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sardinhaSemlata

Um espaço de pensamento livre.

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09.02.21

A Imposição Obscura de uma Realidade


Robinson Kanes

amadeo souza-cardoso.jpg

Amadeo de  Souza-Cardoso "Par impar 1 2 1" - Colecção Privada

Imagem: Robinson Kanes

 

 

American feminism is currently dominated by a group of women who seek to persuade the public that American women are not the free creatures we think we are. The leaders and theorists of the women's movement believe that our society is best described as a patriarchy, a "male hegemony," a "sex/gender system" in which the dominant gender works to keep women cowering and submissive. The feminists who hold this divisive view of our social and political reality believe we are in a gender war, and they are eager to disseminate stories of atrocity that are designed to alert women to their plight. The "gender feminists" (as I shall call them) believe that all our institutions, from the state to the family to the grade schools, perpetuate male dominance. Believing that women are virtually under siege, gender feminists naturally seek recruits to their side of the gender war. They seek support. They seek vindication. They seek ammunition.

Christina Hoff Sommers, in "Who Stole Feminism?: How Women Have Betrayed Women"

 

 

 

Este fim-de-semana, lia um artigo do "La Razón" acerca do Ministério da (des)Igualdade espanhol, liderado por Irene Montero (esposa de Pablo Iglesias) e conhecido pelo seu lado Orwelliano de ser mais igual para uns do que para outros, sem esquecer as escandaleiras que se sucedem num país onde o Podemos não olha a meios para lançar uma guerra civil.

 

Neste artigo, sobre o ministério que de igualdade tem pouco e até se despedem grávidas, simplesmente por... estarem prenhes, aborda-se uma tentativa de controlo das instituições alicerçada num feminismo radical e heterodoxo que vai muito para além daquilo que é a prática das "tradicionais" correntes feministas. Esta manifestação de feminismo, não é mais que uma espécie de camuflagem, que utiliza também o politicamente correcto, na procura de desenvolver redes de clientelas, financiar organizações e criar um certo totalitarismo que, bem vistas as coisas, no final só procura cimentar um poder pouco democrático e onde as mulheres, ou o direito destas é uma das menores preocupações. Quando alguém como Lidia Falcón, da Confederación de Organizaciones Feministas del Estado Espanõl (COFEM) diz que estamos perante um misto de populismo e fascismo, é sinal de que os alarmes devem começar a tocar - a utilização de causas, direitos e minorias para cimentar poderes totalitários não é nova e esta feminismo hegemónico é um claro exemplo dessa prática, sobretudo na implantação de regimes totalitários mais à esquerda.

 

É também neste ponto, entrado naquilo a que vou chamando de terreno minado, que encontro semelhanças com outras realidades, onde se incluem as causas LGBT+ e até o próprio combate ao racismo numa tentativa altamente forçada de explorar aquilo a que Jean-François Lyotard definiu como a prática pós-moderna de destruição das metanarrativas. A verdade, e isso é inegável, é que um movimento recente espoletado por celebridades, académicos, media e gigantes de Silicon Valley, tem absorvido estas temáticas de uma forma de tal modo radical e presente que só alguém muito alheado da realidade não se apercebe de que existe uma mecânica, sem entrar em teorias da conspiração - deixo para outros - com um intuito ainda pouco claro.

 

Em alguns casos, debatemo-nos com uma tentativa de mudanças de comportamento e quase destruição do que existe como justificação para exaltar o que é novo (como se o fosse...). Não são raros os casos, já o referi aqui, em que questionar ou dizer a verdade é o corredor perfeito para a censura, demissão e envilecimento público. Quem não alinha na corrente radical (friso o radical) e procura colocar as questões como elas são é um alvo a abater e numa lógica quase de que se assumir (no caso LGBT+) heterossexual é uma besta do pior. Não são raros os académicos com evidências científicas credíveis que são arrasados publicamente com base em factos forçados por outros académicos numa tentativa de colocar, por exemplo, a ciência exacta debaixo da ciência que nós queremos que seja - no campo da transexualidade é recorrente. E mais uma vez, quem questionar, antes de qualquer discussão, tem o rótulo de homofóbico ou transfóbico e uma manifestação à porta e sem qualquer espaço para defender a sua tese - e também, não raras vezes, não se livra de uma agressão e ameaças. E livre-se também alguém de ter tido um familiar, nem que fosse no século XII que tenha proferido algo contra determinadas causas, porque aí, terá de sofrer a vergonha transgeracional. Subvertendo uma observação de Hoff Sommers em "The War Against Boys: How Misguided Policies are Harming Our Young Men", ficamos com a sensação de que ser homem, branco e hetero é uma doença social.

 

Recentemente, debatia com alguém ligado à comunicação, estes factos, ao que chegámos à conclusão que existe, de facto, uma tentativa de impor um certo lado metafórico de "machismo paternalista" disfarçado de feminismo e de outras causas. Falava-se também de um anúncio publicitário (a uma espécie de Glovo nos Estados Unidos) onde um negro e uma asiática eram um casal, o que não tem nada de anormal, até eu ser alertado para o facto da mensagem ter um objectivo muito claro - forçar a situação e não propriamente colocar a questão como algo normal. Isto vai também ao encontro de muitas marcas, mesmo que carregadas de razão, sejam forçadas a pedidos de desculpa constantes face a uma pressão, não propriamente do público, mas de organizações quase desconhecidas e canais de media que colocam em prática aquilo que Douglas Murray defende e que diz que hoje, "uma parte do que ouvirmos será sob a forma de gritos". 

 

De facto, excepto em temas como o vírus que nos assola, como se fosse o único, parece existir uma criação de uma realidade e quase foco total em temas que nos tiram da verdadeira realidade. E isso é assustador e deveria fazer-nos pensar se a tentativa de destruição de guetos não está apenas a fomentar ainda mais silos e até a impor uma veracidade que de real tem pouco. Um casamento gay (algo perfeitamente normal a Ocidente) começa a ter mais importância que um bombardeamento na Síria... A destruição de monumentos começa a ter legitimidade porque alguns indivíduos simplesmente só querem apagar a História utilizando o anti-racismo como móbil para imporem a sua ditadura... Isto deve-nos preocupar, não só pela forma como se está a desenvolver - e que ignora o verdadeiro problema - e como, por outro lado, leva ao desenvolvimento daquilo a que podemos chamar de contra-revolução... E quando isso acontece, quando um extremo disfarçado de pessoa de bem se tenta impor, vence e escraviza todo um povo, ou permite que se desenvolva uma oposição que é muito mais clara e aberta nas suas reivindicações (também radicais) e não olhará a meios para restabelecer uma certa "normalidade".

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