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sardinhaSemlata

Um espaço de pensamento livre.

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Um espaço de pensamento livre.

25.04.20

Caldeirada Com Todos... “Daniela Calisto”


sardinhaSemlata

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E de repente começamos a vislumbrar o regresso à vida quotidiana, porque a economia não pode parar e o vírus, pelos vistos, também não.

Se já assistíamos a um número crescente de pessoas em teletrabalho, a verdade é que não era esta a realidade para grande parte dos trabalhadores, como facilmente se demonstrava através das intermináveis filas de trânsito, no acesso aos grandes centros urbanos.

Não estando em causa as profissões que são, pela sua natureza, incompatíveis com o teletrabalho, a verdade é que em poucos dias tudo se tornou possível, demonstrando a "nossa" grande capacidade de adaptação e criatividade para lidar com a realidade  que nos rodeia.

Basta pensarmos no núcleo familiar que coabita, em poucos metros quadrados, conciliando o teletrabalho com a telescola, dando uma nova dimensão ao velho dilema de conciliação entre a vida pessoal e profissional.

Agora somos confrontados com uma nova etapa desta realidade que irá passar por voltarmos às velhas rotinas, com a presença deste novo factor, ou seja, este vírus no nosso dia a dia.

Questiono-me em como iremos voltar aos open spaces, aos edifícios hermeticamente fechados, altíssimos, partilhando elevadores, espaços de refeição, restaurantes, etc...

Sem contar com a realidade escolar onde, certamente, será mais difícil impor distâncias dentro das salas de aulas ou nos recreios.

Mas tal como não pensava que seria possível "fechar" o Pais em dois dias ou deixar em terra todas as frotas de aviões, acredito que iremos conseguir nos adaptar e reinventar.

Se não formos capazes dessa disciplina e criatividade correremos o risco de voltar rapidamente para casa, inundados por números pouco simpáticos que colocarão em causa a reputação que temos vindo a conquistar pelo mundo, assim como a saúde de todos nós e a recuperação económica que tanto precisamos.

Não tenho as respostas mas estou curiosa por "espreitar" como será o mundo daqui a um ano...

Por outro lado, às vezes, não ter respostas ou certezas absolutas não significa algo negativo, basta ver as certezas que nos são apresentadas em Brasília ou em Washington.

 

 

 

Daniela Calisto

 

 

 

24.04.20

Tiger King


JB

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  Vi o novo documentário da Netflix, que viagem!
  Em dois dias, despachei os 8 episódios da nova série e juntei-me aos mais de 64 milhões que já viram e estão a tornar o Tiger King no documentário mais bem sucedido de sempre.
  Tudo se passa à volta do americano natural do Kansas, Joseph Allen Maldonado, nascido em 1963 Joe era um tímido jovem loiro de olhos claros, um gay não assumido a viver no interior americano, com pais conservadores que o rejeitaram. Tentou suicidar-se em novo e como consequência ficou debilitado fisicamente. Na sua recuperação contactou com tigres e outros 'big cats' algo que teve um grande impacto, transformando-o radicalmente. Nasceu Joe Exotic.
  Joe Exotic é um machão da Florida, pinta o cabelo de loiro, usa mullet, é gay assumido, tem um zoo de 'big cats', é cantor 'pimba', adora armas e usa sempre uma no coldre. Para o ajudar a tomar conta do seu Zoo, Joe conta com toxicodependentes, uma ajudante maneta, um homem sem duas pernas e os seus dois maridos... sim são dois. Candidatou-se a presidente dos Estados Unidos e é também a estrela do seu próprio 'show' diário na internet, com um alto valor de produção e para o qual ele contratou uma equipa de filmagens para viver no zoo com ele 24/7.
  Só isto já é completamente caricato, mas isto caros amigos, não é nada.
  Joe tem uma inimiga mortal, uma tal de Carole Baskin, uma milionária que tem uma associação chamada 'big cat rescue' e que achava que o tratamento de Joe aos animais era inaceitável. Joe era dono de um parque onde as pessoas podiam pagar para tirar fotografias com crias, tinha os animais em jaulas, fazia criação e vendia tigres a celebridades. Rapidamente percebemos que a Carole é suspeita de ter morto o próprio marido, que também tem um parque de tigres, os mantém em jaulas e que a maior diferença do zoo dela para o do Joe é que os funcionários da Carole são voluntários.
  Conhecemos ainda mais proprietários de parques, um que parece um líder de uma seita e tem três mulheres e um outro que é nada menos o ser humano que serviu de inspiração para o filme "Scarface" com o Al Pacino. Somos apresentados a um rol ainda grande de outras personagens, todas com o interesse e complexidade de alguém que existe mesmo.
  A estória só fica mais alucinada à medida que os episódios avançam, num argumento que ninguém iria gostar, por ser demasiado inacreditável, inverosímil e todos os outros sinónimos, mas que é verdade e foi isso que me prendeu.
  As filmagens que existiam aliadas a uma produção profissional da Netflix, fizeram desta estória um fenómeno porque tudo aquilo a que assistimos é real. Aquela malta existe!
  Esse foi o meu interesse maior, ver que aquelas pessoas são verídicas e que dadas as circunstâncias, tudo é possível se fores um sociopata. A "vida imita a arte" diz-se muitas vezes, mas nunca a arte teve imaginação para ir tão longe.
  Não sei se devo recomendar a série, mas já fiz um aviso prévio e agora é como se estivesse numa viagem de carro, olhasse pela janela e visse um espalhafatoso desastre. Este post, sou eu a dar uma leve cotovelada na pessoa que está ao meu lado (ou a ler isto) e a dizer:


