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sardinhaSemlata

Um espaço de pensamento livre.

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30.04.21

Ele há dias assim


JB

 

Esta angústia de escrever

A saber que vais ser lido

Não dá vontade de morrer

Mas de nunca ter nascido

Parece demasiada,

A angústia do escritor,

Mas só quem não escreveu nada,

Não a consegue supôr,


Não adianta insistir,

Mais vale reconhecer,

Hoje a inspiração não quis vir, 

Não tenho nada para vos dizer.

 

 

JB

PS (para ninguém ficar de mãos a abanar e comoestou numa de poesia, partilho uma já antiga de um dia mais inspirado).

 

 

 

 

 

ERA UMA VEZ

 

Sou um bardo e vou contar

uma estória inolvidável,

D'el Rei a tentar escapar

de um monstro abominável .

Para o rei era invisível 

o monstro devastador

por isso fez o possível 

e salvou o seu amor.

 

Era a sua filha amada

vítima da aberração,

tinha uma alma torturada.

 

“Para uma ilha no mar,

murmurando uma canção 

os dois iremos escapar”.

 

 

 

Esse rei angustiado

com o destino fatal

ergueu as mãos esperançado

da sua filha um sinal.

 

"Que monstro é esse princesa?

 que te agarra o coração,

 que te enche de incerteza

 que te atira para o chão."

 

“O monstro é a escuridão

 e tem dentes afiados.”

(Mostra-lhe os cortes na mão)

 

Noite e dia / pai e filha

de joelhos abraçados

e o monstro já na ilha...

 

 

 

 

27.04.21

Tornar-se um Doente Mental em Portugal...


Robinson Kanes

robinson_kanes.jpgImagem: Robinson Kanes

 

Todos os homens são loucos (...) mas que é um destino humano senão uma vida de esforços para unir esse louco e o universo.

André Malraux, in "A Esperança"

 

Em tempos, dizia-me um alemão que em Portugal ou se alinha no status quo ou se morre novo com uma qualquer doença mental. Cada vez mais reconheço que o indivíduo oriundo do país que fabrica brinquedos caros para o povo luso tem toda a razão. 

 

A pandemia veio mostrar uma realidade que todos sabemos, mais de metade da populaça anda maluca da cabeça. Se tivermos em conta que mais facilmente se gastam €1200 num smartphone do que €50 num psicólogo, encontramos de imediato uma explicação... E já nem falo de psicanalistas que protelam a saída dos seus pacientes com histórias e mais histórias quando os apanham, falo mesmo dos outros que os procuram emancipar e despachar o quanto antes.

 

Na semana passada, de facto, não faltaram por aí figurinhas que nos fazem pensar se não estamos nós também malucos.  Começou com mais um daqueles momentos em que orgulhosamente ostentámos que somos os melhores do Mundo na arte do pedinchar... Quando a mendicidade para sustentar os nossos luxos tem lugar, somos logo os primeiros a apresentar planos, mesmo que feitos em cima do joelho e ninguém perceba muito bem o que são políticas sociais... O grande tópico dos milhões. Somos os melhores do Mundo, como um certo Marcelo gosta de dizer... Preocupemo-nos em ser um pouco melhores do que somos e em fazer as coisas bem e essa dos "melhores do Mundo" é irrelevante... Maldito folclore provinciano. A pedir que nos sustentem não somos nada malucos... Todavia, esse pensamento é errado, na medida em que quem nos envia dinheiro só pode estar chalupa.

 

Experimentem também passear o vosso cão num descampado, noite cerrada, e darem com um indivíduo ostentando um mini-rádio com música duvidosa a dançar entre as ervas altas e as árvores. Dança para trás, dança para a frente, sacode as moscas... Estava feliz, pelo menos isso... Ou melhor, feliz até tropeçar numas pedras ou nuns ramos e bater com os queixos no chão. Salvem as mulheres e as crianças que eu sei nadar... Quando gozarem com a malta que andava com grandes sacas de cimento ao ombro e a ouvir música, lembrem-se da malta das tortas electrónicas que exala som quando caminha... No entanto, sempre em modo de banda sonora para a vida. Se os indivíduos da música de elevador descobrem isto, têm um mercado imenso para explorar. 

