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sardinhaSemlata

Um espaço de pensamento livre.

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26.03.21

Coisas que parecem muito inteligentes mas depois vai-se ver melhor e afinal são estúpidas - 1º episódio.


JB

 Mais um 'mass shooting' nos Estados Unidos e mais uma vez não existe solução à vista. Os democratas pedem para banir as armas de assalto e os republicanos consideram isso um atentado à segunda emenda dos Estados Unidos. Tudo ficará na mesma. Haverá mais. Em Portugal, uma manifestação de cerca de 3000 pessoas a dizer que o Covid não existe entre outros disparates.

 Aquilo que nos distingue dos animais é a palavra, assim que deixamos de lhe dar importância, o entendimento deixa de ser possível. Seria certamente impensável para um cidadão grego contemporâneo dos grandes filósofos, acreditar que no futuro - em 2021 por exemplo - a maioria das pessoas não sabe identificar ou nomear uma simples falácia. Como gosto muito da palavra de uma maneira geral (e gosto muito de desmontar falácias e outras artimanhas que pessoas espertas usam para parecer inteligentes) hoje iniciei esta nova rúbrica: espero que seja útil.

   Coisas que parecem muito inteligentes mas depois vai-se ver melhor e afinal são estúpidas.

 1. A falácia 'straw man'. Deturpar um argumento e depois rebater o argumento inventado. Um exemplo: alguém crítica a manifestação dos negacionistas do Covid, diz que são malucos que deviam ser multados por pôr em causa a saúde pública.  Alguém, que por algum motivo queira atacar a pessoa que diz isso, pode sempre responder: "agora querem pôr as pessoas na cadeia por expressar a sua opinião. São como o Hitler." Inventou um argumento que não existe e é absurdo, rebate-o com sucesso e fica a parecer muito inteligente, só que afinal...

2.  Pessoas que querem mostrar que sabem inglês (e não sabem) a tentar dizer Apple. Soa sempre 'aiple'   que não existe em língua nenhuma. Ninguém parece mais inteligente ou culto quando diz 'aiple'.

3. Citações com imagens motivadoras e/ou sábias nas redes sociais. Então se tiverem erros ortográficos é mesmo estúpido e garanto que não têm o efeito pretendido.
  
  4. Lembro-me bem desta conferência de imprensa do Abel Xavier, ex-jogador da seleção nacional de futebol. Ele já se tinha retirado do futebol e estreava-se agora como treinador principal de uma equipa qualquer. Em resposta a uma pergunta diz o seguinte: " o que é um treinador? É aquele que treina a dor", conclui com um ar triunfante, "e um jogador? É aquele que joga a dor." Intensifica o ar triunfante perante os jornalistas embasbacados. Confesso que também eu num momento inicial fiquei surpreendido com a simplicidade genial da desconstrução, mas depois passaram dois segundos e percebi que aquilo que parecia inteligente afinal era estúpido. Então e o canalizador? É o que canaliza a dor? E se for num grupo de forcados, o rabejador é o quê? Nem quero pensar nisso. 

   5. A falácia 'et quoque' ou o whataboutism. A preferida dos espertos. Alguém diz: "o Bolsonaro é ruim". Resposta do esperto: "gostavas do Lula?"; alguém diz: "o assassinato ao George Floyd foi um crime desumano e inqualificável. Resposta do esperto: "há ladrões que matam polícias e ninguém fala nisso". Nunca falam no assunto em causa, desviam o tema e ficam a achar que são muito inteligentes, quando afinal... É só estúpido.

  Apenas alguns exemplos para todos estarmos atentos. Existem muitas falácias e vale a pena conhecê-las: todos as usamos de forma mais ou menos voluntária. Devemos fazer um esforço consciente para deixar de o fazer. 

 

 

JB   

*PS   - Neste meu texto falo das falácias de argumento, não nas falácias de uma maneira geral. Um amigo enviou-me esta mensagem que pela sua relevância transcrevo em baixo (muito obrigado NVM)!