  " - F*£@-$€, viste aquilo?!?!?"

  

JB

23.04.20

Em tempos de quarentena, servirá o Tinder para estabelecer verdadeiras ligações?


Triptofano!

Sim, é possível encontrar um parceiro a longo prazo no Tinder, mas sejamos honestos, 90% (para não dizer mais) dos usuários que por lá andam só pensam numa coisa: sexo!

Somos todos animais, temos todos os nossos instintos e necessidades básicas, os níveis de hormonas que andam livres no ar que respiramos e nas bolachas Maria também têm muito que se lhe diga, mas o que é que se espera de uma aplicação que é um verdadeiro talho humano? Ou uma banca de vegetais biológicos para os vegetarianos/veganos?

Ainda me lembro de há uns anos existir uma campanha para as pessoas comerem fruta feia, porque muitas vezes é tão ou mais nutricional do que aquelas frutas luzidias, perfeitas, que parecem ter sido criadas pelos Deuses do Olimpo.

Só que ninguém quer comer uma pessoa feia - por mais subjectivo que seja esse conceito - porque e se ocorre uma gravidez? Vamos estar a cruzar os nossos genes XPTO da batata com outros de um ser inferior e criar uma criatura merecedora de menos de 500 likes numa publicação do Instagram?

Ninguém quer correr o risco de perpetuar genes em possíveis combinações não vencedoras a nível físico. Porque o psicológico obviamente que é o que menos interessa - desde que a pessoa tenha os abdominais no sítio e um rabo que tenha um centro de gravidade próprio tudo o resto é acessório. Afinal estamos numa sociedade hipersexualizada e a possibilidade de copular apenas com as nossas ondas cerebrais está a anos luz de distância.

Mas estou-me a afastar do tema deste post que é saber se em tempos de quarentena, servirá o Tinder para estabelecer verdadeiras ligações?

Eu quero acreditar, assim com muita muita força, que as pessoas que continuam a usar a aplicação não se andam a encontrar umas com as outras, a propagar partículas de Covid e talvez algumas DST's. Caso o façam digam-me por favor que serei o primeiro a munir-me de ovos de categoria 0 ou 1 (que eu sou contra a exploração abusiva dos galináceos) e a por-me à janela qual agente de segurança da moral e dos bons costumes.

Ora se quem usa o Tinder não se pode encontrar com outras pessoas para esfregar genitália com genitália, só lhe restam duas opções: mandar fotos descascado ou conversar.

As fotos descascadas tem a sua piada mas até um certo ponto, porque ninguém quer estar sempre a ver comida quando está de dieta.