 

Imaginem também (e esta nem foi comigo mas com a alemã) que de repente, no trânsito, estacam ao vosso lado, abrem o vidro e apitam... Até aqui, tudo normal... Mas abrem o vidro, vocês olham com ar de poucos amigos e o tipo que está dentro do carro, aponta para o auto-rádio, aumenta o volume e diz: "Estes gajos! Estes gajos! Os gajos não nos querem dar o dinheiro da bazuca!". Bazooooooooka... Só me consigo lembrar da música e pensar numa noitada valente num qualquer espaço nocturno a afastar os males. Eu sei que foi na margem sul, mas mesmo assim... E sim, burgueses do "fique em casa", estou desejoso de ir para a noite apreciar a vida... Eu sei que é mais fácil ficar no WhatsApp ou na Netflix a comer pipocas, mas permitam-me, pode ser?

 

Também qualquer um pode ficar doido, quando toda a gente que mete conversa convosco a propósito de terem um pastor-alemão, perguntar sempre se tem displasia da anca. Não! Não tem e é o mesmo que eu perguntar a toda a gente com quem falo algo do género: você é estúpido?

 

Se mesmo assim ainda não tiverem entrado numa loja de indivíduos do Bangladesh e feito cinco reféns enquanto exigem que vos deportem para o Gabão, não falem com aqueles cavalheiros que dizem ter comprado um carro, terem dado grandes passeios nesse mesmo carro e com os amigos e nunca perceberem porque é que tiveram de "tchimbar" uns milhares no início do ano à Autoridade Tributária e no mês quatro dizem que andam apoquentados por espíritos porque veio outra carta para pagar ainda maior - não percebem porquê... Eu percebo... Faz-me lembrar um indivíduo que em tempos odiou a GNR porque lhe apreenderam a carrinha e a situação ainda não está resolvida. Eu acho que é culpa do Cabo Vilaça que adora entalar malta que tem carrinhas dentro da legalidade... "Oh caraças, vão-me fechar a loja, só porque não tenho licença de utilização".

 

E finalmente, afinal bela poesia não faltaria para continuar a declamar, porque é que uma grande parte dos restaurantes se queixou de não ter direito a apoios a propósito da pandemia, mas não ficou contente pelo facto de ter apresentado mais lucros nos primeiros três meses de 2020 (em plena pandemia e confinamento) do que em toda a história dos respectivos estabelecimento? É de ficar maluco... Aliás, de ficar maluco é vocês terem indivíduos que querem fazer coisas em Portugal (inclusive investir) e os potenciais parceiros que dizem estar a morrer à fome nem quererem saber ou até espantar a potencial clientela... Bazoooooooka! É motivo para um holandês de nome Jeroen Dijsselbloem dizer "e o burro sou eu?". Todavia, uma coisa é certa... Copos e mulheres, é cada vez menos uma área onde o povo português gasta dinheiro. Antes fosse... E ai daquele que o faça que é logo acusado de tudo e mais alguma coisa, que isto de ser hetero, saber escrever e apreciar um certo e sencillo "buen vivir" começa a ser um problema. 

 

Melhor que isto, só exaltarem um certo professor (comentador? Vendedor de livros?) que chegou a Presidente da República. Parece que agora quer transformar ditadores em paladinos da liberdade... Uma espécie de indivíduos que descobriram, numa noite mal dormida, a liberdade. Uns querem apagar a História e até o Padrão dos Descobrimentos querem implodir, já outros querem distorcer essa mesma história... Qual das duas facções a pior... Até porque, quem viveu mesmo o 25 de Abril, sabe que a liberdade do povo não foi propriamente o mote para alguns quartéis se abrirem à meia-noite... E também todos sabemos quem é que pediu para que se enchesse de bastonada no lombo os indivíduos que protestavam contra a guerra colonial, e no fundo, contra a ditadura... Isto de filtrar a história, não é só coisa da União Soviética e da malta do Bloco e do PCP - por estes, também ontem ninguém se tinha lembrado de uma certa explosão nuclear...

 

Boa semana...  

