Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

sardinhaSemlata

Um espaço de pensamento livre.

sardinhaSemlata

Um espaço de pensamento livre.

16.08.21

Talibãs: O Regresso Do terror


Filipe Vaz Correia

 

 

 

F0CA7302-73F1-4BF6-B71D-6A331ADFB1A5.jpeg

 

 

Os Talibãs entraram em Cabul e tomaram o Palácio Presidencial.

Este facto é a absoluta derrota da política de duas administrações Americanas, Trump/Biden, e a sua noção geopolítica mundial.

Que noção terão os Americanos e os seus aliados Europeus de reconstrução de um País?

Que bases foram construídas, durante quase duas décadas, pela ocupação Americana no Afeganistão?

E as imagens dos diplomatas Americanos a fugirem de helicóptero?

E a fuga do Presidente Afegão?

Esse Presidente eleito segundo as bases de uma suposta Democracia segundo os padrões Europeus...

Os que por ali ficam, abandonados por todos, sofrerão às mãos da barbárie, destes radicais Islâmicos sedentos de sangue e poder.

Como se pode ter vendido uma ideia, acenado com uma esperança de futuro e depois deixar entregue à sua sorte aqueles que ousaram sonhar?

Tantas questões...

Temo pelas mulheres e meninas, temo por aqueles que colaboraram com o Ocidente, temo pelo futuro.

Olhando para a Cabul de hoje, sinto que poderíamos retroceder vinte anos no tempo, regressar aos tempos antes do 11 de Setembro, com leis ancestrais tão retrogradas como a ignorância Humana.

Um dia de derrota...

Para aqueles que acreditam num mundo melhor.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

14.08.21

Um "não" bem dito é fundamental


Rita PN

É fulcral saber quem se é, ter certezas a respeito das próprias convicções, valores, princípios e crenças. É preciso saber delimitar o próprio espaço, a própria liberdade sem interferir com a liberdade do outro, respeitar e respeitar-se, assumir actos e identidade, preservar a paz interior e ter perfeita consciência do caminho que se quer e daquilo que não se quer, traçando o percurso nesse sentido.

Muitas são as vezes em que o ser humano se perde por não saber dizer "não" no momento devido, sendo apanhado em situações que não deseja e se arrastam, sem que seja criada uma porta de saída. Por medo da reação do outro, por forma de compensação do outro, por receio de magoar o outro, por falta de auto-estima, de certeza, de convicção. Ou seja, evitar um "não" significa , também, em determinadas circunstâncias, agir em função do outro e não do próprio.
O ser humano cede por facilitismo, dá e recebe em dose excessiva na ilusão de um preenchimento de vazios e/ou falhas pessoais, permite-se ficar onde não quer (ou deseja) estar, por incapacidade de ser honesto para consigo e de praticar a honestidade para com os demais, por conformismo ou habituação. Age contra-vontade por não ser conciso a respeito da direcção do caminho. Aceita situações e condições por falta de imposição pessoal. Permite-se e vai-se permitindo até ao limite do desconforto, do vazio extremo, da infelicidade e do sofrimento.

Por outro lado, a arte de saber ouvir e aceitar os "nãos" da vida é aquilo impulsiona, este mesmo ser humano, em novas direcções, lhe permite ser melhor e fazer melhor, procurar novos horizontes, interesses, pessoas, evoluir, crescer, reinventar-se e encontrar-se.

Saber olhar para as derrotas, retirar a lição devida, agradecer a aprendizagem e saber utilizá-la será, sempre, meio caminho para atingir uma transformação interior positiva. Porque, em determinados momentos, aquilo de que se necessita é exatamente de que o "não" aconteça.
Ser sábio é saber aceitar o que não pode ser alterado, saber esperar o tempo certo de e para cada situação, saber usar a disciplina como veículo de melhoria em tudo o quanto tem margem para ser melhorado, retirar das lições os ensinamentos mais certos e aplicá-los construtivamente no futuro. É prestar atenção aos detalhes, ser respeitador e ter consciência de que um "não" ouvido ou dito no momento exacto, poderá ser a chave que futuramente abrirá a porta que realmente se quer. Lá dentro, paz de espírito, felicidade, realização e bem-estar.

