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sardinhaSemlata

Um espaço de pensamento livre.

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25.02.24

Mariana Mortágua e André Ventura: são mais as semelhanças que as diferenças


O ultimo fecha a porta

Nas últimas semanas, houve uma personalidade que me chamou atenção pela negativa: Mariana Mortágua.

 

Comecemos pelo Chega e por André Ventura. O estilo trauliteiro não mudou: as fake news, as manipulações de factos com layouts de jornais reputados, as ameaças de violência, os tiros inventados e o apoio perigoso a forças de segurança, dando-lhes a luz ao fundo do túnel nem que seja a luz do abismo. 

De Mariana Mortágua, já me tinha chocado o discurso anti literacia financeira. Quando vi a primeira vez, achei que era mentira, mas não. O Bloco de Esquerda acusa que a literacia financeira favorece o lucro rápido e o capitalismo. Depois veio a história da renda da avó. A imprensa descarou a aldrabice que nunca percebi porque a Mariana Mortágua a trouxe para terreiro, qual estilo de André Ventura. Esta semana, no debate com todos, vi novamente a economista Mariana Mortágua num estilo trauliteiro a acusar a "Direita" (pondo todos no mesmo saco) de usar a diminuição de impostos para concentrar riqueza e cpm generalizações sobre as fontes de financiamento.. 

Volta Catarina que estás perdoada! Deixo aqui o print screen da tolice da literacia financeira.

 

Ambos radicais, populistas, impulsivos, manipuladores e a disparatar para todos os lados. Baseiam-se em generalizações, pegando numa situação isolada, fazendo com  que todos sejam os maus da fita. Não sei em quem vou votar, mas nos extremos, nem de um lado nem do outro, não será certamente. Não trazem nada de bom.

 

P.S: Preocupa-me bastante estas manifestações das forças de segurança. Pela função que ocupam num estado de direito, há coisas que não são admissíveis.  Usar a sua função para chantagear a democracia, as eleições? Coagir políticos? Baixas médicas todas em simultâneo no momento de luta?  Ter um partido de extrema direita a patrocinar e ser porta voz?

É curioso que lançam as promessas incendiárias e anti demcráticas, depois vêm as críticas e, qual estilo Mortágua ou Ventura, afinal, queriam ... dizer outra coisa, bla, bla, bla. Gostei muito da resposta de Pedro Nuno Santos quando confrontado com este protesto no debate. Muito corajosa e assertiva. Agora, até os militares querem ir para a rua protestar. A história e muitos países noutros continentes mostra-nos o que acontece quando o poder militar interfere na vida democrática.

Perdem a razão pelos meios que usam e pelo abuso de poder.

 

23.02.24

Isto é respeitar a democracia.


JB

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Hoje venho apenas agradecer ao RAP e à sua equipa.

Apesar destes tempos negros que nada de bom auguram, apesar da falta de entusiasmo, apesar da nuvem negra que paira sobre a justiça e de tudo o que isso acarreta, há uma luz ao fundo do túnel.

 Felizmente temos o Isto é gozar com quem trabalha diariamente. E que falta que isso nos faz. Informação, entretenimento, humor inteligência e política. Quanto a mim um contraste gigante se compararmos com esta maratona de debates a que fomos sujeitos. 
 Um estilo de humor inspirado no Daily Show do Jon Stewart, mas à portuguesa; entenda-se isto melhor maneira possível, feito à nossa medida, à nossa imagem. 
 A primeira parte sempre informativa, acutilante e mordaz. A pôr a nu todas as incoerências de todos os lados e sempre carregado de um sentido de humor do melhor que há. A segunda parte num frente a frente com um político de um qualquer sector que já sabe que vai ser confrontado com perguntas certeiras que irão pôr à prova a sua inteligência e convicções. Repito: Muito mais útil e informativo que qualquer debate.

 Obrigado, se é verdade que a necessidade aguça o engenho, graças a vocês também acredito que o desânimo político que vivemos aguça a comédia. Num cenário político que é dos piores de sempre, aparece o melhor humor político de sempre. 