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  • Para quem quiser ler: como não poderia deixar de ser, do psiquiatra e professor José Luís Pio Abreu, o já clássico e obrigatório "Como Tornar-se Doente Mental". Do melhor, e de forma leve, que já se escreveu no âmbito da saúde mental... Vai fazer muita gente encostar alguns livros para canto e sobretudo começar a olhar para quem sabe e menos para quem diz saber. E Pio Abreu vai às aulas, já outros são meninos para passar um semestre na televisão e na rádio enquanto os alunos desesperam. Apesar de, no final do semestre a nota à cadeira ser bem apetecível.
  • Para quem quiser ouvir: ninguém é perfeito e eu também estou longe desse feito. Em 1978 estreava um sonoro que ainda hoje faz a malta abanar o rabo... Em 1978 ainda nem a minha mãe conhecia o meu pai... Mas caramba, quem é que não tem saudades de vestir uma camisa de linho, colocar um Tommy Bahama ou um Fedora e dançar? Copacabana, de Barry Manilow... Ou então, num chill mais relax, a "Fever" dos belgas Balthazar também faz das suas...
  • Para quem quiser comer e beber: em tempos, por Melgaço, procurei a "famosa" Adega Sabino... Tão famosa que se dá ao luxo de recusar clientes com sala vazia e mostrar uma falta de simpatia muito pouco comum naquela zona... Abençoado o dia em que isso aconteceu... Descobrimos o "Cantinho do Adro" e um bacalhau com pimento e batatas às rodelinhas de comer e chorar por mais - sem esquecer a tal simpatia. Se na esplanada, durante um dia quente, lhe juntarem um Quintas de Melgaço, não mais esquecerão esse dia. Além disso, este verde é um puto de um Alvarinho e podem trazer umas caixas pois as caves são bem perto.
  • Para quem quiser assistir: estou curioso com esta peça no Teatro Meridional... A "Teoria da Relatividade"de Rui Xerez de Sousa. Não sei, mas a partir de 5 de Maio é muito provável que lá dê um salto.
  • Para quem quiser ver: Outra curiosidade que conto desvendar... De Thomas Vinterberg e com o brilhante Mads Mikkelsen, "Druk" ou "Mais uma Rodada". Brilhou em Cannes, nomeado para óscares e com a agravante de ter sido filmado num momento em que o realizador perdeu a filha. Vale a pena ir ver por tudo isto e sobretudo pela história. Melhor só ter ganho um óscar e toda a gente desatar a dizer que a supremacia branca caucasiana premiou mais um dos seus.
26.04.21

Quem Precisa De Adversários?


Filipe Vaz Correia

 

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Escrevo este texto, propositadamente, antes do Braga vs Sporting...

É absolutamente indiferente para este adepto leonino o resultado desse jogo para expressar aquilo que tanto me apetece escrever.

Durante esta semana uma trupe de imbecis, vulgo adeptos do Sporting, invadiram as redes sociais de Paulinho e de João  Mário  com um chorrilho de ofensas e ameaças, alegando a falta de golos num caso e o desperdício de um penálti no outro...

O que dizer?

Este tipo de adeptos são infelizmente a realidade leonina, marcaram e marcarão a história recente deste grande clube que amo.

Quem precisa de adversários com adeptos destes?

Pois...

O pior que existe dentro da realidade Sporting são os seus adeptos, este ciclo viocioso de um certo espírito popularucho, populista, que se tornou a triste desesperança nossa.

Estamos em primeiro lugar, com quatro pontos(depois do jogo poderão ser os mesmos quatro, um ou sete) de vantagem sobre o segundo classificado, sem derrotas no campeonato, num clube que não é campeão  há 19 anos e gritam os marginais que a crise é profunda.

Triste gente...

Quando alguns dizem que é uma pena não podermos ter adeptos nos estádios, sorrio, levemente desconfiando qual seria o cenário em Alvalade:

1º o treinador lampião já teria sido despedido.

2º os chulos como o Paulinho, o João Mário, entre outros há muito que já teriam merecido uma ou outra cuspidela, por entre, os gritos de "O Sporting é nosso" ou "O Sporting somos nós".

3º Varandas ou Viana, sempre eles, esses demónios que estão por lá apenas pelas malfeitorias que fizeram contra o alucinado mor do reino, seriam a perfeita explicação para todos os insucessos.