"As «falácias lógicas» ou «de argumento.» mais recorrentes são:
1. «ad hominem» - o ataque à pessoa em vez do rebate ao argumento. Exp. - «O Trump é um imbecil, logo o Trump não pode estar certo.»
2. «et quoque» (a) e «whataboutism» (b) - apelo à hipocrisia ou relativismo moral. Muito usado pela Esquerda e pela Joacine Katar. Expl. (a) «Diz isso porque ele é preto, se fosse branco já não diria», (b) « Diz que o Maduro é ditador, mas não se preocupa com o que se passa com o Bolsonaro.»
3. «argumentum ad antiquitatem»(a), «Argumentum ad verecundiam»(b) e «No true Scotsman»(c)- Muito usado pela Direita e pelo Ventura: apelo à antiguidade ou à autoridade ou nacionalidade.Expl. (a) «Se já os nossos avós o faziam, é porque está certo.», (b) «Se o chefe o diz, é porque está certo», (c) «Nenhum português verdadeiro pensaria tal coisa.»;
4. «argumentum ad populum», argumentum ad passiones». Os favoritos dos populistas. Ou apelam às massas («Toda a gente é a favor da pena de morte») ou às emoções («Um filho que não é gerado em amor será infeliz. Logo a mãe deve abortar.»);
5. Generalização precipitada. Fazer uma generalização de um amostra muito pequena. expl. «Conheci uma loura que era muito burra. Todas as louras são muito burras."

   

Depois ainda temos, constantemente, os argumentos «non sequitur».**

Afirmação do consequente é uma falácia lógica de non sequitur que consiste em confundir o antecedente com o consequente, ou seja, consiste em afirmar a consequência. Toma a forma[1]:

Se A então B B Portanto, A

Exemplos

Se jogamos bem, ganhamos.
Ora, ganhamos.
Logo, jogamos bem.

Este argumento é falacioso porque, mesmo que as premissas em si sejam verdadeiras (o que não é o caso deste exemplo, tendo em vista que a primeira premissa é demonstravelmente falsa), a conclusão não segue delas, já que a equipa poderia ter ganho porque, por exemplo, a equipa adversária não só jogou pior como o árbitro ajudou numa má atuação.

Se Bill Gates for Presidente do Brasil, então ele é rico.
Bill Gates é rico.
Logo, Bill gates é Presidente do Brasil..

Esse argumento é obviamente falso, pois para ser rico não é necessário ser Presidente do Brasil.

Argumentos da mesma forma podem parecer superficialmente convincentes, como vemos no exemplo abaixo:

Se estou gripado, tenho dor de garganta.
Estou com dor de garganta.
Portanto, estou gripado.

Estar gripado não é a única causa de dor de garganta, portanto, a implicação não é verdadeira.)

 

*adenda feita a 27 Mar

**cit. in. Wikipedia

     

25.03.21

A Insuspeita História do Usucapião de Competências


Triptofano!

Ana Rita Cavaco vem novamente afirmar que a administração de vacinas por parte dos farmacêuticos é uma competência que não lhes pertence.

Poderíamos dizer que ARC estava preocupada com a Saúde Pública dos Portugueses, e além de denunciar os fura-filas com maior ou menor IMC, era a sua missão de vida garantir que nenhum cidadão era vacinado por quem não tivesse competência para tal.

Infelizmente a Excelentíssima Bastonária da Ordem dos Enfermeiros esqueceu-se que desde 2007, em estrito cumprimento dos requisitos estabelecidos pelo Infarmed, os Farmacêuticos já administraram milhões de vacinas. Pior ainda, essa Classe Profissional até tem formação específica que lhes permite actuar em caso de reacções adversas, anafiláticas incluídas. E não, actuar em caso de reacção anafilática não é igual a por o utente na borda do passeio e esperar que o INEM chegue.

Claro que podemos pensar que isto são loucuras típicas deste nosso pequeno país, mas a verdade é que muitos outros países já usam os Farmacêuticos para administrar vacinas, e parece que tudo e todos convivem pacificamente com tal facto.

ARC lembrou-se em plena pandemia, altura em que se devem construir pontes e não mandar um meteorito para cima delas, que o problema da nação eram os Farmacêuticos vacinarem. 

