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sardinhaSemlata

Um espaço de pensamento livre.

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21.02.22

Batam Na Vossa Mulher… Mas Batam Gentilmente!


Filipe Vaz Correia

 

 

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Nos últimos dias fui surpreendido por uma notícia que me haveria de transportar para a distante região da Malásia.

Em concreto para a Vice- Ministra da pasta das Mulheres e Família, nome aterrador que nos deixa logo de sobreaviso quanto ao facto de estas duas realidades não poderem ser separadas...

As Mulheres e a Família!

Enfim...

A Senhora em questão é Siri Zailah, proeminente pensadora do papel feminino na sociedade daquele País, que defende ideias como estas:

 

"Aconselha os homens a falar com as esposas teimosas e disciplinadas" tão querida "Mas caso estas não mudem o seu comportamento, aconselha-os a dormirem durante três dias separados das suas mulheres". 
"No entanto, se a mulher ainda se recusar a acatar o conselho, então OS MARIDOS PODEM TENTAR A ABORDAGEM DO CONTACTO FÍSICO, ATINGINDO-A GENTILMENTE".

Não desmereçam a palavra gentilmente que a Senhora Vice-Ministra teve o apreço de incluir.

Siri Zailah deixou ainda um outro precioso conselho às mulheres:

"Falar com os maridos quando estes estão calmos, acabaram de comer a sua refeição, já rezaram e estão relaxados."  O Humanismo da coisa...

Para terminar, a pérola que embeleza todo o ideal:

"Quando queremos falar, devemos pedir permissão primeiro".


Felizmente organizações independentes da Malásia têm feito força para a queda desta Ministra, num acto de coragem e de respeito civilizacional pelos Direitos Humanos.

Na realidade este tipo de mentalidade em pleno Século XXI, em algumas partes do mundo, vem demonstrar o quão temos de evoluir, quão atrasados estamos, entrelaçados a ideias primatas e repletas de barbárie.

Não podemos deixar de criticar e desmontar este tipo de ritual troglodita, ou seja, pensamento atrasado preso a costumes e regras que jamais deveriam ter lugar neste tempo...

Ou melhor, em tempo algum.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

20.02.22

Necrologia


O ultimo fecha a porta

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Desde que me conheço que ao domingo o meu pai compra o Jornal de Notícias. Mesmo na pandemia, o meu pai saía de casa para ir à papelaria. Hoje ao folheá-lo, chamou-me a atenção uma coisa: a meia página destinada à Necrologia está vazia.

Qual a relevância deste tema?

Vem ilustrar mais uma vez de como o mundo muda. As pessoas continuam a morrer, mas um clique no "Partilhar" do Facebook custa zero. Uma retângulo no jornal custa umas boas dezenas de Euros. A eficácia é também diferente. Uma partilha no meio dos nossos "amigos" chega a quem queremos que chegue. No jornal, só aos seus leitores.

E assim, a imprensa escrita continua a perder fontes de receita.

 

PS.: Na semana passada escrevi sobre bullying. Esta semana, uma jovem de 15 anos levou com um paralelo na cabeça de outra colega estando em coma vegetativo. Em Torres Novas, uma criança de 6 anos foi agredido por colegas. No segundo caso, mais uma vez, o silêncio protetor da direção da escola aconteceu. E isto é o que se sabe. Repito a pergunta: até quando?

18.02.22

Agostinho da Silva


JB

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Era um filósofo português, quase nosso contemporâneo.

Tinha ar de homem humilde do campo, à primeira vista nao acredito que ninguém o confundisse com um grande pensador. Descobri-o há muito anos atrás e fiquei fascinado. Reencontrei-o recentemente no mais improvável dos locais: no Tik Tok.

 Um 'local' virtual é certo, mas ainda assim um enorme ponto de encontro para as novas gerações. 
 Há de tudo no Tik Tok e ontem, no meu, apareceu um excerto de uma entrevista com o Miguel Sousa Tavares ao Agostinho da Silva, este falavam da idade e da morte. Um tema pesado e que aparentemente nem liga bem com uma aplicação tão jovem e animada. Gostei de rever esse grande homem, por isso hoje decidi trazer algumas citações carregadas dessa sabedoria popular tão característica do A.S..

Cá vão elas:

“A solidão é uma ocasião extraordinária de diálogo consigo próprio.”

“O que impede de saber não são nem o tempo nem a inteligência, mas somente a falta de curiosidade.”

“O homem não nasce para trabalhar, nasce para criar, para ser o tal poeta à solta.”

“A pessoa deve encontrar-se a si própria e fazer todo o possível para que não haja uma uma discórdia consigo mesma.”

“O que interessa na vida não é prever os perigos das viagens; é tê-las feito.”

“Quem fala de Amor não ama verdadeiramente: talvez deseje, talvez possua, talvez esteja realizando uma ótima obra literária, mas realmente não ama; só a conquista do vulgar é pelo vulgar apregoado aos quatro ventos; quando se ama, em silêncio se ama.”

“Não me interessa ser original: interessa-me ser verdadeiro.”

“Como tudo é possível, ousemos fazer rumo ao impossível.”

“Entre as palavras e as ideias detesto esta: tolerância. É uma palavra das sociedades morais em face da imoralidade que utilizam. É uma ideia de desdém; parecendo celeste, é diabólica; é um revestimento de desprezo, com a agravante de muita gente que o enverga ficar com a convicção de que anda vestida de raios de sol.”

“O mundo acaba sempre por fazer o que sonharam os poetas.”

Sempre gostei de citações, é como se as letras passassem a cumprir uma função de números e numa sucinta 'equação' condensassem um saber maior. 

Bom fim de semana.

 

JB