos ambiciosos se (apoderaram) deles e os (possuiram) a tal ponto que perderam a capacidade de se desprenderem da actualidade e dela se distanciarem".

 

Andamos a aproveitar pouco os silêncios e talvez esse pouco aproveitamento, ao invés de criar uma melodia em torno de nós, seja no trabalho ou na vida pessoal e social, dê lugar ao ruído que nos submete a uma espécie de destruição da comunicação inter-humana e até de capacidades individuais de fazer mais e melhor, seja no já referido trabalho, seja até na sociedade que nos rodeia... 

 

O silêncio, esse vai sendo interrompido por espécie de "trilo del diavolo", essa anti-catarse tartiniana onde o violino ou nos leva à morte ou à vida...

 

27.04.20

Onde Pára “Quim” Jong Un?


Filipe Vaz Correia

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Onde pára Kim Jong Un?

Esta é a pergunta que mais inquieta, neste momento, a alma Humana se não contabilizarmos a outra...

Para quando uma vacina para a Covid-19?

Voltemos ao "querido" Kim...

Noticias inundam a imprensa nacional e internacional sobre o paradeiro de Kim Jong Un, o incontestado líder da Coreia do Norte.

Antes de mais, deixar claro que sou um expert na política Norte Coreana, na sua vivência e conhecimento.

Poucos, escassíssimos, conhecerão melhor a política Norte Coreana do que este que vos escreve, até pela singela razão que esses que a conhecerão melhor estarão a colaborar com o regime ou silenciados para sempre numa qualquer vala comum.

Assim, do alto do meu conhecimento, entrelaçado pelas tamanhas noticias sobre a morte do amigo de Dennis Rodman, aqui me apraz deixar algumas linhas:

Kim Jong Un morreu!

Se calhar não...

Mas certamente estará morto!

Quase morto, em estado vegetativo...

Ou se calhar de férias, no seu comboio, pelas praias da Coreia do Norte.

Mas a Coreia do Norte tem praias?

Não é a Costa da Caparica...

Mas tem.

Destas três hipóteses, uma delas será verdadeira, o que para o desconhecimento geral sobre tão confinado local, me parece uma adivinhação repleta de conhecimento, ou não fosse eu um conhecedor profundo do regime.

Já vi duas ou três reportagens do 60 minutos, absolutamente fidedignas, uma ou outra reportagem da BBC, para além desta intuição que me auxilia...

O que sobra desta constatação Histórica?

A sucessão...

Quem irá suceder a Kim Jong Un?

Ou como dizemos aqui por Portugal...

O Quim!

Tudo aponta para a sua irmã, Kim Yo-Jong.

Uma boa noticia e que demonstra a modernidade do regime:

Independentemente do género, ambos são Kim, ou melhor...

Quim.

Mais uma lição!

Agora, alicerçado pelos muitos anos dessa escola da vida que me permite avaliar a faciem, não auguro coisa boa para o Povo Norte Coreano...

Kim Jong Un é ou era um déspota incontestado, um ditador inflexível, no entanto, com um rosto "fofinho", tipo urso de pelúcia do Ikea, já a sua irmã...

A querida "Quim" Feminina faz lembrar o Skeletor, inimigo do He-Man, personagem capaz das maiores malfeitorias.

Por essa razão, importa neste texto questionar o paradeiro de Kim Jong Un, esperando para o "bem" dos Norte Coreanos que o "Querido" Líder não tenha partido em direcção ao Criador.

Pois o que se adivinha para o futuro é Skeletor!

Por favor...

Onde Pára "Quim" Jong Un?

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

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