Tudo bem, posso até compreender que denegrir uma Classe Profissional seja uma boa estratégia para fazer pressão com o Estado para haver mais enfermeiros contratados com melhores salários. E eu sou o primeiro a apoiar mais enfermeiros com melhores salários. O problema é quando temos telhados de vidro e gostamos de brincar a mandar calhaus.

ARC já anteriormente tinha dita que os Enfermeiros não dispensavam, e que cada macaco devia estar no seu galho. Ora excepção a esta regra deve ser por exemplo os Enfermeiros que dispensam medicação anticoncepcional. Ou a terapêutica para a tuberculose. Ou mesmo que preparam as vacinas do Covid - função que podem não acreditar mas é da competência dos Farmacêuticos.

Pelo facto de a existência de Farmacêuticos em Centros de Saúde e locais similares não ser mais que uma miragem, os Enfermeiros começaram a fazer usocapião de competências. De uma forma totalmente insuspeita, porque afinal os utentes precisam e os Enfermeiros não iam bater o pé e fazer greve e protestos contra estarem a usurpar as competências dos Farmacêuticos.

Fico à espera que numa próxima entrevista ARC afirme com a sua paixão habitual que o Estado precisa de contratar Farmacêuticos, e que os Enfermeiros não podem mais assegurar tarefas que não são sua competência.

Nesse momento serei o primeiro a mandar-lhe uma mensagem a agradecer tudo o que faz em prol da Saúde Pública do nosso país.

 

 

23.03.21

Os Novos (A)Normais...


Robinson Kanes

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Créditos:  Thiébaud Faix - Unsplash

 

 

We must know the truth; and we must avoid error, these are our first and great commandments as would-be knowers; but they are not two ways of stating an identical commandment, they are two separable laws. Although it may indeed happen that when we believe the truth A, we escape as an incidental consequence from believing the falsehood B, it hardly ever happens that by merely disbelieving B we necessarily believe A. We may in escaping B fall into believing other falsehoods, C or D, just as bad as B; or we may escape B by not believing anything at all, not even A.

William James, in "The Will to Believe"

 

 

Olhando para algumas lutas de hoje, dou por mim a rever-me no papel de certos indivíduos antes de serem chacinados por alguns dos mais horrendos regimes do século XX e até do século XXI. Aqueles regimes que começaram por perseguir quem tinha determinados comportamentos... Normais?

 

Acontece hoje em dia algo semelhante, sendo que pequenas minorias de iluminados tentam impor leis e comportamentos (e em muitos casos com sucesso) pegando em argumentos que se tivessem sido do conhecimento de muitos genocidas num outro tempo, hoje todos poderiamos utilizar uma suástica na testa ou uma foice e um martelo no braço... A primeira é proíbida, a segunda é amada em muitos países e exaltada até constitucionalmente em terras de um certo país do sul da Europa. Mas que comportamentos são esses?

 

A destruição do povo Uigur pela China? Não... O roubo de mais de 100 milhões de uma eléctrica chinesa aos portugueses? Também não... Questionar que talvez o vírus chinês (primeira mina pisada) possa mesmo ter saído mesmo que involuntáriamente de um laboratório (segunda mina pisada)? Não... E grupos de media que foram brindados com dinheiro do Estado por causa da pandemia (grande choradinho de um certo Presidente) e entraram em 2021 a gabarem-se dos grandes lucros que tiveram?

 

São sempre temas delicados, sobretudo num certo país que sai à rua por tudo e por nada ou quando mete corporativismos (e ainda dizem mal do Estado Novo) mas quando o tema é importante fica em casa não vá arranjar problemas. Cidadania de vão de escada alicerçada naquilo a que Platão apelidou da pior injustiça camuflada de justiça simulada.

