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sardinhaSemlata

Um espaço de pensamento livre.

sardinhaSemlata

Um espaço de pensamento livre.

30.06.25

Diz-me Se Sabes Voar…


Filipe Vaz Correia



 

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Diz-me o que vês, sem medo de sentir, sem receio de querer, sem nada a temer, como se nada importasse ou nenhum vislumbre de temor ganhasse cor, por entre, o céu azul despido que se impõe no horizonte.

Diz-me...

Palavras que ganham força na expressão ensaiada, sem barreiras, artimanhas, arte e manhas, contradição constante que se aprisiona no fundo do sentir inquieto, desse inquietante sentir que amolga e esventra, grita e ensurdece, se perde e se esquece.

Nas entrelinhas, entre copos, vão ganhando vida as pinceladas de cada passo, pegadas, marcadas na caminhada, por essa entrelaçada estrada sem sentido...

Tamanhos sentidos num vai e vem que confunde mas amarra, descobre e aperta, seduz e apega.

Beijos em nuvens, sorrisos em ondas, vagas de abraços no meio de sonhos, peças perdidas que se atrevem a contar pequenas partes não vividas, pedaços de mim que não esqueci, não sabendo que já vivera.

Sabes lá...

Na expressão maior de um conto, vão escorrendo pelo rosto lágrimas que não sabia me pertencerem, mágoas despidas que não sabia feridas, amarguras de inéditas aventuras que julgava pertencerem a outro olhar, num outro lugar, sem medo de amar, sem receio de voltar, de voltar a mergulhar nesse mar...

Que afinal também me pertence.

Ruas e ruelas, estranhas vielas, doces encontros com sabor a canela que marcam eternamente a solitária pena que vos escreve.

Diz-me só mais uma vez, onde se perdeu cada vírgula desta história que regressa a mim, em mim, de ti.

Diz-me se será amor esta espécie de odor que me invade em cada sonho, a cada  desgosto medonho que sorri do outro lado do querer.

Tantas coisas para dizer, por dizer, que querendo dizer permanecerão nessas entrelinhas que se tornaram sua casa...

Pedaço de asa onde, por vezes, se atreve a voar.

Diz-me então se sabes voar, pequeno, retrato de outrora.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

23.06.25

A Grande Pérsia: Entre Ayatollahs, Radicais Judeus E Um Donkey…


Filipe Vaz Correia

 

 

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O ataque dos Estados Unidos ao Irão, sem passar pelo Congresso, é a comprovação exacta de que os EUA estão a caminho da ruína democrática.

A estupidificação das massas surge na sua plenitude nos dias de hoje, onde a ignorância reina e as teorias do absurdo surgem como as mais belas ideias de um quadro em branco.

A paz em 24 horas da Ucrânia, prometidas por Trump, deram lugar à devastação em Gaza, ao enfraquecimento da Ucrânia e agora a uma guerra entre Israel e Irão, entre Estados Unidos e Irão...

É a realização do quanto pior melhor, ou seja, a glorificação da idiotice traz consigo a concretização da incapacidade de pensar um mundo melhor.

Estes ogres são bullys profissionais e como todos eles são mais substantivos no músculo do que no cérebro.

O mundo caminha para um abismo sem paralelo, com armas sem paralelo e assente em pensamentos poeirentos.

Ted Cruz disse numa entrevista que aprendeu na Bíblia que quem apoia o Estado de Israel está do lado do bem...

Aprendeu na Bíblia?

Diz bem do retrocesso civilizacional que está a acontecer no Ocidente, desprendido das teias teológicas durante décadas, vê agora um dos baluartes das recentes democracias, EUA, submerso em bacocos versículos de um pensamento teológico que augura o absurdo.

Que melhores dias possam chegar.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

 

21.06.25

Desígnios Maiores


Ana D.

jun_air india.jpgNo meio daqueles fortuitos lapsos de tempo em que aguardamos por algo ou em que simplesmente tomamos um café e resolvemos deslizar o olhar pelas nossas redes sociais, numa busca por tudo e por nada, acabei por me deparar com algumas histórias que de alguma forma se perderam com o desastre aéreo na Índia.

Histórias de pessoas, como todos nós. Pessoas com tanta vida pela frente... pessoas com sonhos... pessoas que de tanto abdicaram em prol da realização de um presente e de um futuro certamente tantas vezes sonhado e que lhes foi brutalmente ceifado naquele fatídico dia.