É o mesmo que ir a um restaurante, ver as fotos fantásticas das sobremesas e o empregado dizer-nos que está tudo esgotado e que se quisermos temos de ir fazer em casa. Além de que à sétima foto de pila ou de yoni extremamente ampliada uma pessoa acaba por já se sentir um misto de médico ginecologista/urologista que está mais interessado naquele pêlo encravado com aspecto manhoso do que na parte sexual da coisa.

Conversar é algo totalmente 1980 mas que pode voltar em força nesta altura de quarentena: como fazer pão em casa e dar cabo do stock de farinha nacional.

E quando falo em conversar não me refiro ao envio de emojis de pêssegos e beringelas e línguas de fora, mas sim de articulações de palavras que façam frases que questionem sobre a verdade da pessoa que está do outro lado do ecrã. Conversas que permitam conhecer, descobrir, sorrir, discutir, questionar, apaixonar-se ou bloquear em fúria o perfil da outra pessoa.

Usar o Tinder para estabelecer verdadeiras ligações pode parecer surreal, principalmente quando vivemos numa época de consumismo desenfreado, mas tal como o pão que fazemos em casa com toda a paciência tem outro sabor, descobrirmos que os outros são mais do que veículos de fluidos corporais faz com que possamos evoluir enquanto pessoas e, talvez, abraçarmos aquela felicidade que tanto ansiamos encontrar mas que tanto medo nos traz.

Para quem tiver tempo e vontade de perder algumas horas com uma experiência social semi-relacionada com este assunto, porque não ver o Too Hot to Handle? Depois digam-me quem era a vossa personagem favorita! 

22.04.20

3 petições sobre 25, noves fora...


Sarin

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Sobre as comemorações do 25 de Abril muito se tem falado. Mas e as petições? Elas andam por aí, muito concorridas. E discutem-se os seus números com verdadeira paixão, como se num campeonato. Perguntei-me qual o objectivo, pois que uma petição à Assembleia da República, caso bem fundamentada, promoverá a apreciação e a discussão do tema no Parlamento mas nunca será votada, a menos que associada a uma iniciativa legislativa. Portanto, para quê adejar tais números se uma petição não passa da expressão da vontade dos que a assinam, não prevê qualquer votação e não determina qualquer obrigatoriedade que não a de resposta? Todo este entusiasmo permanecerá um mistério, e até um irrelevante. Já o teor das petições é o que poderá fazer a diferença, e é isso que me interessa analisar enquanto potencial signatária.

Petição pelo Cancelamento das Comemorações do 25 de Abril na Assembleia da República

Dirigida ao Presidente da República, ao Presidente da Assembleia da República e ao Primeiro-Ministro, exige o cancelamento imediato das comemorações e pelo meio diz «(...) juntando centenas de pessoas no seu interior. (...) "Não faças aos outros o que não queres que te façam a ti"(...) Não respeitam minimamente o POVO. (...)»

A primeira frase destacada é, senão uma falsidade, pelo menos um exagero: as comemorações prevêem 130 indivíduos. O interior da Assembleia da República não se resume ao Hemiciclo, portanto eventuais seguranças e pessoal de apoio nunca entrariam nestas contas; quanto aos jornalistas, não consegui apurar quantos estão credenciados junto da AR, mas para chegar às duas centenas de pessoas seriam necessárias 70 credenciações.

Este seria um ignorável pormenor, mera questão de forma, se fosse apenas este. Mas há também o rifão, que assume como regra que ou gostamos todos do mesmo ou não devemos promover para os outros o que nós não gostamos, não importa o que os outros gostem. Castra-se a diferença ou promove-se a intolerância e o egocentrismo, mas isto não interessa nada (ou talvez interesse tudo), desde que as pessoas se identifiquem e sintam que estão presas em casa enquanto os deputados andam na gandaia. Um nítido apelo à comparação de situações (não comparáveis) e destinado à imediata convocação do sentimento de injustiça.

Finalmente, desconheço as acções dos outros, mas eu sei que não outorguei a ninguém o direito falar por mim nesta matéria - mas a generalização que visa identificar cada um de nós, "O POVO", está lá. E pretende aproximar-nos da mensagem, num reforçar da ideia de injustiça. Todo este populismo assim espirrado destruiria pela base qualquer intenção que eu tivesse de subscrever tal petição.

