Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

sardinhaSemlata

Um espaço de pensamento livre.

sardinhaSemlata

Um espaço de pensamento livre.

27.02.21

Caldeirada Com Todos... “Ana Mestre”


sardinhaSemlata

 

 

 

716038B5-F4B6-4C7A-A9D9-6DDD21A87D8F.jpeg

 

 

 

Nunca escrevi sobre este tema , não porque esteja esquecido, mas, porque embora não o queira esquecer é demasiado doloroso para lembrar.

Esta história, um bocadinho da minha história, aconteceu há muitos anos. Eu tinha 9 anos, uma criança, em toda a abragência dessa palavra. Muito ligada á mãe e ao irmão. O pai era a figura paternal e a figura de autoridade, nunca precisou bater-me ou gritar comigo, abria os olhos e eu já não sabia onde me meter. 

Recordo-me que estávamos praticamente na páscoa quando tudo aconteceu...

Um domingo em que o meu pai saiu á tarde e não voltou mais ...

Esteve desaparecido durante uma semana, ninguém sabia dele.

Recordo a angustia e a tristeza da minha mãe e do meu mano, constantemente á procura dele, sem sucesso...

Recordo a dor e o medo que eu sentia, sem muito bem me aperceber a razão, mas sabia que algo grave, muito grave tinha acontecido, mas ninguém me explicava nada ...

Apareceu ao fim de uma semana... morto...

Nesse dia deixei de ser criança, perdi a inocência dos meus 9 anos, e nesse dia começou a nascer a mulher que vos escreve hoje !

 

 

That’s It

 

 

26.02.21

Adivinham?


JB

Gosto muito de adivinhas, herdei o gosto do meu avô.
De acordo com a lenda familiar o meu avô era obcecado com adivinhas, tinha orgulho no facto de adivinhar todas; desde as mais parvas: "O que é uma bolinha verde que sobe e desce pai?" (Perguntou um dia uma tia minha) "Uma ervilha num elevador", respondia o meu avô com segurança para espanto dos presentes.  Até às mais complexas. Aquelas que demoravam mais tempo e muitas vezes obrigavam a cálculos com papel e caneta. Hoje partilho uma delas, uma das minhas preferidas:
 Um homem segue por um caminho de um único sentido. A certa altura chega a uma bifurcação e tem que optar por um de dois caminhos idênticos , só que um é o da vida ou o outro o da morte. No início de cada um desses caminhos está um guarda. O homem não sabe qual é o caminho certo (da vida) sabe apenas que um dos dois guardas diz sempre mentira e o outro diz sempre a verdade mas ambos os guardas são idênticos. A adivinha é esta:

 Se você foste este homem, e só pudesse fazer uma pergunta a um dos guardas à sua escolha, que pergunta faria para saber com toda a certeza qual é o caminho da vida?

 Este homem em questão era muito inteligente, pensou e fez a pergunta certa. Escolheu o caminho da vida e ainda hoje está impecável!

 

Alguma adivinha para a troca? Apreciaria muito.

 

(a solução deixo ao fim do dia nos comentários, está não é daquelas adivinhas parvas, garanto!)

 

JB

 

PS ( Se um tijolo pesa 1kg mais meio tijolo, quanto pesa tijolo e meio?)

24.02.21

Coltura, Cooltura e Cultura - Parte II


Sarin

Existem diferenças nada subtis entre cada forma de viver as artes e as letras e os costumes.

Existem, por isso, diferenças nada subtis na forma como as escrevo - de forma que, escrevendo-as, quase as descrevo.

E existem diferenças nas políticas que as promovem.

 

Esqueçamos neste postal as definições usadas na antropologia, como as de Edward Tyler,

"todo aquele complexo que inclui o conhecimento, as crenças, a arte, a moral, a lei, os costumes e todos os outros hábitos e capacidades adquiridos pelo homem como membro de uma sociedade",

e de Clifford Geertz,

"padrão de significados transmitidos historicamente, incorporado em símbolos, um sistema de concepções herdadas expressas em formas simbólicas por meio das quais os homens comunicam, perpetuam e desenvolvem seu conhecimento e suas atividades em relação a vida.",

e centremo-nos numa mais restrita definição filosófica: conjunto de manifestações que contrastam com o comportamento natural. Restringindo ainda mais o conceito, tomemos cultura como as artes e as letras criadas no seio de um povo.