Todas as vitimas de tamanho desastre, mas certamente também todos aqueles que os viram partir e que nunca mais os verão chegar e todos os que esperavam vê-los chegar e que hoje vivem ou sobrevivem com a dor de saber que tal jamais irá acontecer, foram traídas no seu sonhar e no seu querer.

Histórias de famílias prestes a encetar uma nova vida, um novo futuro ciosamente preparado pelo marido e pai ao longo de seis anos e que deveria ter começado após aquela viagem. Histórias de pais que viajavam para visitar os seus filhos ou até para acompanhar as suas filhas/noras no nascimento dos seus netos. Mulheres que regressavam para junto dos seus maridos e vice-versa.

Homens e mulheres que apenas estavam a cumprir mais uma jornada de trabalho antes de regressarem para junto dos seus. Jovens médicos residentes que não estando no voo, acabaram por perecer em resultado daquela viagem. Ou ainda o caso do marido que tendo perdido a sua esposa há sete dias, veio à Índia para cumprir o seu último desejo de ali ser sepultada e que acabou por ali perecer vitima deste hediondo acidente, deixando órfãs de pai e mãe, no espaço de uma semana, duas crianças de 4 e 8 anos.

São pessoas... famílias, para quem nada mais será igual.

Vale a pena pensar nisto, já que tantas vezes por imperfeição humana deixamos de viver o presente em prol de preparar um futuro... um futuro planeado a primor, perfeito ou quase perfeito, mas que na realidade não sabemos como será ou sequer se existirá, porque a vida tem desígnios tão maiores do que nós e os nossos sonhos.

16.06.25

O Mundo E Os Nacionalismos Ou A Latitude De Tamanha Estupidez?


Filipe Vaz Correia



 

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O mundo está em ebulição, num misto de estupidificação e orgulho na mesma.

Os protestos nos Estados Unidos da América são o repto e caminho a seguir...

Resistir, resistir e resistir.

Eles estão aí novamente quase 100 anos depois, cobertos pelo manto suave da democracia, sobreviveram escondidos durante quase um século para agora tentarem regressar das catacumbas das trevas para impor traços medievais e retrógrados que se julgavam ultrapassados.

Nos quatro cantos do mundo emergem ventos bafientos, ultra religiosos, preconceituosos, avessos à cultura e inovação, traços próprios da extrema direita, ou melhor dos extremos, e assim, aproveitando a ignorância reinante, tão própria dos boçais, aqui se apresentam Nazis e nacionalistas, burros e trogloditas ávidos da sua bacoca supremacia.

Mais uma vez resta resistir e resistir, gritando as palavras de Lídia Jorge sobre o equívoco da pureza racial e a latitude de tamanha estupidez.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

12.06.25

Herdeiros de Salazar


UmAnónimo

Não entendo este suposto herdeiro de Salazar. O homem que diz que a avó está errada, que já não são precisos dois Salazares para pôr este país na orde, que ele vai tratar disso, não conhece a história do seu país?

Isto a propósito de uma das suas publicações no instagram, por causa da participação do Sheikh David Munir no 10 de junho dos combatentes. Sim, o líder da comunidade islâmica já participu várias vezes nesta e noutras celebrações. Sim, nunca ninguém viu qualquer problema nisto. Porquê? Porque os ex-combatentes representam várias religiões. As principais são claramente a católica e a muçulmana.

Porventura esquecer-se-á Ventura que "harmonia e dignificação étnicas, da coexistência de religiões e crenças, e da conciliação de culturas e tradições" eram termos da Política Ultramarina Portuguesa?

Estes populistas bacocos, que cortam jogadores de outras cores nas publicações a celebrar a recente vitória de Portugal na Liga das Nações não percebem que o país que dizem defender baseia-se exatamente nas diferenças? O que criticaram e renegam a seleção nacional sub-17 por "serem só pretos" não percebem de onde vieram? A colonização de Angola iniciou-se em 1575. Até à independência, foram 400 anos que Angola foi colónia ou província ultramarina? Metade da existência de Portugal, dos 900 anos de história de que tanto se orgulham, foi passada com misturas de cores, de raças e de religiões.

Enfim... vivemos numa altura de extremismos. Mas mesmo os extremismos deviam perceber o seu passado e que o que tentam defender não é nacionalismo. É apenas racismo!

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