Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

sardinhaSemlata

Um espaço de pensamento livre.

sardinhaSemlata

Um espaço de pensamento livre.

22.03.24

Poor Things


JB

 

IMG_0529.webp

*fotografia da Bella em Lisboa

 


 Bem sei que já chego tarde à festa mas, mais vale tarde que nunca.

 Vi recentemente o filme Poor Things com a atriz que ganhou um Oscar por esse mesmo filme: Emma Stone.

 Agora, depois de algum tempo do filme terminar posso dizer que gostei e fazer algumas considerações (sem spoilers não se preocupem).

  Ê um filme absolutamente original e inesperado, não sabia quase nada sobre ele quando decidi ver a não ser que a protagonista tinha ganho um Oscar e que as críticas eram maioritariamente positivas. Aproveitei que estava disponível numa plataforma de streaming (Disney plus) e resolvi ver.

 Gostei da estória e é daqueles filmes que quanto mais tempo passa e mais pensamos sobre ele, mais gostamos (pelo menos no meu caso). Tem o bónus de satisfazer aquele orgulho português tão bacoco de vermos o nosso país, a nossa Lisboa e a nossa Carminho em destaque num dos capítulos.

 A película fala-nos de uma mulher muito original e do seu percurso (não direi mais sobre o 'plot' para não estragar a surpresa. Pareceu-me claramente bases do na história do Frankenstein de Mary Shelley e com a fotografia e estilo a fazerem lembrar o Eduardo mãos de tesoura do Tim Burton. De qualquer forma, convém dizer que l filme é completamente original e supera largamente qualquer comparação que se possa fazer. Tem elementos de horror, comédia e drama; mas acima de tudo faz pensar e torcer pela Bella (Emma Stone).

 É daqueles filmes que apetece conversar a seguir, daqueles que eu gosto. Daqueles que são tão abstratos e violentos (violência psicológica e não uma violência à Tarantino) que cada um interpreta à sua maneira.

 Recomendo a quem tenha estômago forte e poucos complexos. Assim depois se nos cruzarmos podemos falar dele.

 

Bom fim de semana!

 

JB

20.03.24

Reflexões Políticas


Marco

Será que a velha máquina partidária necessita de óleo? Porque parece enferrujada a perder força. Por outro lado, vemos um partido que nem 5 anos tem e a e tornar a 3 força política. Ganha no Algarve e com emigrantes, por eles hoje tínhamos um governo de extrema-direita. Talvez seja apenas os ventos vindos da Europa, onde vemos cada vez mais a extrema-direita ganhar força, ou talvez seja moda, como á uns anos era a extrema-esquerda, ou apenas um voto de revolta. Não sei, muito se fala e muito se escreve, mas assusta-me, porque não acredito nos extremismos, tanto à direita como, à esquerda. Tem de haver um equilíbrio entre as políticas de direita, com as de esquerda. Para mim nem existia esquerda nem direita, mas sim Portugal e todas as medidas, propostas deveriam ter isso em conta, tornar um Portugal mais forte, coeso. Em que as pessoas quisessem ficar, em vez de partir em busca de uma vida melhor.

19.03.24

O Fabuloso Mundo do Mercado de Trabalho - Uma Eventual Parte 01


Bruno

francesco_mazzola_bruno_nunes_dossantos.jpg

Francesco Mazzola (Parmigianino) - Cupido Esculpindo o seu Arco (Pormenor) -Kunst Historisches Museum Vienna

Imagem: Bruno Nunes dos Santos

 

 

 

E assim prosseguimos, barcos contra a corrente, arrastados incessantemente para o passado.

F. Scott Fitzgerald, in "O Grande Gatsby"

 

 

Começo por fazer uma espécie de disclaimer, no sentido de sublinhar que as minhas palavras para além de uma base alicerçada em dados, baseiam-se sobretudo em relatos que me chegam através de conversas formais e informais e até através da minha própria experiência.

