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sardinhaSemlata

Um espaço de pensamento livre.

sardinhaSemlata

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31.07.20

Aceita que dói menos


JB

  Sempre vi tudo o que era Big Brother. Desde aquele em que ganhou o então famoso Zé Maria, até este mais recente que ainda não tem vencedor anunciado.

  Via com sentimento de culpa. Afinal qual era o interesse de ver uns quantos jovens, mais ou menos espertos (normalmente menos) fechados numa casa? Via, mas só falava disso com pessoas muito íntimas, não fossem os outros julgar-me.

 Mais tarde, iniciei a minha formação académica em psicologia. Não sei se por vocação ou se para finalmente poder ver os reality shows que quisesse e falar nisso à vontade. Se fosse confrontado com um olhar ou palavra reprovadores, poderia imediatamente retorquir que tenho um 'interesse profissional' no programa. Resposta final que nunca levantava objecções, afinal na nossa sociedade, não há nada mais nobre do que ganhar dinheiro.

  Durante muito tempo foi assim, satisfazia o meu desejo de voyerismo. Sentia-me incrivelmente superior e inteligente (sabia que África era um continente por exemplo; logo aí destacava-me pela positiva de muitos concorrentes) e partilhava o prazer culpado com aqueles que também viam e comentava tudo. Se fosse apanhado por algum personagem mais snob que me dissesse não 'vejo esses programas',  poderia responder logo com um 'eu é mais por interesse profissional, sou formado em psicologia' e salvava-me de um julgamento sumário.

A vida era boa, achava eu.

Eis que senão chega este novo BB2020.

A vida agora é melhor. 

O grupo de concorrentes dificilmente seria mais interessante. Grupo esse muito variado. O mais variado de sempre. Os típicos cromos não  faltam, mas pela primeira vez temos também a outra parte. Pessoas inteligentes, com causas e acima de tudo com uma característica tão importante hoje em dia e tão ausente. A empatia.

Ausente da nossa sociedade e normalmente ausente deste tipo de programas onde as pessoas normalmente vão porque se querem mostrar.

Hoje em dia digo de peito aberto e sem medos ou justificações:

Teriamos um país melhor certamente, se mais pessoas assistissem ao BB2020 e menos a outras coisas consideradas mais 'nobres'. Não tenho a mínima dúvida.

Quem assistiu à conversa do Diogo e da Ana Catarina sobre a autoconfiança, não ficou indiferente.  Quem viu o abraço dos dois quando a mesma Ana Catarina recebe a pior notícia de sempre da vida dela, comoveu-se. Observar as respostas da Soraia a insultos e bocas é uma lição de como viver bem a vida. O bom senso e saúde mental da Noélia, aliada à sua humanidade e predisposição para ajudar é realmente tocante. É uma lufada de ar fresco. Temos os infantis e boçais como sempre foi habitual mas há muito mais que isso neste programa, agora os palhaços são a nota de rodapé, não a atracção principal.

A atração principal são os 'sensatos' e as suas conversas.
Falam de causas, falam sobre sexo com maturidade. Falaram sobre o consentimento, o racismo e a homofobia. Não em termos teóricos ou a comentar casos mediáticos mas por causa de situações que se passaram dentro da casa, situações que assistimos e que por isso nos são mais próximas e nos podem dar uma visão diferente. 

Poderia estar muito tempo a escrever sobre este BB. Mas apenas digo mais isto.

 

Se o BB for um 'barómetro da nossa sociedade' como se costumava dizer de forma pejorativa, hoje em dia penso que isso é uma boa notícia para a sociedade. A julgar pelo BB evoluímos muito, estamos mais inteligentes, mais sensatos, mais prestáveis, mais bondosos e acima de tudo, mais empáticos.

 

Parabéns e venha o próximo.

 

JB

 

 


 
 

30.07.20

Preconceito não é Opinião


Triptofano!

Escudar preconceito com o direito à opinião é cada vez mais comum nos dias de hoje.

