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sardinhaSemlata

Um espaço de pensamento livre.

sardinhaSemlata

Um espaço de pensamento livre.

O ser humano é estranho, complexo, em mutação constante... O que achamos hoje, podemos já não achar amanhã... Às vezes, recebemos uma notícia que nos faz olhar para o lado e pensar... "Podia ter sido comigo...". "Podia ter sido com os “meus” ...". E, nesse momento, só queremos agarrar as "nossas" pessoas bem perto de nós e dizer-lhes que as amamos... Contudo, rapidamente nos "passa ao lado" e voltamos à azáfama do dia-a-dia... Porque "temos mais em que pensar"... Temos de trabalhar para atingir certos fins... Temos de trabalhar por necessidade... Temos de ser produtivos para a sociedade... E esquecemo-nos... Esquecemo-nos do que realmente importa... As "nossas" pessoas! As memórias! O amor!... O resto é acessório... Se algum dos "nossos" partir, nada do acessório nos irá reconfortar... Ficaremos a sentir-nos pessimamente, com um sentimento de culpa, porque nos esquecemos do que realmente importa... Só damos valor quando perdemos, porque nos “perdemos” no dia-a-dia... Tiremos um tempo para #agradecer mais e #reclamar menos... Tiremos um tempo para dar valor às pessoas que nos amam e que realmente estão lá.

13.02.23

Judite Sousa: Dor E Amor...


Filipe Vaz Correia



 

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Assisti à entrevista da Judite Sousa ao Daniel Oliveira no Alta Definição, neste fim de semana, num misto de curiosidade e de compreensão.

Uma hora de horror, de empatia, de asfixia e de um infinito amarrar de alma que não cala.

No meu caso, imaginava a minha mãe naquele lugar, ali sentada, desprotegida, entregue aos desmandos de outros, sem que eu pudesse intervir...

Outros imaginarão que o André fosse o seu filho, outros ainda que a Judite fosse a sua filha, e os restantes provavelmente nada imaginariam.

O que  mais me revolta são aqueles que imaginando tudo o que descrevi, ousaram lucrar com esta morte, com os sórdidos detalhes de uma tragédia, com os pedaços vendidos de um jovem anónimo.

Juro que olhava para a Judite e imaginava...

E se fosse a minha Mãe?

E isso toldava a emoção, a capacidade de singelamente controlar as lágrimas, assim como, a incerteza deste novelo em que vivemos.

Uma mulher destroçada, sem reparação, sentada diante de um entrevistador, desnudada na dor, entregue a uma verdade que para si era mais importante do que a própria vida.

Reparar o bom nome do seu filho, resgatar o direito à sua dor, numa singela despedida da vida.

Foi o que esta entrevista me pareceu, uma despedida da Judite de Sousa de uma espécie de tabuleiro onde jamais voltará.

Qual será o nome deste tabuleiro?

Vida?

Deus queira que esteja enganado.

De uma coisa estou certo...

A vida é suficientemente efémera para que a possamos desperdiçar.

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

 

 

 

10.02.23

Horror


JB

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Hoje  venho partilhar a angústia, a impotência e insignificância que sinto perante uma tragédia desta magnitude. 
Palavras para quê? O que dizer a um pai que segura a mão da sua filha esmagada ao seu lado? O que dizer às outras dezenas de milhar de pessoas na mesma situação?