 

O mercado de trabalho parece andar louco para os lados de Portugal. Ouvimos as organizações empresariais a colocarem-nos perante o dilema de que para quadros intermédios e até abaixo (não estou sequer a ter em conta quadros acima) ninguém abdica de um salário que já vai bem para lá dos 40k ou 50k, sem esquecer subsídio de alimentação cujo valor dia daria para alimentar uma família na Ásia durante um mês ou mais (e não é piada), viatura para uso total, bónus e mais bónus e apoios para isto e para aquilo sem esquecer o home office. Faz-nos pensar como é que um país com tão fraca produção consegue estar a este nível e por vezes fico com a sensação de que delegamos nas empresas a obrigação de assegurar a nossa sobrevivência e de preferência para lá daquilo que é uma vida boa. Pontualmente, tendemo-nos a esquecer de culpar uma máquina fiscal que absorve os rendimentos dos trabalhadores de uma forma que faria o Xerife de Nottingham automutilar-se por ser tão brando ou até a questionarmos se pelo menos já atingimos o nosso próprio breakeven. É sempre mais fácil culpar o Porsche do empresário e não a forma como os nossos impostos são cobrados, e pior que isso, aplicados. Um mercado sobreaquecido, sobretudo numa geografia como a portuguesa, no longo-prazo tende a não correr muito bem.

 

Não obstante, muitas organizações, embarcam em pagar salários para lá do que é razoável - e não quero com isto defender políticas de baixos salários, mas sim de salários justos e adequados à produtividade e capacidade das organizações - deixando-se levar por uma espécie de discurso que acaba por ser benéfico para grupos de indivíduos que, consoante a área, pululam como se fossem os únicos profissionais existentes. Tal deve-se a relações privilegiadas com algumas consultores de recursos humanos, trocas de favores, maçonarias, elogios mútuos em publicações, bem como prémios e muitas linhas e imagem não raras vezes pagas a peso de ouro. Da minha experiência com muitos destes indivíduos, continuo a preferir os "anónimos" sendo que existem muitas exceções onde encontramos também nesses grupos bons profissionais, mas o que vinga é sempre uma espécie de video meliora proboque, deteriora sequor.

 

Recentemente, deparei-me com o dilema de uma empresa que contratava para uma posição na área financeira e que não remunerava mal para a nossa realidade: sempre os mesmos candidatos das consultoras e/ou sempre as exigências para lá do razoável, diziam-me. Lembrei-me imediatamente de sugerir que os RH dessa mesma empresa procurassem no mercado também e sobretudo para lá da área de atividade da própria organização: o resultado, e não foi mérito do meu conselho mas simplesmente um alargar de horizontes, fez surgirem candidatos com expectativas salariais bem abaixo do range que a empresa estava a oferecer e com currículos brilhantes - muitos não tinham sequer LinkedIn. Outra curiosidade foi a procura de candidatos através daquilo a que se chama o black hole of HR que não é nada mais nada menos que aquele cantinho dos sites de muitas organizações dedicados às candidaturas espontâneas e até a posições específicas. É um buraco negro porque os currículos vão cair aí e por lá ficam perdidos numa galáxia distante até se transformarem numa poeira cósmica que deambulará pelo infinito universo até serem varridos por uma constelação RGPD.

 

A propósito desse buraco, ainda em tempos ouvi alguém - ou melhor, muitos "alguéns" - afirmar que enviar currículos e responder a anúncios de emprego era mal visto pelo mercado, isso e aquela faixa do LinkedIn com o "open to work". O interessante é que esse alguém(s) é o mesmo que em público no invade com aquelas dicas de elaborar o CV, candidatar a anúncio, do "vai lá tu consegues se tiveres vontade". Apesar de tudo, acredito que atualmente quem tem mais sucesso é aquele alguém (s) que, seguindo as palavras de Tagore se foca no objetivo de alcançar o êxito e não a verdade, e nos diz como inventar um sem número de chalaças, despir a sua personalidade e abdicar de valores se necessário e com isso trabalhar a sua imagem. Uma espécie de 20% do tempo a trabalhar efectivamente e os demais 80% dedicados à promoção pessoal.

