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sardinhaSemlata

Um espaço de pensamento livre.

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24.07.20

Um feijão no universo


JB

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Estranha espécie a nossa. 

Não há nenhuma como nós. Quando cresci, aprendi que  o ser humano era diferente dos outros por ser racional. Éramos o famoso 'animal racional' em oposição aos outros 'animais irracionais'. Fazia sentido, quando tinha 5 anos. Depois explicaram-me que éramos diferentes porque tínhamos alma. Fomos feitos à imagem de Deus e os outros animais não. Era isso que nos distinguia. Fazia sentido, quando tinha 15 anos e achava que era o centro do universo. Que era tão especial e único que obviamente tinha sido feito à imagem de Deus. Pararam de me dar explicações. 
  Fui crescendo, observando e interrogando. Não encontrava melhor explicação para a nossa originalidade humana. Ainda assim, a última que me tinham dado parecia cada vez mais incompleta e errada. Eu não era o centro do Universo, nem sequer o meu planeta era o centro do Universo.   Existiam mais universos e uma imensidão de galáxias e planetas à volta. Dei por mim a pensar se tudo isto teria sido feito por nossa causa, uma sub-espécie de primatas num minúsculo planeta numa das galáxias. Será que toda esta imensidão do universo teria sido feita por causa dos humanos? Espécie criada por Deus e à sua imagem, ou se, por outro lado, não teria sido precisamente ao contrário. Uma sub-espécie de primatas, movida por medo e ignorância, que criou um Deus à sua própria imagem? No caso dos humanos nem criámos um, creio que são cerca de 3000 deuses, mas todos à 'nossa' imagem. E isso nota-se.

   Cada vez mais e até hoje estou convencido que foi a segunda. Os humanos criaram Deus(es).

 Voltei ao problema inicial. Porque somos tão especiais então? Porque somos tão diferentes de todos os outros. Temos mais de 99%  de semelhança no ADN com algumas espécies de chimpanzés e somos tão diferentes, como?

 Fácil. Pela fala.

 Somos a única espécie que usa palavras. Que usa significantes. Isso provoca efeitos, logo no bebé que ainda está na barriga da mãe e já começa a ouvir palavras, o seu cérebro vai assimilar e incorporar lentamente essas palavras, que lhe irão permitir aprender conceitos e eventualmente, quando fôr crescido passar a outros. Para lidar com essas palavras (significantes) o cérebro cria uma consciência, um conjunto de palavras soltas que começam a funcionar de forma quase independente e autónoma. Esse bebé, a certa altura vai ver-se ao espelho. Vai perceber que tem um corpo, que tem os seus limites e que é um ser autónomo, que o seu corpo e os seus significantes constituem uma entidade com identidade própria. Isso vai dar-lhe um sentido e uma noção de importância que mais nenhum animal de mais nenhuma espécie possui, e provavelmente é injustificado.

  Actualmente é esta a minha teoria, se houver melhor mudo outra vez. Somos um primata, como outro qualquer. A certa altura, na nossa evolução caótica, algum antepassado nosso lembrou-se de atribuir sons a coisas e conceitos e inventou as palavras. Os outros gostaram e passaram a palavra ('pun intended'). Esse é o 'culpado' de sermos considerados racionais (apenas por nós próprios). Foi uma série de acasos e caos que nos trouxe até aqui e assim continuaremos se não nos auto destruirmos antes.

Tudo isto dará origem a muitas coisas e é uma forma muito simples de abordar um assunto muito complexo e interessante. Para quem gosta do tema recomendo autores como Saussure, Freud e Lacan. Quem não aprecia, recomendo que fuja a sete pés destes autores. E pode fazer sempre como aquela mãe recém divorciada, a quem os filhos interpelam depois do fim de semana com o pai:

 - Ò mãe ò mãe, o pai diz que nós descendemos dos macacos!

  - Filhos, uma coisa é a família do lado do vosso pai, outra coisa é do meu lado.

 

Bom fim de semana

 

JB

 

* fotografia tirada do Twitter do Presidente dos Estados Unidos. Não consigo deixar de partilhar apesar de aparentemente não ter muito a ver com o tema do post; ou talvez até tenha. 