Sois grandes!

 

 

JB

20.02.24

Uma outra pandemia: a Polarização


Bruno

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Imagem: Bruno Nunes dos Santos - Cemitério Canadiano de Beny-sur-Mer (Normandia)

 

Nota prévia: a imagem é a última morada de um dos 19 soldados (no total são 2048) anónimos da 3ª Divisão Canadiana que a 06 de Junno de 1944 se dirigiu para Caen. Os anónimos podem fazer toda a diferença quer durante um conflito, quer para evitar o mesmo (o desejável). Muitos dizem que em guerra, ou até noutros conflitos, nem sempre são os mais corajosos que voltam e começam a construir novas gerações mas aqueles a que se ousou denominar de "boleias". 

 

 

Os controladores da verdade seguiram o seu caminho com os transistores e a televisão e a internet e o smartphone, fazendo proliferar as suas verdades e desprezando-as cada vez mais directo e instantaneamente na cabeça das pessoas.

Tim Mackintosh-Smith, in "Árabes"

 

Decidi escrever sobre um tema que, apesar do meu enorme interesse, tenho de confessar que não são águas onde me sinta confortável para enfrentar as ondas, mas tendo em conta que a gigantesca polarização, sobretudo na política, está a mudar o rumo da sociedade como a conhecemos, não poderia deixar escapar - até porque, tenho sentido que a polarização já se entranhou de tal forma na sociedade que vai para lá da política e já entrou nas organizações e nas comunidades. E é isso que me deixa mais preocupado, e também como profissional, mais interessado em combater a mesma.

 

Na verdade, entendo que a polarização acaba também por ser a causa que faz com que o Homem seja o que é hoje e possivelmente ainda cá esteja. Afinal, a tendência para nos agruparmos a partir de um certo período da história humana, não só nos tornou mais fortes, resilientes e solidários mas também mais sujeitos a bolhas onde a vedação a pontos de vista diferentes acaba por ser mais alta e, não raras situações, electrificada. Essa muralha psicológica ou física (ou uma combinação de ambas) acaba por levar à formação de estereótipos. Se a este cocktail juntarmos a globalização, a tecnologia, as assimetrias económicas, as redes sociais e uma fragmentação gigantesca de culturas e valores, temos uma explosão com consequências dramáticas. Podemos ainda adicionar mais uma munição: a empatia (falta dela).

 

E apesar da diferença ser desejável, o extremar de posições não traz consigo melhores resultados levando à intolerância, ausência de cooperação (inclusive entre pares) e consequentemente uma total ineficácia na resolução dos problemas, seja numa organização empresarial, vida pessoal ou até na administração de um Estado com as habituais dificuldades na implementação de políticas públicas eficientes e até à acinesia desse mesmo Estado. Na verdade, quando estamos altamente distantes não vamos por certo conseguir trocar argumentos ou sequer abrir a nossa mente a outros pontos de vista, já para não falar das fake news. Em meu entender, as fake news não são nada de novo e sempre existiram e irão existir sempre, o que me dá esperança é que neste estágio de evolução humana já possamos ser capazes de interpretar - estarei a ser naif, mas a Ocidente, será a prova de que aprendemos muito mas interiorizámos pouco.

 

Não obstante, apesar de tudo acredito que é possível debelarmos o crescimento da polarização com métodos simples, nomeadamente a educação, a própria empatia e o activismo saudável. O problema aqui está muitas vezes relacionado com o facto de alguns destes instrumentos estarem já sob alçada de um campo totalmente intransigente e que transporta a sua ideologia cegamente para estes. Aliás, veja-se as mais recentes alterações/apropriações/manipulações a que a Educação tem estado sujeita na Europa e nos Estados Unidos. Ao invés dos viéses ideológicos, é esta que é a pedra de toque para preparar qualquer cidadão na compreensão de culturas diferentes, valores e até formas de estar, promovendo o espírito crítico, a resolução de problemas e a comunicação. Também podemos começar nós, se "lá em cima" não nos for dado o exemplo. Sou sempre dessa opinião.