Há sempre um autor, mas eventualmente perde-se na História e a obra acaba por ser adoptada por todos - por exemplo, cantares e trajares ditos tradicionais e quasi indistintos entre regiões. Há, também, obras que são facilmente identificáveis com o seu criador, pela técnica ou pelo tema; e mesmo que protegidas por direitos de autor, continuam criadas no seio de um povo - o francês Gauguin a pintar sobre a sua Polinésia, por exemplo. 

 

Quando escrevi Coltura, supus que facilmente seriam relembradas as rábulas de Herman José, nas quais se brincava com erudição e cultura popular; o leitor e amigo Pequi surpreendeu-me com a existência de uma associação ambiental com tal nome, cujo trabalho desconheço tanto quanto desconhecia a sua existência. Assim, esclareço que o termo Coltura não é mais do que a Cultura com a bidimensionalidade das chamadas Cultura Erudita e Cultura Popular, mas, tal como Herman evocava, afloradas pela rama ou numa interpretação que em muito vai ultrapassando a simplicidade imprimida pelo autor. É a imagem desenhada por Quino, o senhor de monóculo a descrever o conceito da obra que é, afinal, um espanador esquecido num pedestal sem estátua; ou é as quadras de Aleixo analisadas na academia, o tipo de rima, a métrica, as figuras de estilo; ou, ainda, a justificação do autor em defesa do porquê a sua obra ser arte...

Basicamente, Coltura é-me uma caricatura da justificação da Cultura.

E Cooltura... bom, cooltura é outro neologismo resultante da aglutinação do anglicismo cool e de cultura, resultando numa qualquer referência cultural que se adquire não por ser significante para o próprio mas por dar estatuto, por ser cool. No topo da escala social ou na sua base.

 

Explicados que estão os termos, ou pelo menos assim espero, eis-nos perante a questão: e afinal o que é que isso interessa?

Talvez nada, mas lembrei-me deles quando li a notícia sobre a preocupação dos senhores da NOS com o uso que as crianças andariam a dar à internet financiada pelo Estado. parece que não a usaram apenas para as aulas mas, também, o desplante!, para navegarem pelo You Tube e por outras plataformas. Parece que a Educação, afinal, é só aulas, meus amigos, nada de filmes, músicas, conhecer outros lugares ou outros povos. E eu estaria capaz de jurar que os administradores da NOS seriam gente com a educação obrigatória feita no tempo em que o Ministério da Educação se chamava também da Cultura; mas talvez nunca tenham percebido porquê. Ou talvez pensem que apenas tem direito à Cultura quem tem dinheiro para a pagar - mesmo que a Constituição diga o contrário e lhe chame direito de cada cidadão. O que, em boa verdade, não me espantaria, já que há quem defenda só poder criar Cultura quem tiver dinheiro para a financiar ou quem dela consiga subsistir porque vende - no fundo, muito no estilo da Cooltura. E o pior é que o Governo tem política semelhante. O que me parece ainda mais grave.

Também me recordei destes termos ao descobrir a maravilha que são as aplicações da RTP: RTP Play, RTP palco, museu RTP realidade aumentada e RTP Arquivos. Se já antes era acérrima defensora do serviço público de televisão, perante estes serviços e perante as melhorias que noto nos canais disponibilizados só posso exigir mais inovação, mais rigor, mais atenção ao seu principal objectivo: facultar aos cidadãos informação, cultura, desporto e entretenimento. Porque na televisão temos acesso à Cultura em muitas das suas manifestações, e desconfio que muito perdemos por não a defendermos mais e melhor. Acedendo à Cultura facultada pelo serviço público de televisão, acederemos também à Cooltura e à Coltura, mas suponho que serão subprodutos da falta de prazer pela Cultura em que a nossa cultura se espoja, despojando-se.

E agora vou-me, que já demasiado tardei.

Fiquem bem. Fiquem com os Pauliteiros de Miranda.

 

Pág. 1/5