Há quem ache que pode dizer tudo sobre todos da forma como quiser, apenas porque vivemos numa democracia e existe o direito a opinar.

A opinião é um processo revelador de inteligência, de conhecimento e de pensamento construtivo, e em nada tem a ver com os vómitos de ódio que muitas vezes por aí andam.

Para nos relembrar que preconceito não é opinião a ONU Portugal partilhou esta fantástica campanha!

Preconceito não é Opinião - ONU Portugal

Preconceito não é Opinião - ONU Portugal

Preconceito não é Opinião - ONU Portugal

 

29.07.20

Morte Morrida ou Morte Matada?


ó menina

Contabilizar vitimas da pandemia tornou-se um hábito diário. Todos os dias, os jornais fazem chamadas de última hora para os números do boletim da DGS. São números preocupantes e todos ansiamos o dia em que um redondo zero ocupe o balanço dos óbitos diários por Covid-19.
No entanto, há outras contas a fazer e responsabilidades a apurar.
Os cuidados de saúde continuam a concentrar-se na pandemia. Os cuidados suspensos tardam a ser repostos e enquanto isso há um aumento no número de mortes registado em unidades de saúde que importaria explicar. Por esta altura, tendo em conta a média dos anos anteriores (2014-2019) o número de óbitos diário devia rondar os 170 mas tem vindo a aumentar e no dia 20 de Julho registaram-se 230. Um aumento que o Covid-19 não explica.

Os números são do escritor, jornalista e economista Pedro Almeida Vieira que se tem dedicado a analisar-los e colocá-los em gráficos que os tornam mais claros, até para mim.
Todos os dados são explicados e as devidas fontes oficiais indicadas na sua página de Facebook e no blog Nos cornos da Covid, para onde remeto os que queiram compreender melhor o fenómeno.

A sua conclusão é que 'pelo forte contributo das decisões políticas na luta “obsessiva” contra a covid (adiamento de cirurgias, exames, consultas, e da fuga por pânico e medo das urgências hospitalares), o excesso de mortalidade foi assustador entre Março e Junho (e piorou mais em Julho). Considerando a média de 2009-2019, o excesso de óbitos entre Março e Junho este ano é de 4.182, com um intervalo de confiança (a 95%) entre 2.311 e 6.053 óbitos), o que torna a situação particularmente trágica."

Concordo e embora deva confessar que a minha percepção, acerca desta realidade, chegou antes por uma pontinha de inveja que comecei a sentir sempre que via uma publicação nova no facebook de um parente proprietário de uma agência funerária (que negócio!), também considero tudo isto trágico e pouco natural.

Uma morte que ocorre por falta de tratamento e socorro não é natural, alguém é responsável por ela.

Ó Menina

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Imagem via Pedro Almeida Vieira

28.07.20

O papagaio-mor a voar para longe dos incêndios...


Robinson Kanes

1024.jpgCréditos: https://tvi24.iol.pt/politica/marcelo-rebelo-de-sousa/incendios-marcelo-acha-que-pais-esta-a-ter-bom-senso-e-juizo

 

A nobreza de alma  é um luxo que uma sociedade apenas se pode permitir mais tarde.

André Malraux, in  "A Esperança".

 

Permitam-me, antes que inicie este texto, que me dirija ao nosso Presidente da República (PR) como papagaio-mor. Aliás, foi o mesmo que, após a divulgação de um relato em que alguém mencionou que o "papagaio-mor" estava ao corrente do rocambolesco episódio do furto de armas de Tancos, logo na manhã seguinte saiu para a rua dizendo que o PR era um homem de bem e não sabia de nada. Esqueceu-se depressa, mas nos escaparates da História este inverosímil episódio ficará para sempre registado e qualquer cidadão com dois dedos de testa pensará sempre porque é que...