 

A esta realidade, junta-se uma outra ainda pior, e é aqui que encontramos também uma mina antipessoal no conceito de meritocracia: o discurso do começar por baixo, de abraçar aquele desafio da "caixa de supermercado" pois o importante é não estar parado. Nada mais errado, em muitos meios os biases são tais que quem cair nesse buraco nunca mais de lá sai. Aliás, quem recruta tem imensos preconceitos que, com a evolução da sociedade, eu próprio julgava estarem a cair - também nada mais errado, mas será tema para um outro dia. Ainda há pouco tempo, uma análise junto de várias organizações mostrou que os recrutadores estão, passo a expressão, carregadíssimos de biases pelo que é um risco sequer abrir a boca numa entrevista. Experimentem ter um cargo com alguma relevância, ficarem sem esse cargo e agarrarem uma função abaixo porque querem trabalhar e dar o vosso melhor, e depois voltarem ao ponto onde estavam. Ou experimentem até acabar a faculdade, por exemplo, e fazerem esse caminho. Não é impossível, conheço muitos indivíduos que conseguiram, mas foi um trabalho árduo e muita sorte em encontrar as pessoas certas pelo caminho, pois também existem, não é tudo um cataclismo. É importante lembrar que este é o país que exporta/enxota os seus melhores profissionais para mercados altamente competitivos e produtivos e depois se assume como uma espécie carpideira na captação de talento que não tem lugar nesses mesmos mercados. 

 

E com um texto já tão longo, é sem dúvida uma "Eventual Parte 01" pois ainda existem linhas para umas tantas outras partes e onde nem aqueles que julgamos os mártires e prejudicados por este mundo laboral tenebroso são assim tão inocentes. 

___________________________________________________________________________________________________________________________________________________

Para ler: com o Dia Mundial da Poesia tão perto, nada como passar os olhos pelo "A Velhice do Padre Eterno" de Guerra Junqueiro. Para além da critica anticlericalista, o poema "o Melro" chega-me sempre à mente quando caminho pelas nossas ruas, pelos nossos jardins. Se a primavera acabará com o fim das andorinhas, toda a beleza do nosso dia a dia no exterior acabará quando não mais existirem melros.

Para ouvir: com o original datado de 1965 e da autoria de Bruno Lauzi, um dos grandes da música italiana, a versão de "Ti Ruberó" de Monica Cetti e que se espalhou nesse grande filme de Sorrentino "La Grande Bellezza". Fica um videoclip com a dança entre Stefania e Jep (Galatea Ranzi e Toni Servillo). Os que já viram o filme, irão perceber a escolha.

Para comer e beber: Oia, na Galiza e bem pertinho de Portugal é uma pequena localidade com poucos mas excelentes restaurantes. Justifica os 200 kms de viagem (ida e volta) só para visitar alguns desses locais gastronomicamente ricos - tomo como referência Braga, a minha segunda terra. Escolho um, "A Camboa" e para lá do peixe grelhado da costa galega, o arroz de vieiras das Rias Baíxas (aquelas mesmo negras) é de bradar aos céus. E podemos fazê-lo mesmo ao lado, junto a ao mosteiro lindissímo enquanto almoçamos junto ao pequeno porto e praia. O pôr do sol, quando os ventos da costa o permitem, torna qualquer fim de tarde e jantar inesquecíveis. Uma verdadeira experiência mediterrânica com toques de Atlântico e talvez um dos locais onde podemos imitar Jep na sua dança com Stefania. Também bem perto, podemos comprar um dos melhores "Rosales" ou dos melhores "Albariños" que já me foram dados a provar. Os Mosén Anselmo são de bradar aos céus, com uma produção que ainda segue os preceitos dos monges cistercienses.Estes dois vinhos são talvez o segredo mais bem guardado do baixo minho galego que um proprietário e amigo tão bem sabe proteger.

Para assistir: na lista das composições que ainda não têm palavras para serem descritas, surge o "Ein deutsches Requiem" de Brahms. Dia 22 na Casa da Música pela Orquestra Sinfónica do Porto Casa da Música, Cora Casa da Música, Ensemble Vocal Pro Musica, dirigidos por Stefan Blunier e com a soprano Sara Braga Simões e o Barítono André Baleiro. Imperdível!