 

 

 

  

23.07.20

Vacinação contra a Gripe na Farmácia: Uma questão de Saúde Pública


Triptofano!

A gripe é uma das principais causas para um número excessivo de mortes na época do Inverno e para um aumento do número de admissões hospitalares, levando a um grande impacto económico tanto directo (custos no tratamento da doença) como indirecto (custos relacionados com o absentismo laboral).

Por isso, a vacinação contra a gripe é uma questão de Saúde Pública, sendo cada vez mais importante atingir o maior número de pessoas possíveis, especialmente aquelas que por diversos factores encontram-se mais fragilizados.

Se tradicionalmente Médicos e Enfermeiros eram os Profissionais de Saúde responsáveis pela vacinação da população, a possibilidade de os Farmacêuticos - mediante formação específica para tal - poderem prestar esse serviço nas farmácias veio ajudar a atingir os targets anuais de imunização.

Isto deve-se ao facto de existir uma rede de farmácias espalhada por todo o país com profissionais altamente qualificados - os Farmacêuticos - permitindo um acesso mais facilitado aos Cuidados de Saúde, tanto em termos de proximidade como de horário.

Um grande passo para diminuir cada vez mais o número de mortes e a pressão nos sistemas de saúde devido a esta infecção viral, seria a possibilidade de os Farmacêuticos, especialistas do medicamento e da terapia farmacoterapêutica, poderem prescrever e dispensar a vacina da gripe, agilizando o processo de vacinação e poupando tempo preciso aos Médicos, especialmente os de família, permitindo que os mesmos possam dedicar-se mais a fundo aos utentes que deles verdadeiramente necessitam em vez de estarem condicionados a consultas relâmpago de dez a quinze minutos.

Infelizmente Portugal continua a ser um país de egos, onde muitos profissionais preferem perder mais tempo a lutar entre si do que a unir esforços em prol do utente e da saúde pública, esquecendo-se que caminho para uma saúde de qualidade nunca será o da rivalidade mas sim o da cooperação!

 

22.07.20

Cumprir Um Dever


ó menina

A última obra de Banksy, conhecido artista de rua britânico, um mural a encorajar o uso de máscara deixado numa carruagem do metropolitano de Londres foi apagada.
Cumprindo a política anti-graffiti da empresa os funcionários do metro de Londres apagaram os stencils assinados pelo artista.
Cumpriu-se o objectivo da arte urbana que se distingue do vandalismo e das manifestações institucionais e cumpriu-se o dever dos funcionários que devem ter dito cobras e lagartos do autor quando se depararam com aqueles ratinhos todos a brincar com máscaras  cirúrgicas e pensaram no trabalho que teriam para os limpar numa altura em que a quantidade de procedimentos a executar na sua jornada de trabalho triplicou apesar do salário ser o mesmo.
E, tudo bem! Às vezes as coisas são só o que são. Eis-me aqui a cumprir o dever de semanalmente partilhar convosco algo que possa despertar nem que seja um leve esgar ou levantar de sobrancelha.
Prometo que para a semana me organizo com mais tempo (aposto que os que ainda não tinham sentido aquilo da sobrancelha, sentiram agora, apesar de ainda estarem a exercitar o rosto para perceber o que é um esgar. Cumprido!)

Até lá!

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Imagem via Banksy 

Ó Menina

 

 

 

20.07.20

O Regresso Da “Rainha” Cristina...


Filipe Vaz Correia

 

 

 

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Sei bem que vivemos em tempos pandémicos, tempos de revoluções e crispações, de agressividade e divisões...

No entanto, quando os assuntos importantes se impõem nada podemos fazer, não os podemos ignorar ou esconder.

Por isso impõe-se falar, nesta lata de Sardinhas, do que verdadeiramente interessa...

A Rainha Cristina deu um pontapé na SIC e regressou à casa Mãe, a sua TVI.

Nunca a palavra sua foi tão relevante, pois segundo se sabe a ex-Princesa Diana Portuguesa, se tornará a Rainha absolutista de Queluz de Baixo.

Isto dá cada volta...

A "nossa" Cristina regressará aos ecrãs da TVI em Setembro, tendo liberdade total no entretenimento e ficção do canal, aliando a isso um chorudo ordenado condizente com as suas futuras responsabilidades.

