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sardinhaSemlata

Um espaço de pensamento livre.

sardinhaSemlata

Um espaço de pensamento livre.

23.11.23

A vida na hora


The Travellight World

Foto: Travellight | Cracóvia, Polónia   A vida na hora. Cena sem ensaio. Corpo sem medida. Cabeça sem reflexão.   Não sei o papel que desempenho. Só sei que é meu, impermutável.   De que trata a peça devo adivinhar já em cena.   Despreparada para a honra de viver, mal posso manter o ritmo que a peça impõe. Improviso embora me repugne a improvisação. Tropeço a cada passo no desconhecimento das coisas. Meu jeito de ser cheira a província. Meus instintos são amadorismo. O (...)
16.11.23

Ao que nada espera...


The Travellight World

Foto: Travellight | Nara, Japão   Quero ignorado, e calmo Por ignorado, e próprio Por calmo, encher meus dias De não querer mais deles. Aos que a riqueza toca O ouro irrita a pele. Aos que a fama bafeja Embacia-se a vida. Aos que a felicidade É sol, virá a noite. Mas ao que nada espera Tudo que vem é grato.  Fernando Pessoa 
09.11.23

O Meu Olhar Azul como o Céu


The Travellight World

Foto: Travellight | Islândia  O meu olhar azul como o céu É calmo como a água ao sol. É assim, azul e calmo, Porque não interroga nem se espanta ... Se eu interrogasse e me espantasse Não nasciam flores novas nos prados Nem mudaria qualquer cousa no sol de modo a ele ficar mais belo... (Mesmo se nascessem flores novas no prado E se o sol mudasse para mais belo, Eu sentiria menos flores no prado E achava mais feio o sol ... Porque tudo é como é e assim é que é, E eu (...)
02.11.23

A Minha Vida é um Barco Abandonado


The Travellight World

Foto: Travellight | "Sun Voyager"  by Jon Gunnar | Reykjavik, Islândia   A minha vida é um barco abandonado Infiel, no ermo porto, ao seu destino. Por que não ergue ferro e segue o atino De navegar, casado com o seu fado? Ah! falta quem o lance ao mar, e alado Torne seu vulto em velas; peregrino Frescor de afastamento, no divino Amplexo da manhã, puro e salgado. Morto corpo da ação sem vontade Que o viva, vulto estéril de viver, Boiando à tona inútil da saudade. Os (...)
26.10.23

Ovelha Negra


The Travellight World

Foto: Travellight | Thingvellir, Islândia Chamaram-me ovelha negra Por não aceitar a regra De ser coisa em vez de ser Rasguei o manto do mito E pedi mais infinito Na urgência de viver   Caminhei vales e rios Passei fomes, passei frios Bebi água dos meus olhos Comi raízes de dor Doeu-me o corpo de amor Em leitos feitos escolhos   João Dias