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sardinhaSemlata

Um espaço de pensamento livre.

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29.09.20

Freud ou Fraude?


Robinson Kanes

Francis Bacon - Retrato de George Dyer ao Espelho

Francis Bacon - Retrato de George Dyer ao Espelho - Museo Nacional Thyssen-Bornesmiza

Imagem: Robinson Kanes

 

 

Antes de iniciar este texto, existem alguns pontos que importa diferenciar:

Psicologia é psicologia, psicanálise, ao contrário do que muitos pensam e tentam fazer pensar, é um paradigma de algo mais vasto, a já Psicologia. Podemos aprender com a psicanálise ou com a psicodinâmica? Sim, nem tudo é mau...

 

Freud não é pai da psicologia, não é e está longe disso, muito longe. É o pai da psicanálise, quando muito. Para começar a falar de psicologia (aquela que tem método cientifico) nada como William James, por exemplo, ou até Wilhelm Wundt. Não raras vezes já vi psicanalistas a cuspirem na psicologia como um todo, todavia, ainda não vi nenhum a abandonar a psicologia e seguir com a psicanálise por si só - será porque o método cientifico da primeira permite dar credibilidade à ausência de método da segunda? Freud marcou uma época, sobretudo do ponto de vista social e até cultural, nomeadamente na pintura e na música, todavia em termos cientificos deixou bastante a desejar. Deu-nos Aaron Beck que desencantado com Freud, e com o que salta mais alto para ver se sou escutado, nos trouxe a TCC (Terapia Cognitivo-Comportamental). Podia também trazer Fromm e a Psicologia Social Analítica (tema interessante e que ainda aprofundo) e a relação entre psicanálise e marxismo, mas penso que já temos aqui matéria para discussão o quanto baste.

 

Apesar de poucas "humildes" almas da psicanálise (e ainda bem) chamarem nomes à psicologia cognitivo-comportamental (o que, respeitando ambos os lados, não deixa de ser uma espécie de "Bruxo de Fafe" a chamar nomes a um Neurocirurgião e a dizer que a medicina pouco vale) eu continuo a ser um atento seguidor desta, não só pela base cientifica, livre de epifanias e também pela evolução constante, inclusive a múltiplas pontes com as neurociências, mais desconhecidas do grande público, onde são estabelecidas pontes com outras áreas, nomeadamente a medicina e até já a Inteligência Artificial. Bem ou mal, é um mundo que merece a pena descobrir.

 

Não sou defensor de tratamentos/acompanhamentos ad aeternum e acredito no empowerment dos pacientes, de preferência o mais rápido possível respeitando todos os processos - não tenho estofo para ama seca e cada um deve ser capaz, com o devido acompanhamento, resolver os seus problemas. Paternalistas e arautos da vida desgraçada e sem soluções (aceita, aceita, aceita e fica quieto) podem não gostar, por isso recomendo que fiquem já por aqui, este texto não diz aquilo que querem ler, até porque tenho uma visão mais americanizada da abordagem, que na Europa é mais numa lógica de deixarmo-nos ou ficarmos profundamente "agarrados" a outra pessoa.

 

Quando falamos de Freud e de muitas teorias que depois se seguiram, é importante termos em conta alguns factores:

 

É estranho que numa sociedade, onde as mulheres estão no centro das preocupações, se continue a seguir um indivíduo que explicava a sexualidade baseado num conceito de "inveja do pénis". Ou seja, e de forma muito simples, as mulheres invejam os homens porque têm pénis, nascendo daí o desejo pelo homem e pelo seu pénis e a vontade suprema de praticarem sexo e reproduzirem-se como se não houvesse amanhã. Se aparecer alguém a dizer isto e não citar Freud, arrisca-se a aparecer morto na valeta. Extravasando o campo de "feminismo", só muito recentemente a psicoanálise se retratou e deixou de reconhecer a homossexualidade como uma espécie de neurose, desvio sexual, fobia ou distúrbio de personalidade, mesmo após a APA (American Psicology Association) em 1973 já ter dado um passo em frente neste tema, e que contou com a forte objecção dos psicanalistas. Esta situação durou até muito recentemente, e em 1991 por imposição legal, a APsaP (American Psychoanalytic Association) foi obrigada a aceitar e a formar psicanalistas não heterossexuais. Hoje evoluiu e é uma instituição que colabora na defesa das causas para as quais há bem poucos anos procurava "curar" e que teve o seu apogeu no pedido de desculpas público de Lee Jaffe (presidente da APsaP) face aos danos causados pela forma como esta associação geriu a causa.

