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sardinhaSemlata

Um espaço de pensamento livre.

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25.03.21

A Insuspeita História do Usucapião de Competências


Triptofano!

Ana Rita Cavaco vem novamente afirmar que a administração de vacinas por parte dos farmacêuticos é uma competência que não lhes pertence.

Poderíamos dizer que ARC estava preocupada com a Saúde Pública dos Portugueses, e além de denunciar os fura-filas com maior ou menor IMC, era a sua missão de vida garantir que nenhum cidadão era vacinado por quem não tivesse competência para tal.

Infelizmente a Excelentíssima Bastonária da Ordem dos Enfermeiros esqueceu-se que desde 2007, em estrito cumprimento dos requisitos estabelecidos pelo Infarmed, os Farmacêuticos já administraram milhões de vacinas. Pior ainda, essa Classe Profissional até tem formação específica que lhes permite actuar em caso de reacções adversas, anafiláticas incluídas. E não, actuar em caso de reacção anafilática não é igual a por o utente na borda do passeio e esperar que o INEM chegue.

Claro que podemos pensar que isto são loucuras típicas deste nosso pequeno país, mas a verdade é que muitos outros países já usam os Farmacêuticos para administrar vacinas, e parece que tudo e todos convivem pacificamente com tal facto.

ARC lembrou-se em plena pandemia, altura em que se devem construir pontes e não mandar um meteorito para cima delas, que o problema da nação eram os Farmacêuticos vacinarem. 

Tudo bem, posso até compreender que denegrir uma Classe Profissional seja uma boa estratégia para fazer pressão com o Estado para haver mais enfermeiros contratados com melhores salários. E eu sou o primeiro a apoiar mais enfermeiros com melhores salários. O problema é quando temos telhados de vidro e gostamos de brincar a mandar calhaus.

ARC já anteriormente tinha dita que os Enfermeiros não dispensavam, e que cada macaco devia estar no seu galho. Ora excepção a esta regra deve ser por exemplo os Enfermeiros que dispensam medicação anticoncepcional. Ou a terapêutica para a tuberculose. Ou mesmo que preparam as vacinas do Covid - função que podem não acreditar mas é da competência dos Farmacêuticos.

Pelo facto de a existência de Farmacêuticos em Centros de Saúde e locais similares não ser mais que uma miragem, os Enfermeiros começaram a fazer usocapião de competências. De uma forma totalmente insuspeita, porque afinal os utentes precisam e os Enfermeiros não iam bater o pé e fazer greve e protestos contra estarem a usurpar as competências dos Farmacêuticos.

Fico à espera que numa próxima entrevista ARC afirme com a sua paixão habitual que o Estado precisa de contratar Farmacêuticos, e que os Enfermeiros não podem mais assegurar tarefas que não são sua competência.

Nesse momento serei o primeiro a mandar-lhe uma mensagem a agradecer tudo o que faz em prol da Saúde Pública do nosso país.

 

 

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