 

Que Marcelo já nos habituou a falar de tudo não dizendo nada, não é novidade... Que Marcelo já nos habitou que não é um PR mas um comentador que extravasa bem para lá das suas competências também não é novidade... Que Marcelo já nos habituou que quando os temas são a Igreja, futebol, livreiros, amigos da "solidariedade", funcionários públicos (alguns...) e comunicação social é parcial  quanto baste, também não é novidade... Que já nos habituou a passar atestados de estupidez aos portugueses também não é nada de novo... Não nos habituou, todavia, a uma total mediocridade só digna de quem realmente não tem a mínima noção do que anda a fazer a não ser presidir a uma nação fazendo campanha eleitoral nos cinco anos que o mandato de presidente dura alicerçado numa propaganda que até Goebbels ficaria estupefacto.

 

A mais recente declaração acerca dos incêndios, além do já referido extravasar de competências e da tentativa de passar incólume, é de uma total irresponsabilidade e total falta de sentido de Estado e respeito por todos aqueles que, de uma forma ou de outra se encontram afectados pelos incêndios, ou seja, todos nós... Uns porque perdem o seu património e até a vida de um momento para outro; outros porque se ferem ou morrem a combater os mesmos; e todos os outros pelos danos ambientais, culturais, sociais e económicos causados pelos incêndios. Não é por não viver em Oleiros que posso assobiar para o lado e pensar que em nada saio afectado: além de ver a destruição do meu país, vejo os meus impostos a voar para aqueles que vivem do negócio do fogo e para aqueles que, infelizmente, necessitam de apoio do Estado para refazerem as suas vidas. Já para não falar daqueles cujos abraços e beijinhos àqueles que deixaram indefesos servem para amealhar votos e minutos nas televisões. É como bombardear uma cidade e depois percorrer as ruas distribuindo conforto e apoio...

 

Um PR afirmar que a prevenção aos incêndios falhou por causa da COVID-19 é dos discursos mais ignóbeis, destítuidos de  razão e sobriedade que um mais alto responsável político pode ter! Um país, independentemente do confinamento, não pode ignorar as suas responsabilidades. Um país, apesar do confinamento não pode utilizar essa mesma adversidade para se inibir da segurança do seu território, do seu ambiente e dos seus habitantes. De facto, o vírus que assola o Mundo e o país já serviu de desculpa para atropelar a Democracia, a Liberdade, a Justiça, a Verdade e a Transparência, já serviu para justificar a corrupção, mas também serve para camuflar a incompetência, a irresponsabilidade e o populismo atroz que este tipo de declarações encerra. Não olhar a meios para atingir os fins, tal é já o carácter doentio que toma conta de muitos altos responsáveis políticos do país... Em alguns casos doentio, sem quaisquer aspas, e onde nem o excesso de comprimidos seguido de episódios de "baba" em contexto diplomático já disfarçam.

 

Nesta tentativa de recorrer a um método por falta de carácter, como frisou Camus, Marcelo é o homem que disse que não se recandidataria se episódios como os de Pedrogão se voltassem a repetir... Serão necessárias as mortes de quantos mais cidadãos? Lembremo-nos que logo em 2017, uns meses após Pedrogão Grande, tivemos os incêndios no Centro do país, ainda mais mortíferos. Tivemos nos anos seguintes a destruição do Portugal interior em termos territoriais e com mais algumas mortes pelo meio... Tivemos Monchique (estranhamente com pouco destaque) e tantos outros que culminaram este fim de semana com Oleiros. Quanto mais necessitará de arder, de ser destruído e morrer para que o famoso e habitual "doa a quem doer" tenha efeitos?

 

Até hoje, desde Pedrogão até Tancos, sem esquecer tantos outros casos enumerados pelo auto-intitulado papagaio-mor do reino ainda não tiveram qualquer desfecho. Em termos de incêndios, muitos são os irresponsáveis que continuam a liderar homens num caminho para a morte e ainda muito está por fazer em termos de prevenção e combate. Continuamos a ter comandantes de bombeiros com mil e um cargos, agentes de protecção civil militares e civis que encontram aí uma forma de trazer mais uns euros para casa e com nomeações e concursos feitos à medida. Temos também bombeiros, militares da GNR, "canarinhos" e tantos outros indivíduos a darem a vida por todos nós, muitos deles, mesmo sabendo que, no comando, nem sempre estão os superiores mais capazes. O que ainda ninguém consegue explicar é o facto de uma grande maioria dos incêndios, quando ultrapassam a nossa fronteira, são imediatamente debelados!