Petição de Homenagem ao 25 de Abril

Dirigida à Assembleia da República, é uma expressão de apoio à homenagem planeada, duas linhas de onde destaco «(...) Saudamos a homenagem que o povo e o Parlamento prestam (...)».

Novamente "o povo". Mas desta vez não pretendem falar ou reivindicar em meu nome. Os peticionários aplaudem a homenagem ao 25 de Abril que o Parlamento vai fazer. Não consigo perceber: se consideram que toda a gente comemorará, e nesse caso "o povo" não é populismo mas ingenuidade; se aplaudem a parte do povo que comemorará, e nesse caso "o povo" é exagero; ou se consideram os deputados como fiéis depositários das intenções do povo, e nesse caso têm razão - os deputados são os eleitos representantes de "o povo", concordemos ou não com as suas deliberações.

Com excepção da dúvida indicada, é uma petição directa, sem ruído e sem populismo. Mas, por vincular o aplauso à homenagem, logo, aos seus termos, dificulta a subscrição por quem deles discorda. Ainda que defenda uma homenagem, como é o meu caso.

Petição pelo Cancelamento das comemorações presenciais no 25 Abril e no 1 de Maio 2020

Dirigida ao Presidente da República, parece ter um objectivo que, afinal, não concretiza, apesar de ser a mais palavrosa, e da qual destaco «Numa altura em que se pede a TODOS os Portugueses (...), que mantenham o distanciamento social e as boas práticas de higiene referenciadas pela Direcção Geral de Saúde, não se entende nem se admite que se façam comemorações presenciais com mais de 100 pessoas (...) Celebraremos (...) sim, mas em casa! (...)»

Ao fazer referência às normas da Direcção-Geral de Saúde, a petição anula toda a intenção que pudesse conter: a DGS foi consultada, como seria de prever, e a regra dos 100 participantes, invocada como fasquia, aplicava-se a eventos públicos - coisa que  esta cerimónia não é.

Se a ideia era cancelar as comemorações, deveria ter sido explicitada no texto. Se a ideia era propor outro tipo de comemorações, deveria ter sido explicitada no texto. Se a ideia era pedir ao PR para não estar presente, deveria ter sido explicitada no texto.

Finalmente, se pretendiam impedir alguma coisa, os peticionários deveriam ter tido em atenção a entidade a que se dirigiram: as comemorações são da responsabilidade da Assembleia da República. O Presidente da República não tem qualquer voto na matéria a não ser enquanto convidado, e isto resulta da independência dos poderes. A menos que contassem instigar a ingerência da Chefia do Estado nas acções da Assembleia da República, tal petição nunca deveria ter seguido para o PR. Enfim, para eu poder, sequer, pensar em assinar esta petição, teria de perceber para que serve. 

Umas considerações em jeito de até para a semana

Criar uma petição ou subscrever uma petição é um direito consagrado na Constituição. E é um direito cujo exercício se torna fácil via Internet. Mas uma petição, depois de submetida, tem de ser enviada para o destinatário, tem de ser avaliada quanto à admissibilidade e só então entrará em agenda para discussão. Uma petição admitida entra na agenda das Comissões Parlamentares ou na do Plenário de acordo com vários critérios, e dificilmente algum será a proximidade de uma data petiocionada. Mas entra, nem que seja na legislatura seguinte, o que significa que estas três petições serão analisadas, obrigarão a resposta e, eventualmente, serrão discutidas pelos deputados. Ou seja, em breve teremos alguém, no extremo todos os deputados, a debater a execução de um evento já passado, à data da discussão, e cuja organização terá sido anteriormente discutida, votada e aprovada também pelo Parlamento.

Ouve-se muito que os deputados nada fazem. Talvez por aqui se vislumbre que a responsabilidade não será apenas deles.

Ainda temos muito a afinar nas petições, parece-me... mas que a cidadania seja mais e mais activa.

Ou, como diria Zeca Afonso, traz outro amigo também

imagem (no topo): on centro 

21.04.20

Corrupção e Direitos Humanos...


