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sardinhaSemlata

Um espaço de pensamento livre.

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02.02.21

Vacinas! A eterna tela Bosch de Portugal...


Robinson Kanes

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Hyeronimus Bosch - "A Extração da Pedra da Loucura"  (Museo del Prado) 

Créditos: Museo del Prado (não podendo tirar fotografias, cede os direitos em boa resolução para espaços como este - obrigado) 

 

Fazendo uma análise aos mais recentes episódios em torno das vacinas contra o SARS-CoV-2, não sei se fique mais perplexo com a situação em si ou se com o espanto que a mesma gerou na opinião pública. Afinal, qual é o espanto com algo que é uma prática diária no nosso país? Então não é algo normal, uma coisa, como dizem... cultural? Não percebo o espanto, admito.

 

O início do arraial das vacinas começou com ministros, polícias e administradores de empresas de logística a lutarem por um minuto de fama. Só faltou a selfie e uma mensagem por baixo a dizer "I am the man" ou "olhem, olhem para mim! Eu é que inventei a vacina e as carrinhas de transporte de mercadorias". Se isto não é Portugal, só poderá ser uma espécie de filme de Visconti ou Fellini.

 

Ver um administrador de uma empresa de logística em tudo o que era canal mediático a descrever como se transportam caixas - como se fossem telas de Rafael ou ogivas nucleares - ou indivíduos da nossa política em selfies com frascos e seringas, não engana em relação à origem de tal romaria.  Em Espanha, Pedro Sánchez e o seu caudilho, Pablo Iglesias, foram mais longe e até revestiram as caixas com a imagem do Governo de Espanha. 

 

E como de telas falamos, os recentes acontecimentos que envolvem a distribuição das vacinas, apesar de não me emocionarem, são uma verdadeira tela do flamengo Hieronymus Bosch: Portugal uma espécie de "Jardim das Delícias Terrenas" para muitos e um "Inferno" para outros. E no entretanto, enquanto uns enchem "O Carro de Feno" outros carregam-no e transportam-no mas dele nada extraem... Alimentam, contudo, o desejo de uma "Extração da Pedra da Loucura" que assola uma nação - até agora sem sucesso...

 

Terrivelmente, os episódios de desvios das vacinas de modo a favorecer pessoas próximas, deu-se de norte a sul e revela o egoísmo atroz daqueles a quem delegamos a res publica. Aqueles que elegemos e/ou pagamos para gerirem uma parte substancial da nação, são os primeiros, quais senhores feudais a apropriarem-se dos bens e a usurpar todos os direitos em detrimento, neste caso, da saúde dos seus cidadãos.

 

É vergonhoso, é abominável pensar que estes pulhas representam os cidadãos nacionais. Estes indivíduos que hoje estão a compor a tela, são os dignos representantes das balestras que numa base diária fogem aos impostos (e em alguns casos, tenho de reconhecer que até percebo), que ignoram o mérito e favorecem o familiar ou o amigo naquele concurso seja para emprego seja para um qualquer projecto. Muitos deles lá nos chegam do social, das misericórdias e centros paroquiais... E falam estes biltres de solidariedade. 

 

São estas alimárias que corrompem tudo e todos, que se deixam corromper por bilhetes para o futebol, por um café ou por uma francesinhas! São estes cidadãos exemplares que fariam um Lucky Luciano corar de vergonha ou que não deixam de ser um case study para uma 'Ndrangheta ou até uma Românească.

 

É deplorável como é que depois da tremenda escandaleira de Reguengos de Monsaraz, um execrável representante político, com cargos em tudo o que é instituição da região, continue como se nada fosse. É repugnante como é que as demissões, quando ocorrem, tudo resolvem... Uma espécie de antecâmara para um outro cargo e assim se apagam verdadeiros crimes e onde a explicação, como dizia Cortazar é um erro bem vestido! É mais fácil um criminoso que favoreceu alguém encontrar um emprego em Portugal do que um indivíduo experiente que se pauta pela ética e pela dedicação ser reconhecido.

