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sardinhaSemlata

Um espaço de pensamento livre.

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02.09.21

Saúde Mental


The Travellight World

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Quem nunca sofreu de depressão ou de ansiedade, pode facilmente presumir que isso “só acontece aos outros”, mas não se deixem enganar: a doença mental não discrimina. Tanto afeta o diretor sénior de uma empresa de sucesso como pode afetar o jovem estagiário que começou a trabalhar ontem.

A expressão “doença mental" tende a ser usada na sociedade de uma maneira generalista e quase sempre depreciativa. Qualquer pessoa que apresente um comportamento divergente das normas sociais aceites arrisca-se a ser rotulado como “doente mental”, “maluco” ou pior: “atrasado mental”.

Isto é apenas um detalhe, mas já repararam que não se fala dessa forma quando o que está em causa é a saúde física? Dificilmente alguém descreve uma pessoa que tem dores de costas, ou falta de visão como "doente físico”.

Quando se trata de saúde física, parece ser mais fácil perceber que o espectro é amplo: Algumas pessoas sofrem de artrite, outros têm diabetes, outros tem rinite alérgica… Não agrupamos todos e dizemos que eles são "doentes físicos”.

Nos últimos anos este assunto começou a ser mais falado e com a pandemia acredito que ganhou ainda mais relevância.

Muitas doenças que afetam o nosso lado físico podem ser prevenidas ou revertidas por um estilo de vida mais saudável. Às vezes não. Mas mesmo assim, fala-se insistentemente sobre a importância de manter uma alimentação saudável, de praticar exercício, de perder peso… tudo isto sem medo de ofender as pessoas. Mas, quando se trata de saúde mental parece haver o receio de que falar com alguém sobre prevenção ou cuidados a ter, pode dar a entender ao visado que ele é frágil, fraco ou incapaz de lidar com os desafios da vida.

Penso que isto nasce da ideia enraizada de que muitas doenças ditas mentais são resultado da fraqueza de alguém e, em última análise, resultam de algo que é culpa sua.

Então, pura e simplesmente não se fala. Esconde-se, evita-se o assunto... espera-se que a situação se resolva sozinha.

Criar hábitos mentais saudáveis (e livrar-se dos maus hábitos) não prevenirá todas as doenças do foro psicológico, mas poderá impedir que piorem ou pode ajudar a melhorar os seus efeitos. Falar sobre como cuidar melhor de si mesmo, aprender a enfrentar medos e ansiedades, procurar apoio médico e medicação quando a doença é mais grave, não deve ser tabu. Deve ser tão normal como ir ao dentista tratar de uma dor de dentes.

Falar abertamente sobre como se pode desenvolver força mental, pode ajudar muitas pessoas a melhorar o seu bem-estar psicológico e até pode salvar vidas.

Cabe por isso a todos nós tentar eliminar o estigma da doença mental… uma conversa de cada vez.

Se conhecem alguém que está a passar por dificuldades psicológicas falem com ela sobre os recursos disponíveis. As pessoas às vezes estão “tão em baixo” que nem sabem onde pedir ajuda. Existem linhas diretas e grupos de suporte gratuitos que estão disponíveis para todos.

Se um amigo vosso achar que precisa de terapia ou medicação, normalizem o assunto, mostrem que consultar um psicólogo ou um psiquiatra não é “um bicho de sete cabeças”. Partilhem as vossas próprias dificuldades. Falem abertamente com essa pessoa sobre períodos da vida em que se sentiram mais deprimidos ou ansiosos. Deixem claro que acreditam que isso pode acontecer a qualquer pessoa e que é importante procurar ajuda.

Os problemas de saúde mental afetam todos os aspetos da nossa vida: a relação com a família, o trabalho, a auto-estima… Por isso em vez de, presumirem que são mentalmente saudáveis ou que, pelo contrário, sofrem de um transtorno psicológico, reconheçam que todos nós temos altos e baixos na vida e tentem arranjar estratégias que vos ajudem. Pratiquem exercícios que ajudem a lidar com emoções desconfortáveis ​​e pensamentos negativos. Compartilhem as vossas estratégias com pessoas em quem confiam e perguntem como elas lidam com questões de dúvida, sentimentos de culpa ou ansiedade. 
Se mesmo assim sentirem que nada ajuda, procurem um apoio mais concreto e profissional.

Com sorte um dia todos serão capazes de falar sobre depressão, ansiedade e todas os outros transtornos e doenças mentais da mesma forma que alguém menciona ter artrite. Mas para isso acontecer é essencial que as pessoas se sintam seguras e possam estender a mão para pedir ajuda sem terem medo de ser julgadas ou rotuladas pela sociedade.


SOS VOZ AMIGA
Horário: Diariamente das 15:30 às 00:30
Contacto Telefónico: 213 544 545 | 912 802 669 | 963 524 660


CONVERSA AMIGA
Horário: 15:00 – 22:00
Contacto Telefónico: 808 237 327 | 210 027 159

VOZES AMIGAS DE ESPERANÇA DE PORTUGAL
Horário: 16:00 – 22:00
Contacto Telefónico: 222 030 707

TELEFONE DA AMIZADE  
Horário: 16:00 – 23:00
Contacto Telefónico: 222 080 707

VOZ DE APOIO
Horário: 21:00 – 24:00
Contacto Telefónico: 225 506 070
Email: sos@vozdeapoio.pt


LINHA SNS 24 – 808 24 24 24
(Depois deve selecionar a opção 4 - aconselhamento psicológico)

 

01.09.21

Quem Me leva Os Meus Fantasmas?


Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

 

Encontrei, por acaso, este vídeo de um espetáculo de Maria Bethânia cantando um poema de Pedro Abrunhosa...

"Quem me leva os meus fantasmas"

A beleza da escrita de Abrunhosa, de uma qualidade quase inexplicável, entrelaçada com a voz e interpretação de Bethânia transporta-nos para uma realidade paralela onde apenas a sublime paixão artística serve de medida.

Inigualável.

Nunca é demais repetir e agradecer àqueles que nos brindam com a sua genialidade...

Obrigado Maria, obrigado Pedro.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

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