 

Teremos muito a ganhar se racionalmente não formos cegos e utilizarmos a razão não para confirmar aquilo em que queremos acreditar, mas sim para nos fazer perguntar e olhar para o outro. Quiçá até secundarizá-la em relação à intuição como defende Jonathan Haidt, um dos grandes investigadores na área da polarização. Mentes diferentes, com pensamentos diferentes, de origens diferentes trarão excelentes resultados a uma sociedade que hoje procure desenvolver-se e atingir níveis elevados nesse campo. Não podemos ser utópicos ao ponto de achar que teremos de nos comportar como pinypons, mas também não podemos abandonar anos e anos de desenvolvimento como seres humanos e transformar os 10% de abelha numa percentagem maior em relação aos 90% de chimpazé. Para isto, não nos podemos fechar num acomisme de aguardar pelo mundo melhor que há-de vir, sob pena de sermos peças de exposição numa qualquer outra galáxia, num museu sobre civilizações extintas.

 

Uma nota final para as organizações empresariais, que cedendo à tentação da polarização ou aos hypes do momento, arriscam muitas vezes a imagem futuro. E coloco aqui o verbo ceder porque também múltiplas vezes é uma cedência à pressão e com medidas a quente e mal analisadas. E sim, também a polarização ocorre entre colegas, até porque me muitos casos, a mesma já começa no próprio processo de recrutamento onde nem sempre a culpa é dos valores das organizações mas da falta de capacidade dos recrutadores ou daqueles que lhes enviam os perfis para recrutar.

 

___________________________________________________________________________________________________________________________________________________Para ouvir: foi a minha companhia numa longa viagem por estes dias. A Sinfonia Nº 4 , Op. 90 de Mendelssohn, conhecida pela "Italiana" é uma daquelas coisas que transforma qualquer final de dia triste em movimentos alegres e de criação. É uma companhia de viagem como poucas. O Allegro Vivace lembrará decerto os menos atentos. 

Para assistir: na Politécnica, os Artistas Unidos, pela mão de João Pedro Mamede, trazem ao palco "Victor ou as Crianças no Poder" de Roger Vitrac. Na apatia de sermos tudo mas não sermos nada, talvez Victor esteja certo.

Para comer: O Minhoto em Almeirim. É uma das casas cujo um dos empregados ainda andou comigo ao colo. Rivalizando com outros de maior fama, o borrego, a sopa, aquele pão e tudo o que por lá se coma é inigualável. É daqueles restaurantes que até mesmo seguindo pela A1 em direção a outras paragens, fica a vontade de fazer o desvio - vontade essa que é muitas vezes cumprida. Não é nostalgia, é mesmo boa comida num ambiente verdadeiramente ribatejano.

Para ler: fugindo ao "Arquipélago Gulag" que deveria ser de leitura obrigatória, nada como acompanharmos "Um Dia na Vida de Ivan Deníssovitch". Aleksandr Soljenítsin, leva-nos mais uma vez a lugares onde não queremos estar mas temos de conhecer sob pena de repetirmos o passado que... Parece ter feito uma viagem ao presente e retardado o futuro, especialmente na Rússia, mas também por paragens como Gaza ou China. Gosto especialmente dos pequenos prazeres Chúkhov.

Para beber: abriu-se este fim de semana a última garrafa para acompanhar um rojões à beirã no caçoilo de barro e mesmo no fogo - Socalcos de Bouro Alvarinho Superior Branco Premium 2022.

19.02.24

Portugal não é um país violento...


Ana Mestre

é o  que dizem  os entendidos na matéria... Mas, a avaliar pelas notícias diárias...

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No meu tempo... quando havia uma briga, davam-se umas bofetadas, uns puxões de cabelo, um rol de asneiras e o assunto resolvia-se, agora puxam de uma faca, uma arma e mata-se sem dó nem piedade... 

Mas, Portugal é um país sem violência, claro que sim...

 

Ana Mestre

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