 

Podemos dizer que é uma linguagem simbólica (o que as mulheres realmente invejavam era a independência e o status masculino) mas isto não é etnologia e muito menos não queremos que seja new age, é importante que passemos a factos concretos. Além de que, à época, este discurso serviu para reforçar e defender a manutenção da mulher numa submissão ao poder masculino e que ainda hoje tem efeitos. Também não vamos cair na teoria da oposição de Karen Horney que colocava nos homens a inveja de não se poderem reproduzir, uma espécie de "inveja da vagina". Interessante que Horney acabaria "democraticamente" expulsa do Instituto de Psicanálise de Nova Iorque em 1941 - não foi em 1430.

 

Passemos adiante do chamado "Complexo de Édipo" que acabou por condicionar, nefastamente, a sociedade, inclusive até aos dias de hoje, mas nada como ler sobre este assunto, aliás, a própria obra de Freud e retirar as respectivas ilacções. Em suma, e seguindo determinadas orientações, corremos o risco de em cada um de nós se encontrar um pedófilo se não formos dominados a tempo. Terá sido por isto e muito mais que muitos neo-freudianos nem sequer quiserem ser identificados como tal...

 

Outra das grandes obras de Freud foi o estudo sobre a histeria, bebendo praticamente o legado de Hipócrates (hystera), essa doença só de mulheres (segundo o mesmo) e que para muitos, terá sido apenas Freud a visualizar num único episódio de autismo. Aliás, o termo deixou de ser válido, não só pela falácia mas também por ser estigmatizante. Actualmente o conceito caiu e entra naquilo a que se chama: perturbação de somatização ou perturbações dissociativas ou ainda perturbação conversiva. Importa também esclarecer que a paciente que foi alvo da análise de Freud não ficou curada e aliás, alguns apontam que sofria de outras patologias que não a "histeria". Alguns apontam que este tipo de análise é difícil de fazer devido a custos e à duração - também os estudos longitudinais, mas isso não implica que dê como facto consumado algo que não testei efectivamente.

 

Em suma, as teorias freudianas, aliás até algumas (algumas, reforço) teorias da actual psicodinâmica, não são suportadas cientificamente além de que a mente inconsciente é dificilmente testável e mensurável, embora já estejam a ser dados grandes passos em termos biológicos nos campos das neurociências, tudo o resto são crenças ainda não validadas e baseadas apenas no "eu acredito que" o que, em alguns casos também não permite a sua refutação é um facto. Muito do sucesso da psicodinâmica poderá estar no apoio e na aprendizagem que pode ter com as neurociências, basta querer e sair muitas vezes daquela caixa que nos prende... Caso contrário, pode ser tarde. 

 

Também é preciso ter dois factores em conta: se por um lado Freud terá procurado fundamentar algumas práticas da época e com isso reforçar as mesmas (erradamente) também é a ele que se deve a abertura desta disciplina ao público, sobretudo aos mais desfavorecidos... Arrisco até dizer que tornou a prática da psicologia em si, mais humana e isso é fantástico - ainda hoje, em muitos países o acesso a cuidados mentais é visto como algo elitista. No caso português mais facilmente pagamos €50 por uma assinatura mensal de canais de televisão do que por uma consulta num psicólogo ou psicanalista, além de que, a boa saúde mental, continua a ser "o caixote do lixo" dos hospitais, sobretudo no Serviço Nacional de Saúde. 

 

Temo apenas que a Ordem dos Psicólogos Portugueses não esteja à altura deste desafio, aliás, é uma instituição que desde a sua génese tem ela própria sido uma elite e ao encontro de interesses que em nada abonam a favor da prática e do benefício da psicologia, talvez esteja a necessitar de uma intervenção, seja psicodinâmica seja cognitivo-comportamental. 

 

No final, mais do que afirmarmos que uns são melhores que outros, é preciso termos mais cautelas com os profissionais que desenvolvem as diferentes abordagens, porque formados em psicologia existem muitos, já psicólogos...