4º As claques apoiadas pela sua trupe de marginais, pelos velhos do Restelo ou simplesmente pelos ressabiados de lugar cativo, a fauna em Alvalade é diversificada, já teriam tomado conta do estádio para fazer cair estes incompetentes, organizado uma invasão a Alcochete (2) e levado o clube a novas eleições.

Depois desta semana, fiquei absolutamente com a certeza de que se tivéssemos adeptos no estádio esta equipa jamais teria conseguido chegar até aqui, a este patamar de a cinco jogos do fim estar em primeiro, idependentemente do que acontecer em Braga.

Uma equipa carregada de miúdos, de portugueses, levando bem alto o Jersey Verde e Branco.

Tenho orgulho em vocês meninos, orgulho no trabalho magnifico deste treinador, para mim o melhor do mundo, trabalho esse que é o responsável por podermos sonhar.

Orgulho no Presidente e em Hugo Viana que conseguiram montar um dos projectos mais impressionantes da História do SCP, com uma verdadeira aposta na formação, aliando isso a um investimento em jogadores de qualidade, feitos de excelência como por exemplo...

Paulinho e João Mário.

Por tudo isso, espero que mesmo que levantem o confinamento, estado de emergência e afins, mesmo que voltem os adeptos aos estádios, quem dirige os destinos do clube possa ponderar se deveremos nós contar com os nossos mais fervorosos adversários dentro do Estádio de Alvalade...

Claro que estou a falar dos "donos do clube", os denominados adeptos e sócios  leoninos.

Da minha parte apenas me resta sonhar com os golos do meu Sporting em Braga...

Aposto em 0-2 com golos de Paulinho e João Mário.

Isso é que seria.

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

 

 

 

 

25.04.21

Málaga: O Início das Hostilidades


Robinson Kanes

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Imagens: Robinson Kanes

 

A Guerra continuava... enquanto os cristãos não cessavam de aumentar o seu território com as conquistas de Moclín, Ilora, Cambil, Albahar e a forte Veléz-Málaga - onde o Zagal, por pouco, não surpreendeu o Rei Fernando - e outras tantas praças, os mouros debatiam-se internamente pela luta de poder entre o Zagal e Boabdil. Boabdil era o filho de Muley Hacén e que, tinha sobre si, a sina de vir a ser o último rei de Granada. Aliás, foi em Almeria, que o Zagal, quase surpreendeu este último, ainda fiel à coroa de castela.

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Porém, um dos episódios mais marcantes da Reconquista deu-se em Málaga. Depois do desastre das montanhas, esta estratégica e riquíssima cidade tornou-se o alvo do assédio cristão. Málaga era um cidade fortemente comercial e quem tinha como alcaíde? Hamet el Zegrí, que contava com a sua tropa de elite, os Gomerez (Gomaras em português). Lembram-se de Ronda?

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Hamet el Zegri governava a cidade desde o Castelo de Gibralfaro, o pouco que ainda resta na cidade como testemunho desses tempos. Foi daí que viria a perceber que o Zagal não iria sair de Granada com receio de perder o trono e, foi daí também, que resistiu aos vários assédios dos emissários dos reis católicos para que entregasse a cidade. Neste episódio, o Marquês de Cádiz foi o grande impulsionador das negociações por parte de Castela.

 

Na verdade, el Zegri era um lutador fiel à sua cultura e religião e não cedeu um único passo, ou não fosse Málaga uma das cidades mais bem apetrechadas militarmente. El Zegri era verdadeiramente leal ao seu reino, como poucos, sobretudo em épocas de disputa de poder.

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Perante as recusas do alcaíde mouro, Fernando II saiu de Antequera e percorreu os vales e montanhas que o separavam de Málaga. Além da forte artilharia pesada, o rei católico contava agora com apoio por mar - vários navios que iriam garantir o abastecimento e cercar a cidade, além de, inibirem qualquer apoio muçulmano vindo do Norte de África. Por terra, o acesso a Málaga também não se avizinhava fácil e, atravessar todos aqueles vales e montanhas de Antequera até Málaga foi um dos maiores desafios do exército real.

