Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

sardinhaSemlata

Um espaço de pensamento livre.

sardinhaSemlata

Um espaço de pensamento livre.

12.07.21

Luís Filipe Vieira: A Corrupção E Os Ratos…


Filipe Vaz Correia

 

2AC3165B-E579-4DA5-A601-4B8057E954FA.jpeg

 

 

Luís Filipe Vieira foi preso depois de algumas semanas passadas da sua vergonhosa prestação na comissão de inquérito na Assembleia da República.

O País parou...

O circo quase Hollywoodesco, as informações a circularem entre canais de televisão, o cenário circense montado.

O frango frito que jantou, o feijão frade com atum que almoçou, as medidas de coação anunciadas às 15 horas, sendo que apenas foram tomadas pelas 19 horas...

Tudo montado para a exponenciação maior desta tragédia, como filme de ficção.

Quem aqui me lê sabe bem o que penso e escrevo sobre Vieira, desde o tempo dos pneus ou da farinha...

Mas o que me encanita é a deslealdade de alguns que se prestam a se esconder por entre a entrelinhas da novela.

Ver André Ventura nas primeiras horas da CMTV a tentar se desmarcar do seu criador, aquele que lhe serviu de abrigo durante mais de uma  década em canais de televisão como a BTV ou na CMTV, é apenas sofrível, no entanto, é absolutamente revelador do seu carácter.

E retratos com criminosos?

Quantos querem de Ventura com Vieira?

Claro que Vieira não vive no bairro da Jamaica...

E a Manuela Moura Guedes, já se expressou sobre este regime mafioso do qual o seu marido é peça principal?

Não será  José  Eduardo Moniz, o Pedro Silva Pereira de Luís Filipe Vieira?

Ai, a coerência...

Independentemente destas questões não posso deixar de repudiar todo o cenário conivente entre o poder judicial/poder jornalístico, que leva a um julgamento em praça pública de alguém que estando pronunciado, não estará condenado.

Para julgamentos em praça pública, Tânia Laranjo ou Felícia Cabrita, não precisaríamos de tribunais, somente nos bastaria a Inquisição...

Mas o que importa discutir este dia a dia mediático?

Muito...

Perguntem ao Dr. Miguel Macedo, por exemplo, e ele poderá explicar.

Sobre Luís Filipe Vieira nada me custa acreditar na sua culpa, no entanto, prefiro que aqueles que sempre estiveram a seu lado, tenham o decoro de permanecerem calados e aqueles que estão do lado da justiça a façam com o recato que deveria estar inerente a essa posição.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

 

 

 

 

09.07.21

Lealdade


JB

 Sempre valorizei a lealdade.

 Quando era mais novo estava fascinado por cães, hoje percebo que são sinónimo de lealdade talvez fosse por isso... Vi o filme "Benji" e adorei, o "Amigos e Detectives" com o Tom Hanks e achei que era o melhor filme de sempre. O laço inabalável que um cão e o seu dono podiam criar fascinava-me: também queria algo assim. Fui crescendo e à medida que o tempo ia passando a palavra lealdade foi ganhando mais importância. Há qualquer coisa de transcendente e admirável no facto de pôr os interesses de outra pessoa à frente dos nossos. Quando via nos filmes um cão a saltar à frente de um tiro para salvar o dono, emocionava-me. Mais crescido, se à noite algum amigo apanhava um murro que era para mim, esse gesto fica para sempre. Já adulto e com o passar do tempo é claro para mim que a lealdade é um excelente filtro. Os que estão sempre ao nosso lado por nossa causa, são os que ficam. Aqueles que aparecem e desaparecem conforme as nossas circunstâncias são menos memoráveis.
Que o diga o Sócrates, quando o seu grande amigo e durante muito tempo número 2 António Costa, o foi visitar finalmente depois de estar detido há muito tempo e declarou aos jornalistas: "Estava bem disposto e completamente convencido da sua verdade". É caso para dizer: com amigos destes...

Que o diga Vieira, quando ouvir o André Ventura, o seu (ex) cãozinho mais leal a elogiar o juiz Carlos Alexandre e dizer que se estivesse no seu lugar se demitia. 

Enfim, a minha reflexão de hoje é a seguinte;

Se valorizamos tanto a lealdade em tantos aspectos, não devíamos denunciar aqueles que durante anos e apenas por força das circunstâncias estão próximos de alguém? 