 

P.S.: texto escrito por um não psicólogo e que também vê coisas boas na psicodinâmica, algumas delas, as "Teorias da Personalidade" de Adler e a exclusão do determinismo em Freud, além da visão que holística e humana que o primeiro impulsionou. Não esqueçamos também que deu um contributo enorme para o estudo dos sonhos, colocando as teorias de Freud nos primórdios e dando uma rigorosa e não fantasiosa versão dos sonhos.

 

Algumas sugestões de leitura:

Adler, A. (1917). Study of organ inferiority and its psychical compensation. New York, NY: The Nervous and Mental Disease Publishing Company.

Adler, A. (1931). What life could mean to you. Rockport, MA: Oneworld Publications.

Adler (1956). The individual psychology of Alfred Adler: a systematic presentation in selection from his writings. Edited by H.L. Ansbacher and Rowena Ansbacher. New York: Harper

Beck, A. T. (2006). How an anomalous finding led to a new system of psychotherapy. Nature Medicine, 12(10), 1139-1141. doi: 10.1038/nm1006-1139 

Beck, A. T., & Valin, S. (1953). Psychotic depressive reactions in soldiers who accidentally killed their buddies. The American Journal of Psychiatry, 110(5), 347-353. doi: 10.1176/ajp.110.5.347 

Beck, A. T., & Stein, M. (1961). Psychodynamics. In Cyclopedia of medicine, surgery, specialties: Vol. XI, Revision Service (pp. 422C-422KK). Philadelphia: F. A. Davis and Company.

Drescher, J. (2008). A history of homosexuality and organized psychoanalysis. J. American Academy of Psychoanalysis & Dynamic Psychiatry, 36(3):443-460.

Drescher, J. & Merlino, J.P., eds. (2007). American Psychiatry and Homosexuality: An Oral History. New York: Routledge.

Freud, S. (1905). Three essays on the theory of sexuality. The Standard Edition of the Complete Psychological Works of Sigmund Freud, 7:123-246. London: Hogarth Press, 1953.

Freud, S. (1908). “Civilized” sexual morality and modern mental illness. Standard Edition, 9:177-204. London: Hogarth Press, 1959.

Fromm, E (1941). Escape from freedom. New York: Farrar and Rinchart 91.

Fromm, E (1955). The sane society. New York. Rinehart 92.

Fromm, E (1956). The art of loving. New York: Harper

Korman, G. P. (2013). El legado psicoanalítico en la terapia cognitiva de Aaron Beck. Arquivos Brasileiros de Psicologia, 65(3), 470-486.

Orgler, Hertha (1939) 1963 Alfred Adler; The Man and His Work: Triumph Over the Inferiority Complex. 3d ed. rev. and enl. London: Daniel.

Papanek, Helene; and Papanek, Ernst (1961) Individual Psychology Today. American Journal of Psychotherapy 15:4–26.

28.09.20

Eleições Americanas... “O Tiro De Partida”


Filipe Vaz Correia

 

 

 

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Aproximam-se as eleições Americanas, sendo que o primeiro debate é esta semana, numa das mais estranhas e fracturantes disputas eleitorais de que há memória.

Não tanto pelo número apertado de votos, julgo que será impossível repetir a disputa Al Gore/ George W. Bush, no entanto, estas eleições viverão de um tempo inusitado onde o inimaginável toma forma, onde o impensável se constrói.

Joe Biden estará de um lado e de outro estará Donald Trump, só esta formulação seria bastante para arrepiar os cabelos de Republicanos Conservadores de tempos idos, porém parece que vivemos numa realidade paralela.

Aprendi a gostar de política, apaixonado pela figura de Ronald Reagan, esse mítico Presidente Americano, um político que representava, melhor do que ninguém, o "velho" Partido Republicano num misto de conservadorismo e elegância, de tradição e decência.

Tudo isso se perdeu...

O Partido Republicano que me acostumei a admirar desapareceu, sendo nestes dias uma miragem distante, dando lugar aos novos tempos de um Tea Party que se apoderou da estrutura partidária e dos seus lugares.