NO-750x400-1.png

 

13.08.21

O bom gigante


JB

 Desde pequeno que me lembro de ouvir falar de um tal de 'bom gigante'. Mais do que um personagem específico, esta expressão caracteriza um certo tipo de pessoas. Imagino alguém grande, forte e com uma personalidade afável. Desde há uns anos para cá que essa expressão me remete para uma pessoa específica.

 Conheci-o há 36 anos atrás. Poucos dias depois de nascer já tinha passado por mais sofrimento e dificuldades do que muitos têm que passar numa vida inteira. Sem qualquer culpa nem responsabilidade este bom gigante resistiu e perserverou perante todas as complicações. Complicações que lhe deixaram marcas no corpo, mas não lhe tocaram no espírito.

 Nunca o ouvi queixar-se de absolutamente nada, relativamente à sua má sorte. Antes pelo contrário. É quase sempre alegre, justo e genuínamente bom. Tem uma fé inabalável em Deus, que tenta praticar com graus variados de sucesso. Está longe de ser perfeito, já o vi a ter comportamentos desanconselháveis: -insultou familiares de árbitros que marcam faltas contra o Sporting, gosta demasiado de sangria, é forreta com as contas, entre outros de gravidade semelhante. 
 Hoje com 36 anos este bom gigante, o Duca como é mais conhecido, é um matulão. Gosta de comer bem, de brincar com os sobrinhos, de festejar os golos do seu amor, e de nos brindar com palavras simples e carregadas de sabedoria. 
  Há três dias lá estava ele, o nosso Duca, deitado nas areias da praia da foz com um sobrinho pequeno que se divertia a saltar para cima da sua barriga de joelhos.
 Adorei a imagem: um gigante na areia, com um pequeno liliputiano furiosamente a tentar derrotá-lo e ele a rir-se com cócegas na barriga.

  Ainda não vos disse mas este bom gigante é meu primo. A nossa avó materna sempre teve o hábito de reunir a nossa grande família para rezar. Durante a oração havia sempre uma altura em que cada um pedia uma intenção. As únicas que ainda hoje me lembro são as do Duca. Poucas palavras que nos diziam muito a todos; sempre eloquentes, simples e profundas. Carregadas de bondade e altruísmo genuíno. Não vou estar a enumerar nenhuma porque não tenho essa capacidade e não lhe faria justiça. Há coisas que ficam só para quem as presencia e repara nelas.

 Bem sei que toda a gente se acha especial, também sei que quase toda a gente está enganada. O Duca não, o Duca é uma daquelas pessoas que torna melhores todos os que o rodeiam. É um talento raro, que eu invejo e admiro.

 Parabéns meu querido, mereces tudo.

 

JB

 

09.08.21

Pedaços De Zeus


Filipe Vaz Correia

 

 

 

C63AC1DA-1EC3-42CE-9128-3475D2AFE259.jpeg

 

Oiço o barulho do mar, ao longe o farol da Berlenga, o bater das ondas na rocha, essa inquietante persistência de uma singela e singular beleza.

O céu, de noite, límpido e brilhante, pejado de estrelas, uma estrela cadente...

As luzes ao longe, muito ao longe de estradas e casas, a praia e a lagoa, os pescadores no areal.

O mês de Agosto servindo o verão como prato principal, dias esplendorosos nesta Foz do Arelho mágica, por entre, neblina e sol...

Escrevo na varanda sentindo o mar, ouvindo o mar, cheirando o mar, nesta minúscula partícula que sou, um pedaço de alma na tela do Universo.

Se procurar um sentido para tudo isto, talvez este pudesse ser descrito por palavras, uma aguarela numa qualquer tela do Olimpo, talvez esta Foz, este mar, esta sensação pudesse preencher os requisitos de Zeus...

De Deus.

Eu aqui me mantenho a contemplar esta leveza transcendental, esta beleza inigualável por entre a força do oceano, o brilho da lua e a silenciosa força deste ar carregado de sal.

Sem mais palavras...

Com amor;

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

06.08.21

Um ano a mais ou um ano a menos?


JB

  Já aqui escrevi uma vez que uma das particularidades da nossa espécie que aprecio muito é o nosso hábito de comemorarmos os aniversários. 
 Hoje faço mais um ano e os amigos e família celebram comigo.

 Nada mais natural do que vir aqui dar um abraço aos meus amigos desta família virtual que é a sardinha.

 Que todos tenhamos sempre motivos para celebrar.

 

JB