 

Todavia, nesta situação em particular, refiro-me a temas como o mediatismo dado a alguém que quis apanhar a onda do racismo sendo mais racista que um racista e cuja tese de doutoramento e uma conferência incidiram sobre o racismo nos Maias. Eça esse racista... Uma coisa é certa, podemos fazer uma tese de doutoramento sem ter lido a obra! Já começo a perceber porque é que a malta que só lia os apontamentos da Europa-América dedicados aos "Maias" se safava bem nos exames. Ver em adjetivos como claridade e escuridão a supremacia do homem branco é digno de registo... Maldito homem branco, como dizia um poeta senegalês naturalizado português, era "matá-los a todos". Muitos no campo dos media tentaram fazer ecoar esta tese, todavia sem sucesso... Afinal o povo ainda não está bem dominado e nem o confinamento ajuda a moldar mentes (para muitos nunca mais acabava)... Há esperança!

 

Mas não nos ficamos por aqui: depois de uma holandesa ter sido proibida de traduzir poesia de uma jovem americana negra, eis que foi um cavalheiro catalão que pagou o preço de, à semelhança da holandesa... não ser negro. O argumento é de que um branco jamais compreenderá o sentimento de um negro... Racismo! Pois, eu também acho, mas os novos anti-racistas não... Martin Luther King deve andar às voltas no caixão.

 

Finalmente, para fecharmos o capítulo da cor e passarmos a outro hype, a entrevista vazia de conteúdo de alguém famoso que acusou a família real (excepto a rainha - não fica bem no circuito mediático) de ser racista. Parece-me bem, sobretudo se isso for explorado para ganhar alguma notoriedade depois de se desvincular desse mundo e além disso, nada como pagar sete milhões para apresentar uma queixa dessas na televisão. E a Oprah, sempre tão solidária... Bastava irem à esquadra dos Olivais e de forma gratuita tinham apresentado queixa...

 

Mas, de facto, ser branco, hetero e ter opinião própria começa a ser um pesadelo... Já sinto os Dominicanos a baterem com as cruzes no chão ou então um senhor nascido em Rheydt na Alemanha, e cujo apelido era Goebbels, a aproveitar a deixa para mais uma circular de bons costumes. 

 

E é aqui que entramos no novo hype que é censurar (não vejo outra palavra) desenhos animados a menores de sete anos porque têm conteúdo sexista (e também racista). Lembram-se da coelinha do "Space Jam"? Pois é, mudaram-lhe a imagem porque estava sexualizada. E o "Pepe le Pew", lembram-se? Supostamente essa simpática e fofa doninha é um violador do pior! Ainda há quem chame a malta que se manifesta na rua contra as restrições de maluco... 

 

Mas não nos ficamos por aqui. Nós e outros mais velhos que nascemos a ver o Peter Pan, o Dumbo e até os Aristogatos (os Aristogatos, sim... os Aristogatos) fomos impregnados pelo vício, pela imagem ofensiva, pela cultura do estereótipo... Os Aristogatos racistas? Eu só me lembro de belas histórias de amizade e amor, algumas belas lições de humanidade, mas pelos vistos alguém parece ter decidido que o mal está por lá presente e deve ser limitado - não vão as crianças de hoje ser umas bestas racistas e violadoras no futuro... Um pouco à semelhança daquelas senhoras que em cada homem encontram um violador e um agressor...

 

Sugestão? Mais Tik Tok, Netflix e outras tantas redes sociais! A educação para estes indivíduos parece começar aí. Estranho que a Xana Toc Toc ainda não tenha sido presa.

 

Mas querem preocupar-se com as crianças? Preocupem-se com as crianças-soldado, com as crianças que morrem na guerra e que morrem de fome e afogadas no Mediterrâneo e não só! Preocupem-se com as crianças que morrem fuziladas (sim, em determinados países as crianças já são alvos escolhidos para abater) ou com aquelas que aparentemente nunca conseguem ver a Justiça ser feita porque ainda se escondem os crimes de uma Igreja impregnada de pedofilia (veja-se o mais recente caso, agora na Alemanha). Pedófilia, esse crime hediondo que cada vez vai tendo menos impacte! Preocupem-se com as crianças que são vítimas de maus-tratos, com as crianças que apanham lixo na Índia ou em Lusaka, na Zâmbia. Irritem-se com as que laboram na extração de ouro na República Democrática do Congo... Preocupem-se com as mulheres escravizadas também na Índia, com as "noivas" de Santo Domingo (a capital daquele país onde o parolo adora passar férias? Não é boa ideia) ou então com as mulheres violadas por esse mundo fora.