Muito bem...

Para convencerem a Rainha Cristina a aceitar tão grandioso projecto, a Média Capital permitirá a entrada de Cristina Ferreira para o seu concelho de administração, assim como, passará a ser accionista da dita empresa.

Leram bem...

Accionista, logo uma das donas, da TVI.

Perceberam agora melhor a palavra sua?

Pois é...

Goste-se ou não, o mérito é todo de Cristina Ferreira, do seu poder mediático e da maneira como constrói a sua carreira e por mais inveja, esse sentimento tão Lusitano, que possa fazer ranger os dentes de alguns, esta é a mais pura das verdades.

Viva a Rainha Cristina.

Mas como este texto não é apenas para falar bem da "nossa" Soberana, de uma coisa Cristina Ferreira não conseguirá escapar...

Então a menina que cativa tão bem o seu público, que diz entrar todos os dias na casa dos Portugueses, sai assim de cena da SIC, sem despedidas ou considerações?

Olhe que isso lhe fica mal!

Mas como não sou hipócrita, também ressalvo que se fosse comigo, com um ordenado chorudo, participação no capital da empresa e indemnização paga pela TVI...

Mói meme, não saía no meio de um fim de semana, eu cá punha-me a caminho a meio do programa.

Atenção que isto é singelamente uma graça, não seria capaz de tal coisa...

Ou seria?

Enfim...

Obrigado Cristina, pois acreditava que iríamos passar o verão inteiro a falar do regresso de Jorge Jesus a Portugal, mas com esta surpreendente contratação "passaremos", grande parte do tempo, a falar desta batalha entre a SIC e a TVI.

Gracias, Sua Majestade, Rainha Cristina.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

 

 

18.07.20

Caldeirada Com Todos... “Cheia”


sardinhaSemlata

 

 

 

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Caldeirada com Todos: A Terceira Idade

 

Quando atingimos os 65 deixamos de ter nome e passamos a se designados como. Idosos, terceira idade ………

Com a pandemia todos ficámos vulneráveis, mas nós muito mais!

Depressa nos apercebemos que este vírus apareceu para nos levar

Para nos empurrar daqui-para-fora, porque o nosso prazo não é eterno

E, temos muito medo do inferno!

A ciência bem nos quer eternizar, o que é completamente incompatível com a Natureza

Mas, como sempre, Portugal está sempre à frente

Há anos, na Assembleia da República, um Senhor Deputado, a propósito de termos sido obrigados a chorar no ombro do FMI., lembrou-se da peste grisalha

Segundo ele, esta peste, todos os anos, causa um grande rombo no Orçamento Geral do Estado

Teria o vírus, o ouvido!

O certo é que ele aí está, para fazer a limpeza, sem necessidade de injeção atrás da orelha

Já levou mais de 550 mil!

Para além, de alguns levar, aos outros, muitos problemas veio levantar

Colocou-nos de quarentena, sem filhos nem netos nos poderem abraçar

Nem podemos sair para os remédios e a comida ir buscar

As complicações podem não nos deixar continuar

Felizmente, que os vizinhos passaram a falar-nos, e até a perguntar-nos se precisávamos de alguma coisa

As Juntas de Freguesia também acordaram, para os problemas dos fregueses mais debilitados e isolados

As forças policiais também estão a colaborar, a doentes, os remédios estão a entregar

Até o comércio local, que felizmente, com a pandemia tem beneficiado, ficou mais acordado

Ao verificar que, em vez dos idosos clientes, apareciam os seus parentes

Resolveram prontificar-se para a casa, as compras lhe levar  

Foi um grande alívio, por os familiares, já tão ocupados, poderem deixar de incomodar

Os supermercados, para as encomendas pela intrernet, não estavam preparados!

No princípio, alguns só conseguiram entregar as encomendas ao fim de mais de um mês

Como todos os dias temos de comer, houve quem ficasse em pânico

A pouco-e-pouco, tudo se foi ajustando

Hoje, damos mais importância aos agricultores e aos distribuidores

Porque, por muito que evoluamos

Continuamos dependentes dos feijões, das alfaces, das batatas, dos alhos, das cebolas……….

 

 

José Silva Costa