Se é verdade que me diverti muito a ouvir aquelas declarações do Costa depois da visita ao Sócrates e que me diverti à grande a ver o Ventura a contorcer novamente aquela gosma onde normalmente existe uma espinha; também é verdade que me inquieta observar que nem toda a gente vê as coisas assim. Senão não era possível o Vieira ainda ser presidente, o Costa ter sido eleito ou o Ventura ter tempo de antena.  Sem honra, sem lealdade e acima de tudo, sem vergonha, assim vai o nosso Portugal.

 

 

JB

 

07.07.21

Árbakkinn


Sónia Pereira

Olafur Arnalds - Árbakkinn ft. Einar Georg  (2016)

 

No carro, ouço Einar ler o poema, com a música em pano de fundo a evoluir até ao ponto de o calar, o deixar absorto, mudo pelas palavras ditas, talvez esmagado pela pujança melancólica das cordas em vibração.

Por causa das obras, a viagem para o trabalho torna-se num calvário diário. Trânsito alternado, semáforos improvisados, máquinas em movimento, poeira e pedras. Ponho o rádio mais alto para o ouvir numa dessas paragens forçadas. Não percebo uma única palavra do que diz. Sei apenas de que fala de um rio, talvez de um rio como aquele que corre aos pés de minha casa, um rio que pontua a minha paisagem como uma serpente que me recorda diariamente a minha ruralidade, que me recorda as minhas raízes. Raízes desajeitadas, raízes aéreas, que rejeitam o solo.

O semáforo fica verde. O islandês nunca esteve nos meus planos de aprendizagem de uma língua estrangeira. Mas mesmo sem perceber o que diz Einar, entendo-o completamente, perfeitamente - a necessidade de contemplação, de observação, sem qualquer julgamento envolvido. Observar, sentir, sem necessariamente compreender a totalidade, o todo daquilo que se sente. Parar, contemplar - recursos humanos aparentemente primitivos e em desuso.

Ao olhar a enorme escavadora romper o solo, rasgar o alcatrão num movimento tosco mas fácil, deixo-me levar pelo silêncio de Einar embalado pelos violinos e as cordas de um piano dedilhado por Olafur. No crescendo musical, sinto o crescendo revelado do meu cansaço. E na fúria da paragem forçada, dos atrasos diários, por vezes nasce a vontade inusitada de não arrancar e ficar apenas ali parada a ver as máquinas.

Na pujança do meu cansaço, um cansaço que neste momento é quase histérico, sinto apenas um enorme vazio. Todavia, este vazio gira numa força centrífuga que joga fora tudo o que não lhe convém. É um vazio que procura a contemplação e rejeita a informação. E tal não é a quantidade de informação que existe neste mundo, quantidade tal que nos esmaga na nossa pequenez de nunca a conseguir vir a absorver por completo.

Este texto é uma despedida ou um até já. A minha vida, neste momento, deixa pouco espaço para fazer um trabalho honesto e bem feito, nisto que é um passatempo, a escrita. A minha vida fez encolher a disponibilidade física e também mental (essencial) para a busca informativa e a disponibilidade de interação.

Neste momento, rendo-me à necessidade de contemplar os pequenos nadas que me rodeiam, ao sabor de uma música que não entendo, durante as pausas forçadas nas obras infernais desta vida.

 

05.07.21

Da Janela De Minha Casa…


Filipe Vaz Correia

 

 

 

6FDFB384-6FED-47AD-A9F3-927B5C16F813.jpeg

 

 

Sentei-me diante das enormes janelas que tem a minha sala de estar, olhando para o lado de fora que se "esconde" na realidade do dia a dia.

Um semi-quadrado de janelas, de prédios, de gente...

Roupa estendida, vento, árvores e plantas, jarrões e limoeiros, vidas que passam ali ao lado, num espaço tão curto e ao mesmo tempo tão distante, tão ausente e tão presente, tão carregado de tudos e de nadas.

Numas janelas moram caras conhecidas, outras ainda mais conhecidas, tantas desconhecidas, rostos que se cruzam mas que não se olham, que se olham mas não se entrelaçam, que se...

Toalhas de praia ou de banho estendidas, almofadas a arejar, calças, meias e afins, servindo de prova a vidas comuns, a vida da gente no soletrar de cada letra.

Em frente, as janelas descerradas marcam a ausência de um querido Sportinguista que me habituei a cumprimentar no café, no supermercado, na papelaria, na pastelaria Londres.

Há meses que o deixei de ver, a ele e à sua mulher...