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A primeira escaramuça viria a ter lugar quando, el Zegri, ao vislumbrar a proximidade do inimigo, fez sair três batalhões que destruíram tudo o que encontraram ao redor da cidade e se envolveram em combate directo com as forças de Castela... as mesmas que viriam a conquistar posições estratégicas no cume das montanhas. Notabilizaram-se os reforços galegos nesta conquista inicial, pois enfrentaram os mouros - com o apoio de Don Hurtado de Mendonza e Garcilazo de la Vega - num terreno extremamente declivoso e difícil. As baixas foram muitas, mas a proeza e coragem do porta estandarte católico, Luis Macedo, foi determinante para a vitória, na medida em que, atravessou sozinho as linhas do inimigo e colocou as armas de castela no topo da montanha.

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Málaga era uma cidade airosa, limpa e bela. O relato dos jardins, das suas elegantes palmeiras e até das suas gentes ainda hoje é actual. De facto, os testemunhos são poucos, mas os caminhos até Málaga, sobretudo desde Comares ou Antequera, ainda fazem a delícia dos apaixonados por Andaluzia qu,e procuram chegar à cidade e respirar o ar marítimo numa qualquer sombra com vista privilegiada para o Mediterrâneo.

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Málaga é, ainda hoje, uma das cidades mais airosas e mais luminosas de Espanha, uma cidade que ainda transmite os cheiros que chegam do Norte de África, mesmo ali à frente. A cultura, tão amada por mouros e católicos é hoje uma das mais-valias da cidade, com um sem número de museus interessantíssimos, ou não contasse com delegações do Hermitage, do Pompidou e do Carmen Thyssen. Mas, a conquista de Málaga, que viria mais tarde a assistir ao nascimento de Picasso, seria dura e sangrenta. Lá voltaremos, pois temos de estar bem protegidos na nossa armadura para podermos ter uma vista privilegiada do Gibralfaro e das duras batalhas que aí se disputaram.

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Continua no próximo Domingo... Ainda por terras "malagueñas"...

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Episódios Anteriores:

Aben Hácen e Zahara

el Zegri e Ronda

Salobreña e a Morte de Aben Hacén

Córdoba... O Quartel General Cristão

 

24.04.21

Caldeirada Com Todos... “Imsilva”


sardinhaSemlata

 

 

 

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Agradeço o convite que recebi da parte do "Caldeirada com todos" para escrever este Sábado. Espero estar à altura e ao nível do que por aqui se tem escrito.
Não saindo do tema, "Caldeirada com todos", e sendo eu de uma vila com fama de boa caldeirada, apesar de poucos restaurantes a fazerem e só por encomenda, posso acrescentar que não há casa (de nativos) que não a faça, e cada uma melhor que a outra.
Dito isto, vou debruçar-me sobre...
A fome de viver.
Todos nós tínhamos como dado adquirido, a nossa liberdade, a hipótese de ir e vir quando muito bem entendêssemos, de comer fora se assim quiséssemos, e de repente isso acabou...
Inacreditavelmente a liberdade de movimentos fora de casa acabou!
Nunca na vida, por muito que esforçássemos a imaginação, conseguiríamos adivinhar o que aí vinha.
Chegou o 1º confinamento, e quando se desconfinou, o mundo estava com fome de viver. 
Chegou o 2º confinamento, e agora com este desconfinar devagarinho, a fome surgiu ainda com mais força.
Estou no ramo da restauração e por isso falo por experiência própria.
Parece que se deu o tiro de partida e estava já tudo a postos com o casaquinho vestido e mala na mão.
Se só se pode comer na esplanada...não faz mal, nós queremos
Se faz frio e há corrente de ar...não faz mal, nós queremos
Se podemos ficar doentes, não com COVID mas com uma valente pneumonia...não faz mal , nós queremos
E é a isto que eu chamo fome de viver, o não poder esperar por um tempinho melhor, não poder esperar por comer mais comodamente numa sala fechada, e não ter um pouco mais de bom senso, por exemplo.
Talvez algum dos que foram a correr comer ao frio me esteja a ler neste momento (ups), mas cada um sabe de si, e eu tive clientes que me disseram que estavam a ficar malucos com saudades.
Enfim, já se pode comer no interior, e a esperança é que nos deixem continuar sem recuos, e de preferência sem mais confinamentos. Voltar ao normal, precisa-se!
Boa caldeirada!
Isabel.

 

 

Imsilva

 

 

 

 

 

 

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