Olhando para o retrato que se afigura real, arrepia-se a alma dos que anteriormente se apresentavam como figuras cimeiras, McCain, Bush Pai, Ronald Reagan, Colin Powell, entre tantos outros...

Por estes dias sobra a triste realidade de One man Show num Reality Show de péssima qualidade, onde o discurso se confunde com ofensas, onde a palavra se contradiz mentira após mentira.

Por agora se diminui o Vírus que enfrentamos, se vendem feijões em plena sala oval, se calunia desmedidamente os opositores e até se ameaça com o desrespeito pelo resultado eleitoral...

Clama-se ao eleitor que vote duas vezes, que impeçam outros de votar, que se desrespeite qualquer tipo de expressão dessa "ultrapassada" dimensão Humana.

Enfim, um cenário de tristeza e desolação, de imenso vazio que ameaça esventrar essa imensa nação, Estados Unidos da América.

Tenho uma esperança imensa na vitória de Joe Biden, nesse arregaçar de mangas de todos os que se importam com o futuro em jogo nestas eleições, sabendo bem que uma parte dessa América  estará ao lado de Trump e deste perigoso jogo que o actual Presidente faz...

Uns contra os outros numa batalha "sangrenta" como há muito não se via.

Temo por isso que estes debates sejam do mais sujo que alguma vez assistimos, nesse lamaçal onde Donald Trump se sente em casa, respingando lama para todos os que com ele se cruzam...

E como não será difícil imaginar, arrastando para essa lama todos aqueles que não estão habituados a esse mundo carregado de sujidade.

Para dar um exemplo:

Fica esta imagem que se encontra no inicio deste texto e que serviu para que o filho mais velho de Donald Trump e seus apoiantes acusassem Joe Biden de pedofilia...

O que omitiram, propositadamente, foi que a imagem é do enterro de Beau Biden, filho de Joe Biden, e a criança é o neto do candidato Democrata.

É disto que estamos a falar...

LAMA, SUJIDADE, INDECÊNCIA.

Que saudades de Reagan, McCain, George Bush e tantos outros...

Que saudades do "velho" Partido Republicano.

Boa sorte Joe Biden...

Aqui está alguém que deseja a sua, de todos nós, vitória.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

 

 

 

 

26.09.20

Caldeirada Com Todos... “Maria Pessoa de Carvalho”


sardinhaSemlata

 

 

 

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A DESORGANIZAÇÃO PODE ESTAR A AFETAR O SEU BEM-ESTAR? ENTÃO ESTE ARTIGO É PARA SI!

 

 

Fui convidada pelo JB para escrever este sábado no blog.

Foi com um enorme gosto que aceitei este desafio e convido-vos a fazer parte desta minha reflexão.

Espaços desorganizados podem resultar em estados de espírito infelizes e causar-nos ainda mais infelicidade. Cuidar bem das nossas coisas leva-nos a cuidar bem de nós.

 

Existem diversos fatores que nos levam a perceber que precisamos de uma transformação nas nossas vidas.

 

Mas e se a mudança pudesse começar por aqui?

 

A organização é um admirável ponto de partida para explorar qualquer tema da nossa vida!

Gostava de introduzir o método da Japonesa Marie Kondo (especialista em organização) - Konmari Method™, que ao contrário de muitos outros, defende a abordagem de que a organização deve ser feita por categorias, evitando que haja coisas da mesma categoria espalhadas por toda a casa e que acabam por se tornar esquecidas, o que nos pode levar a acumular ainda mais.
Este método diz-nos também, que devemos guardar apenas as coisas que nos geram alegria e boas recordações e descartar/doar tudo o que não nos interesse ou nos possa trazer más recordações.

Segundo Marie Kondo, “organizar é um trabalho profundamente individual que requer confronto com o passado, visualização do futuro e ação no presente”.

Para que a organização mude as nossas vidas, é essencial comprometermo-nos, exige dedicação, tempo e prioridade. É um processo de autodescoberta e desenvolvimento pessoal.

Em resumo, existem 6 regras fundamentais que estão na base do processo, são elas:
· Compromisso;
· Idealização do estilo de vida que queremos atingir;
· Descartar primeiro;
· Organizar por categoria e não por local (muito importante);
· Seguir a ordem correta das categorias (segundo o método);
· Perguntar a nós mesmos se esta “maratona” nos trouxe alegria.