Naquela casa nem sinal de vida, há bastante tempo, o que me faz pensar, enquanto escrevo estas linhas, na fragilidade desta essência que nos compõe, nessa partilha que sendo efémera nos parece tão segura, mesmo sendo, absolutamente, tão frágil.

Na bancada junto à janela da minha sala de estar, um conjunto de retratos, meus e da minha mulher, de sobrinhos, de amigos e da família que partiu...

Retratos dos nossos que um dia por aqui andaram, com os seus receios e medos, momentos e questões em tempos diferentes mas caminhando sobre as mesmas eternas interrogações.

Livros e mais livros se abeiram de mim, aos meus pés, circundando o cadeirão de palhinha onde me encontro sentado a vos escrever estas linhas.

Bem...

Já vai longo este pedaço de conversa, por isso me despeço nesta SardinhaSemlata de Segunda-feira, tentando perceber o que os meus caros amigos possam ver da janela de vossas casas, nesse espaço que vos rodeia, nos olhares daqueles com quem se cruzam.

 

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

 

 

02.07.21

A pandemia invisível


JB

 Imagino o que estão a pensar: "que a pandemia é invisível todos sabem; grande novidade". Pois é, mas eu desconfio que existe outra, ainda mais invisível que esta do Covid. Esta pandemia de que falo, não há microscópio que a detecte e também pode matar.

Esta tem atacado sobretudo os jovens, entre os 9 aos 19 anos de uma forma geral. Sabemos muito pouco dela, mas aparenta ser contagiosa.

Dos sintomas relatados já sabemos mais: tristeza, infelicidade, apatia, depressão e nalguns casos mais graves, tentativas de suicídio. 
Não tenho nenhuma estatística que confirme esta minha teoria, mas por causa de muitas conversas com profissionais da área psi (psicólogos, psicanalistas e psiquiatras), amigos e conhecidos, temo que em breve não faltarão factos para sustentar esta trágica hipótese.

Não existe vacina conhecida e muito menos se sabe a origem do vírus. 

É impossível para mim, para a maioria de nós perceber o que esses jovens e crianças estão a passar. Uns dirão que são mimados e que precisam de levar umas palmadas, outros dirão que devem ser protegidos ao máximo e a sociedade é que não usa a linguagem adequada para não os ferir.

Eu discordo de ambos.

Obviamente não é à palmada que se resolvem problemas com crianças; igualmente óbvio é que não se deve andar a tentar censurar meio mundo para todos sermos "inclusivos" e assim proteger as "frágeis" mentes dos jovens. A resposta há de estar algures no meio destas duas posições. 
Não sei qual será.

Falo neste tema porque me preocupa por um lado, mas me dá alguma esperança por outro. 
Vai ser difícil explicar isto, mas vou tentar:

 Sou daquelas pessoas que acha que isto de estar vivo é absurdo, não faz sentido nenhum. No entanto cá estamos todos (por enquanto). Já cá estiveram muitos antes, estarão cá mais depois. O universo existe há 13.8 mil milhões de anos, o nosso planeta existe há 4.8 mil milhões de anos e nós estamos cá durante um instante e sem perceber patavina de coisa nenhuma: absurdo.

Claro que existem muitas explicações para dar sentido à nossa existência, cada um escolhe a que quer e é precisamente neste ponto que entra a minha esperança: naquilo que acontece a cada pessoa que procura respostas.

 Todo o ser humano digno desse nome já questionou o sentido da vida, teve as suas próprias dúvidas existenciais. A maioria de nós sabe o que isso é, sabe a angústia que isso provoca. No fim ficamos sem respostas e possivelmente com mais dúvidas ainda. Somos apenas humanos, no entanto somos curiosos, ambiciosos e destemidos. Os nossos jovens também são assim e têm mais informação que nunca. Uma criança de 9 anos provavelmente não sabe sequer o que é uma dúvida existencial, mas   sabe o que é sofrer em silêncio apenas com os seus pensamentos, isso é algo profundamente humano e profundamente triste.
A minha esperança é que todos os que agora estão a sofrer tanto, com coisas que nem imagino, saiam pessoas mais interessantes, mais empáticas, mais humanas. Gosto de imaginar que estes jovens de que falo estão apenas a crescer mais depressa. Com todos os males e perigos que isso representa mas talvez quem sabe, este processo lhes traga alguns benefícios, sempre com o maior apoio possível de família e profissionais competentes, claro.  

O futuro dirá, chega num instante.

 

 

JB

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Pág. 2/2