 

Bater com a mão no peito em eucaristias encomendadas e culpar um vírus pela própria incompetência é, no mínimo, rocambolesco, e uma total falta de respeito para com os portugueses, para com o cargo de PR e até para com a pessoa que o profere. É este o novo ciclo apregoado em Outubro de 2017? Provavelmente seria motivo para que os portugueses dissessem o que em tempos um general disse a um dos indivíduos que o nosso actual PR mais idolatra (ou prefere esconder que...): "obviamente, demito-o".

27.07.20

Nem Tudo o Que Reluz... É Racismo!


Filipe Vaz Correia

 

 

 

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Durante este fim de semana, fomos surpreendidos com a noticia de um homicídio em Moscavide, um cruel assassinato envolvendo um actor de televisão, um jovem de 39 anos.

Este trágico acontecimento abriu telejornais, caiu no mediatismo televisivo e das redes sociais.

E muito bem...

Graças a Deus, ainda não somos uma espécie de Brasil onde este tipo de noticias são o quotidiano costumeiro dos cidadãos.

Em directo, ouvi o depoimento das pessoas que se encontravam no Café, as explicações da Policia e de alguns transeuntes que por ali passavam...

Infelizmente estamos perante um acto tresloucado, mesmo que premeditado, de um psicopata incapaz de controlar os seus violentos impulsos e que encontrou naquele jovem o destinatário para tão horrível epilogo.

Um cão...

Parece que na base disto se encontrava um conflito com um cão, o motivo cimeiro para se tirar a vida a outro Ser Humano.

Tristes tempos.

No entanto, no rescaldo deste assassinato, logo apareceram os radicais do costume, pois eles se encontram em vários pontos, nos extremos que tocam o espectro social e político...

O SOS Racismo, apressou-se a tomar esta causa como sua, numa apressada estupidez que acelera o conflito, busca antagonistas, tenta incendiar os ânimos.

O que compete a todos nós, aqueles que sentem o pulsar deste nosso País, é saber destrinçar entre a causa e o acessório...

Tentar comparar o que aconteceu com George Floyd e o que aconteceu naquela maldita hora em Moscavide é, simplesmente, puro populismo.

"As Circunstâncias Importam"

Não se pode comparar a História e o seu contexto, entre Minneapolis e Moscavide, se bem que ambas as palavras comecem por M, mas todo um mundo de civilidade as separa, de vivência, de uma cultura diferente.

Não perceber isto, é viver dentro de uma redoma incendiária que vai ganhando força nos dias de hoje.

Claro que existirão racistas em Moscavide, estou certo que devem existir, de várias raças e credos, no entanto, estou convicto que neste caso o assassino não matou aquele jovem por ele ser preto, mas sim pelo desaguisado vivido entre eles...

O assassinato não teve como motivação a cor da pele mas sim a discussão.

Poderia ser um preto, um branco, um castanho, um amarelo ou um vermelho...

Para um psicopata como aquele velho de 80 anos, seria indiferente a cor da pele daquela pessoa, para que tudo terminasse da mesma forma. 

É esta a minha convicção.

Mas como vivemos num tempo de radicalismos, tudo é permitido em busca do soundbyte, numa desenfreada batalha pelo absurdo, sendo que essa absurdidade lhes poderá dar votos numas futuras eleições...

Nos raivosos extremos, tanto à esquerda como à direita.

Por isso importa ter atenção ao que publicitamos, com quem lutamos, quem apoiamos...

Como diz o ditado:

"Nem tudo o que reluz é ouro!"

Sendo assim...

Convém recordar:

"Nem tudo o que reluz... é racismo!"

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

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