Para que este processo se torne mais fácil, é muito importante começarmos pela categoria “roupas”, categoria vista como a mais “simples” do método, isto porque, devemos apurar muito bem o nosso sentido crítico entre a escolha do guardar ou descartar antes de passarmos para outro tipo de categorias, como por exemplo, a dos “itens sentimentais”.

Organizar um guarda-roupa é essencial para todos nós, seja por motivos de espaço ou mesmo para avaliar o que está em bom estado. Pode ser um desafio, mas o resultado é sempre compensador, pois torna o nosso dia-a-dia mais fácil por sabermos onde temos tudo.

Os passos devem ser sempre:

  • Triagem (confrontação consciente com todos os itens que possuímos. O que gostamos ou não gostamos, o que serve e que não serve, o que podemos reciclar e dar uma nova vida, o que pode ser doado e o que já não tem salvação, é importante ter presente a valorização da economia circular, o que não nos serve a nós pode servir a outros);
  • Categorização (separação dos itens por categoria);
  • Implementação (arrumar no local escolhido);
  • Identificação (cada item está devidamente familiarizado).

“Teorias” à parte, gostava agora de vos falar um bocadinho sobre mim.

O meu nome é Maria Pessoa de Carvalho, sou formada em Psicologia Clínica e, como psicóloga, aprendi que cada um de nós tem o seu ponto de vista, que nos faz ser únicos e nos diferencia dos demais.

Mais recentemente certifiquei-me no KonMari Method™ para me tornar um membro ativo da comunidade.

Desde pequena que sou muito perfecionista e em certas alturas cheguei a ter um conflito interno comigo mesma, hoje sinto que soube potencializar isso da melhor forma e o que na minha vida sempre fiz com naturalidade, e que fui melhorando e potenciando com o tempo, poderia na realidade ser uma ajuda para outros.

Como?

Redefinindo prioridades, organizando o caos em pequenos hábitos de bem-estar, fazendo da vida e do nosso quotidiano, um lugar e um espaço que valha a pena ser vivido.

 

Espero que este artigo possa vir a contribuir para o vosso bem-estar. 😊

 

Para os mais interessados, convido-vos a seguirem o meu perfil no Instagram e Facebook.

 

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Até breve!

 

 

Maria Pessoa de Carvalho

 

 

25.09.20

A interpretação dos sonhos


JB


     Neste nosso tempo em que a realidade supera qualquer ficção, em que o barril de pólvora onde vivemos parece cada vez mais perto do clímax, talvez os sonhos apresentem um refúgio. Não falo dos sonhos que todos temos acordados: 'quem me dera ganhar o Euromilhões'  (sonharão os mais materialistas); 'quem me dera que houvesse paz no mundo' (sonharão as misses); 'quem me dera que se pudessem castrar fisicamente certas pessoas' (sonharão os apoiantes do Chega). Nem sequer falo dos sonhos, esses deliciosos petiscos da época natalícia. Falo do sonho no sentido estrito: aquilo que a nossa mente anda a fazer enquanto dormimos e mais importante ainda, aquilo que de facto nos lembramos quando acordamos. Falo no momento em que o nosso inconsciente está mais vivo e comunicativo e que se consegue manifestar mais livremente, enganando a censura da consciência e até colaborar com ela.

  Não se pode falar de sonhos sem falar de Freud, o que para mim é óptimo: gosto imenso de falar de Freud. Segundo Segismundo (Freud para os menos íntimos) o sonho é o guardião do sono, é algo que a nossa mente inconsciente constrói para prolongar o sono. É por isso que quando sonhamos com um comboio a apitar, acordamos e percebemos que afinal é o maquiavélico despertador. O sonho permite incorporar o incomodativo ruído e prolongar, nem que seja uns segundos, o descanso. Observou que os sonhos são como uma espécie de curtas metragens, que criamos todas as noites. O cenário dessas curtas metragens são acontecimentos recentes, muitas vezes do próprio dia ou do anterior, mas que os argumentos das mesmas são muito mais profundos e reveladores do inconsciente. Disse-nos ainda que no seu entender, os sonhos são concretizações de desejos mais ou menos inconscientes, mas que não são óbvios de decifrar.  Este ponto em particular levantou muitas objecções, muitos de nós temos sonhos desagradáveis. Como é que isso pode ser a concretização de um desejo?  Uma das pessoas que levantou essa objecção foi uma paciente de Freud: um sobrinho tinha falecido há pouco tempo, e ela recentemente tinha sonhado que o outro sobrinho (irmão do que tinha falecido e filho da sua irmã) também teria morrido. Ora ela gostava muito do sobrinho e da irmã e esse pensamento provocava uma profunda infelicidade. Como sempre, Freud explica.