 

O mais recente episódio da vacina e até de pseudo-celebridades muito preocupadas com o bem comum, revela a "santola sem conteúdo" de um país corrompido, destruído e envergonhado até nas mais altas instâncias da União. Revela toda uma pele exaltada por muitos meios mas que esconde uma carcaça pútrida e corroída até às entranhas - culpa dos verdadeiros cidadãos ainda permitirem que estas figuras existam e digam que nos representam. Recentemente, em pleno Parlamento Europeu, alguém se envergonhou de ter na União Europeia um país que estava a agir como Portugal... Tenhamos nós também vergonha, façamos nós um país e sim, sejamos os auditores da nossa política, da nossa administração pública e local como até António Costa um dia referiu cinicamente (sabe quem governa e que não tem de prestar contas). Mas sejamos auditores de actos que nos impactam e não se alguém levanta a mão na saudação romana ou numa espécie de nova censura em que por hype se passa a considerar crime um acto perfeitamente banal e inofensivo!

 

Deixemos o turpilóquio do "é cultural", do "sempre foi assim" ou do "safa-te também". Sejamos homens e mulheres e deixemos de ser imaturos num país com uma história de muitos e muitos séculos. A verdade é que muitos não o farão... Num país onde práticas mafiosas imperam, muitos dos seus cidadãos têm os seus esquemas\receios e embarcaram numa espécie sigétique para ficarem bem na fotografia... Mas que 20% já exija qualquer coisa, não tenho dúvidas que poderá fazer toda a diferença, além de que, não podemos desistir de nós próprios, citando aqui Gabor Steingart que se refere à classe baixa moderna como oca e vazia, sem qualquer ideal e sentido, aquilo a que, socorrendo-me das neurociências, podemos chamar de eucarióticas!

 

Quiçá a actual crise nos coloque a todos na miséria e nos obrigue a crescer! Há males que vêm por bem... Ou talvez não, porque a História diz-nos o contrário.

01.02.21

Dia De Dérbi


Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

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É dia de Dérbi!

O futebol na sua infinita arte, transforma o imaginário de tantas crianças, pequenos e graúdos, dando uma inimaginável dimensão à solitária imaginação de cada um.

Foi assim comigo, sempre assim foi com este amor pelo "meu" Sporting.

Nada me fazia vibrar como um Dérbi, esse jogo que arrepia e entusiasma, que nos abana os alicerces e faz querer voar...

Uma incontrolável vontade de vencer, para além do racional, esse querer que não se traduz por palavras, talvez somente nos entrelaçados espaços de uma poesia, que não se compadece com o tempo ou com a realidade.

Assim que a bola começa a rolar, esta leva com ela o bater de tamanhos corações, de tantas almas presas ao momento, amarradas à esperança de um grito, sempre verde, de um abraço, de um desmesurado festejo, nesse caminhar eterno rumo ao Olimpo.

Sei bem que para muitos isto poderá parecer surreal, incompreensível, mas como escreveu um dia Arrigo Sacchi, um dos mais brilhantes treinadores que conheci na minha vida, AC Milan de Gullit, Rijkaard e Van Basten:

"O futebol é a coisa mais importante de entre as coisas menos importantes da vida"

E como isso é importante.

E para lá do futebol, do rolar da bola, dos 90 minutos, está o Dérbi, Sporting VS Benfica, esvoaçando pela História perpetuando nomes e rostos, segundos intemporais entre o sagrado e o profano.

Estes meninos de Leão ao peito, devolveram a este jovem de 40 anos algo que nos últimos anos havia perdido, o orgulho de os sentir como "meus", intrinsecamente "meus", aqueles rapazes de verde e branco...

Voltei a ter 5 anos, a sentir como aos 5 anos...

E isso ninguém me poderá retirar.

Hoje é Dia de Dérbi...

E acredito que juntos, contra tudo e contra todos, vamos ganhar.

#Ondevaiumvãotodos

Parafraseando Mr. keating, em O Clube dos Poetas Mortos:

Thank you boys, thank you!

Obrigado rapazes, obrigado Rúben Amorim.

 

 

Viva o Sporting

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

 

 

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