Robinson Kanes

shutterstock-corruption-01.jpgCréditos:https://www.govtech.com/opinion/Motivating-the-Masses-to-Mobilize-Against-Government-Corruption.html

 

Comecemos por duas simples definições e sem grandes dissertações académicas:

Corrupção é a utilização do poder tendo em vista um beneficio pessoal.

Integridade (o contrário de corrupção) é algo inteiro, algo não corrompido, completo e impacial, eficaz e capaz de promover confiança.

 

Falar de corrupção em Portugal é falar de algo leve, um cancro que é encarado como uma pequena alergia mas que tem sérios efeitos na economia, no desenvolvimento do país e sobretudo na salvaguarda dos Direitos Humanos. Parece exagerado pensar que uma das reais práticas nacionais - e de muitos outros países - pode ter tão sérios danos. No entanto, a realidade desmente esse pensamento tão ultrapassado... 

 

Numa tónica geral, a corrupção não é mais que uma troca contrária a uma norma com o intuito de obter vantagens ou a relação entre público e privado com o objectivo de obter uma vantagem contrária à lei. Numa lógica mais profunda, é o desvio de fundos e demonstração de interesses privados como sendo públicos. É a próprio relação entre empresas que pode gerar a corrupção no interior do mercado. É um conjunto de redes clientelares e redes informais de trocas de favores. É a porta giratória, o clientelismo, o nepotismo e as negociações imcompatíveis. De um modo ainda mais simples e percéptivel... é extorsão, suborno e prevaricação.

 

Mas como é que podemos perceber os reais efeitos da corrupção nas nossas vidas e nos nossos direitos mais básicos? Já pensámos nisso? Tenho de admitir que talvez a grande maioria não o tenha feito. 

 

Começo pelo primeiro exemplo, a extorsão. Imaginemos que queremos construir uma casa e alguém do outro lado nos dá a entender que tudo pode ficar mais fácil se... Ou até com a instalação de um ramal de água. Estamos a infringir direitos básicos como o direito à habitação e o direito a ter acesso a um bem precioso como a água.

 

Recentemente tivemos os incêndios e acidentes em pedreiras. Tomemos esse exemplo para perceber que muitas inspecções "passaram ao lado" e consequentemente tiveram um impacte severo naquele que é talvez o mais básico direito de todos, o Direito à Vida. Em Portugal, por exemplo, uma das áreas que gera grande polémica é o ambiente e as Avaliações de Impacte Ambiental (AIA). Quantas vezes estas não são alvo de processos menos transparentes? Penso que já podemos perceber quantos direitos essenciais são aqui violados.

 

Finalmente, e é a OCDE que o diz, sempre que existem adjudicações fraudulentas (e quantas não conhecemos em Portugal, o Tribunal de Contas não fala de outra coisa...) o preço de bens ou serviços aumenta 30 a 50%! Não é 3 nem 5%! Onde é que entram aqui os Direitos Humanos? Esses valores são impostos e pagamentos de todos nós! São valores que não vão ajudar as famílias mais pobres, o Serviço Nacional de Saúde e um sem número de instituições e infraestruturas que são o garante do nosso bem-estar. 

 

Talvez os número actuais de despesa, sirvam para nos fazer pensar e exigir mais transparência às nossas instituições sob pena de não estarmos preparados para muitos desafios do presente e do futuro. Corrupção viola os direitos mais básicos de todo e qualquer cidadão e se os Direitos Humanos não podem ser alvo de discussão, pois bem, deixemos que o combate à corrupção também não o seja. Talvez a insistência em celebrar o 25 de Abril sirva para criar (finalmente) uma linha de combate à corrupção, mesmo que possamos correr o risco de que esse combate faça muita gente desaparecer das cadeiras do poder, até porque, como dizia Rousseau, "a verdade não conduz à riqueza e o povo não concede embaixadas, bem lugares, nem pensões".

 

Leituras ligeiras para quem quiser perder um pouco do seu tempo

Journal of Economic Perspectives—Volume 19, Number 3—Summer 2005—Pages 19–42

Putting an end to corruption

Preventing Corruption in Public Procurement