 Essa paciente tinha contado que no enterro do sobrinho (o que morreu mesmo, no mundo real) tinha encontrado um antigo amor, alguém que ela não via há muito tempo e tinha gostado muito de rever. Isso despertou-lhe sentimentos e desejos profundos, ao ponto do seu próprio inconsciente, durante o sono, ter 'assassinado' o outro sobrinho, não pelo desejo de o ver morto mas como um meio para atingir o fim de rever o seu amado.  

 Quanto aos sonhos de angústia, vulgo pesadelos ou terrores noturnos, são mais complexos: são situações onde o sonho falha na sua função de 'guardião do sono'. Acontecem geralmente por dois motivos: ou porque os desejos inconscientes que dão origem ao sonho são inaceitáveis para o consciente. Aí não há colaboração do nosso consciente e inconsciente, o sonho falha e a consciência decide acordar-nos (normalmente encharcados em suor) para nos proteger do sonho. O outro motivo é geralmente um episódio traumático. Algo que marca de tal maneira e que não é processado pelo sujeito, algo que causou uma dor tão profunda que nem num sonho é possível suportar. 

   Isto para dizer que o inconsciente é malandro e a consciência é mesmo só a ponta do icebergue, parece que conta muito porque é o que está visível. Na realidade julgo que o equivalente moderno seria a conta do instagram de uma pessoa, tudo muito bonito e fantástico mas não representa a sua totalidade apenas representa a forma como cada um se vê e/ou quer ser visto. Frases como 'Freud está desatualizado' ou 'ele só pensava em sexo' são de quem está muito mal informado sobre as descobertas de Freud ou tem mecanismos de defesa em hiper alerta para proteger o seu frágil ego. Nunca ouvi dizer que Darwin está desatualizado por exemplo, nem nunca me passou pela cabeça tentar desacreditá-lo só porque não gosto de ser comparado a um chimpanzé.

  Resumindo, a realidade pode não estar muito apetecível, mas cuidado com os sonhos. Relembrando uma antiga maldição Israelita:

 Cuidado com o que desejas, podes consegui-lo

 

JB

 

 

24.09.20

Porque não fico em casa?


Triptofano!

Hoje, 24 de Setembro pelas 21 horas, a Ezfy irá realizar um webinar que contará com a participação de cerca de 12 convidados oradores (farmacêuticos, estudantes de ciências farmacêuticas, médicos, enfermeiros, criadores de conteúdos digitais e pessoas que vivem com doença, entre outros) para partilharem porque não deve o farmacêutico #ficaremcasa.

E porque é que eu partilho isto convosco?

Pelo facto de aqui o Triptofano, o vosso aminoácido de cadeia semi-longa, ir dar o ar da sua graça e botar discurso, partilhando uma situação que viveu durante a pandemia e que mostra o quão importante é a comunicação entre profissionais de saúde de forma a blindar o mais possível os sistemas de saúde ao erro, protegendo o elo mais fraco, que neste caso é o cidadão.

Quando recebi este convite comecei logo a preparar um discurso de hora e meia, assim com partes emocionantes, outras cómicas, momentos de reflexão e outros de choque.....até que me disseram que tinha 5 minutos no máximo. 

Ora em 5 minutos uma pessoa nem consegue sequer aclarar a voz, por isso vou ter que fazer um verdadeiro sprint vocal cuspinhando-me todo para enfiar uma mensagem gigante em 300 segundos.

O Webinar vai sem transmitido via Youtube por isso se quiserem ver em directo se vou fazer um brilharete ou se ao contrário vou-me enrolar todo e ficar a olhar com ar de veado encadeado para o computador basta seguirem este link: https://youtu.be/MIlDVOVuCz0.

Lá vos espero ;)

 

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