 

Finalmente, mais outra pérola: os famosos "Senhor e Senhora Batata" passaram a ser neutros... Não há cá senhor nem senhora... Mais uma vez, não queremos que as crianças sejam influenciadas e acompanhem os novos tempos... Portanto, esquecemos a biologia e inventamos um ser Huxleyano? Voltando a alguma gente de bem, de facto, foi Mengele que disse que as experiências nazis foram uma dádiva para o desenvolvimento humano... Alinhando os astros, na verdade, as diferenças que encontro são cada vez mais ténues.

 

Descansa-me, contudo, que a maioria se esteja completamente a borrifar para isto tudo... Serão modas passageiras em alguns casos, todavia, e como diz o povo, enquanto o pau vai e volta folgam as costas, a não ser que um dia alguém atinja a cabeça e aí podemos ter um grave problema... Transportado para um país que tomou o gosto a "Estados de Emergência" (ou totalitários?), pode ser um grave problema, nomeadamente, quando pela primeira vez na História da Democracia temos uma franja da população e um sem número de gente de bem (que se alimenta do mal dos outros) a defender que a Polícia deve "atacar" à força bruta manifestações pacíficas... São os mesmo que preferem seguir um rebanho mediático, não pensar para não correr riscos e ver a jusante um problema com origem bem antes de uma saída pacífica à rua... Os mesmos que criticam quando um polícia empurra um manifestante que rouba ou partiu uma montra mas entregam a capacidade de questionar a outrem...

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  • Para quem quiser ler: "In Europa" de Geert Mak... Uma viagem pelo século XX mas vivida no presente... Interessante relato e fabulosa compilação de testemunhos. Faz falta conhecer a Europa de ontem para sermos uma melhor Europa hoje.
  • Para quem quiser ouvir: Falando da Europa, do melhor que se faz por estas terras... Eleni Karaindrou com "Eternity and a Day", uma grande banda sonora para um grande filme também.
  • Para quem quiser ver: "Baarìa" mais uma obra-prima do mestre Giuseppe Tornatore, mais um herdeiro do velho cinema italiano e mais uma história tão real... Baarìa é o nome pronunciado no dialecto local para Bagheria, cidade siciliana e berço de Tornatore. Excelente interpretação do já muito conhecido Francesco Scianna, brilhante banda sonora do suspeito do costume, Ennio Morricone e claro... Tornatore é Tornatore. Saudades da Sicília... 
  • Para quem quiser ir às compras: porque não apoiar os produtores da região de Setúbal? A Feira Online de Saberes e Sabores, "Setúbal Mostra", arranca dia 26 de Março e vai até 01 de Abril. Conheço alguns, dos vinhos aos doces passando pela olaria e pelo azulejo. Não vão ficar desapontados, é mesmo do melhor que se faz em Portugal e estou certo que a vossa Páscoa vai ser mais apetecível.
  • Para quem quiser ver e ouvir: Klaus Mäkelä dirige a Orchestre de Paris em directo no dia 24 de Março! Continuamos a entrar na primavera e agora com o Concerto para Piano nº 3 de Bartók, a inacabada Sinfonia nº 9 de Bruckner e "La Pavane pour une infante défunte" de Ravel.

 

22.03.21

O Covid Existe? Ou Os Malucos À Solta... “Escolham o Título”


Filipe Vaz Correia

 

 

 

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Este sábado passeava com a minha mulher pelo Parque Eduardo VII, quando comecei a reparar numa quantidade de pessoas que se aglomeravam no cimo do parque.

Música, abraços e beijos, tudo como se nos encontrássemos num tempo diferente, talvez pelos idos de 2019.

Inicialmente não consegui compreender, bandeiras de Portugal espalhadas, gente e mais gente...

A cada passo mais me surpreendia a quantidade de pessoas, mais intrigado ficava, no entanto, por um instante tudo se tornou claro, evidente, compreensível.