18.03.24

O" Prometido" Banho De Sangue


Filipe Vaz Correia

 

 

Donald Trump disse num comício que caso não vencesse as eleições Presidenciais Americanas uma tragédia aconteceria...

" Se eu não vencer, haverá um banho de sangue".

Vamos lá dar o contexto para que não nos acusem de deturpar as palavras do Senhor Trump...

Neste caso, ele estava a falar da indústria automóvel e do apocalipse que aconteceria com os carros contruídos no México ou na China e que caso ele não vencesse as eleições invadiriam os Estados Unidos provocando um banho de sangue.

Em primeiro lugar não consigo imaginar essa invasão de carros capazes de destruir uma já de si moribunda indústria Americana de automóvel, no entanto, não posso deixar de assinalar mais uma vez esta utilização, sistemática do medo, medo pelo outro, pelo estranho, pelo estrangeiro que vem roubar a nossa estabilidade, este discurso repetido e desmascarado do desastre anunciado apelando ao mais imberbe receio das pessoas como sentimento reflexo do Ser Humano.

Trump usa-o Ad Nausea e utiliza expressões bélicas capazes de inflamar um eleitorado que mais de uma vez foi capaz de exarcebar as suas reacções mais primárias.

Estamos aqui, presentes neste ultimato cimeiro, este pedaço de chantagem onde caso o candidato da extrema direita populista não vença o que sobrará será um banho de sangue.

Trump é isto, hoje mais do que nunca, um pedaço de radicalismo entregue aos seus desejos, incapaz de construir uma alternativa democrática com um rumo para o País.

Depois do que aconteceu no Capitólio, no pós eleições que deram a vitória a Joe Biden, convêm não subestimar as palavras de Trump, nem a estupidez de quem o segue cegamente, num cenário intransigente de um eleitorado radicalizado.

Olhando para este nosso País, talvez possamos tirar algumas ilações, sendo que em momento algum deveremos ser tolerantes com este tipo de movimento extremista ou radical.

Sendo assim deixemos o tempo correr e com ele esperar mais peripécias do senhor Trump.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

17.03.24

Apontamentos - 17 Mar 24


O ultimo fecha a porta

Sobre as eleições, está tudo dito. Não são os comentadores que determinam os votos, mas sim os eleitores.

 

Já estava a espera o os partidos de Centro ficassem próximos, dados os telhados de vidro e cansaço que têm provocado ao povo.

Fico surpreendido de a procissão ir no adro e os partidos extremistas de esquerda, ainda sem lerem o programa da AD, já estão a dizer que o vão ... reprovar. Parece que não aprenderam nada com a perda de votos há oito dias atrás. As pessoas querem menos politiquisses e que lhes resolvam os problemas do dia a dia.

 

 Surpreendido fiquei também pelo crescimento do Chega, pelos riscos que algumas ideias e os seus protagonistas trazem para a democracia. Pelas conversas de café, percebo que parece o Big Brother - ninguém diz que vê, mas toda a gente as tricas. No Chega, ninguém diz que votou no partidos, mas conseguiu 18%. 

 

Bem, esta semana, mais uma notícia de um professor espancado pelo pai de um aluno em Lisboa. A direção da escola remete-se ao silêncio. E isto é o que vem a público.

Enquanto a classe docente continuar obcecada em recuperar dinheiro, em vez de recuperar o respeito da sociedade e a sua autoridade, não vão longe. Pelo contrário. Afastam cada vez mais potenciais profissionais para a área do ensino. Só vejo uma solução: o desemprego noutras áreas, forçarem as pessoas a irem para o ensino.

 

Esta semana, foram sendo divulgados os lucros dos bancos. Se por um lado é bom estarem saudáveis e recuperados depois dos soluços pré Troika, por outro sabemos que é à custa do aumento dos juros cobrados que têm asfixiado a população e com o despedimento de mão de obra.

 

Nos EUA, preocupa-me o que pode vir destas eleições. Vai ter impacto em todo o mundo e em particular na guerra da Ucrânia.