Um cartaz na mão de uma mulher...

"O COVID-19 não existe" ou "O vírus são os media".

Meu Deus! Exclamei baixinho entendendo que estava numa espécie de Júlio de Matos a céu aberto, com o devido perdão aos pacientes do Júlio de Matos por esta abusiva comparação.

Será que estava no meio de uma manifestação de negacionistas?

Adivinhem a resposta.

Gente que protestava contra a gestão da pandemia e em alguns casos até duvidava da existência da mesma...

Fomos saindo dali, meio estupefactos com o aglomerar de gente, com a chegada de pessoas que parecia não ter fim, por entre, famílias, novos e velhos.

Sou muito sincero, no meio daquela multidão sem máscaras, o que me preocupou não foi a saúde destes "malucos", a sua sobrevivência a este vírus, mas sim aqueles que não tendo culpa nenhuma se cruzem com estas pessoas, num autocarro, num supermercado ou noutro local e sem culpa alguma possam ser afectados e contagiados por estes irresponsáveis.

De uma coisa estou certo...

No sábado, naquela manifestação, o Covid era um vírus feliz, olhando para aqueles rostos alucinados e dizendo:

Ui... paparoca da boa!

Isto de facto está cheio de malucos travestidos de pessoas normais.

Que loucura.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

 

 

19.03.21

Amigo


JB

  Um facto que me alegra quando penso na condição humana, é que nós (enquanto espécie) temos o hábito de celebrar a existência de cada pessoa uma vez por ano. Acho bonito e (em alguns casos mais do que noutros) muito adequado.

  Hoje é um dia especial. 
  Não é a minha intenção alimentar a guerra dos sexos, mas hoje não posso deixar de sublinhar um ponto: existe qualquer coisa de único numa amizade entre dois homens. As mulheres terão as suas coisas fantásticas e únicas (dar à luz etc...) mas os laços de amizade, lealdade e irmandade que dois estranhos do sexo masculino conseguem criar ao longo do tempo são qualquer coisa que transcende a condição humana. Hoje um irmão faz anos. Parabéns.

  Não posso dizer que simpatizámos logo que nos vimos. Ambos erámos matulões para a idade e achávamos que éramos maus. Por causa do tamanho do outro mantínhamos uma distância segura, mas sem dar confiança: não fosse isso ser entendido como fraqueza. Essas desconfianças acabaram depois do primeiro jogo que fomos no velho estádio de Alvalade, ver o grande Sporting. Depois as noitadas, as futeboladas, as jogatanas. Crescemos juntos. Sempre conversámos muito, sobre o Sporting primeiro, sobre a complexidade interior e beleza exterior do sexo oposto, a situação geo-política internacional, o José Castelo Branco, enfim sobre o que nos parecesse interessante na altura.  Ao mesmo tempo os anos passavam: namoros intensos, traições, separações dolorosas, novos namoros, mortes, casamentos, nascimentos, divórcios, mais mortes. Estivemos juntos. Estaremos juntos.
  Sei que sim, porque ninguém sabe melhor o que é ser amigo do que tu. Ninguém é mais leal ou inspira mais lealdade. Ninguém é mais humano e generoso nas emoções do que tu. Ninguém é mais feroz ou protetor quando sente que tem que defender os seus. 
 Freud disse uma vez: " como é forte uma pessoa quando está segura de ser amada." Se te conhecesse diria: "como ficam mais fortes todos os que estão ao lado do Pipo!". 

 É verdade. Este amigo de que falo e que hoje parabenizo é o comandante destas sardinhas: o nosso Filipe Vaz Correia. 
Para além destas qualidades que já referi é escritor, poeta e o responsável de por aqui nos encontrarmos. 
Para ser rigoroso e não induzir as pessoas em erro, deveria ainda referir aqui alguns defeitos do meu querido amigo.

  Não o farei por 3 motivos:

   1- É o dia de anos.

   2- Temo represálias.

   3- O texto ficaria demasiado longo.

 Obrigado meu irmão. Aprendo muito contigo.

Muitos parabéns!

 

 

JB