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sardinhaSemlata

Um espaço de pensamento livre.

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02.07.21

A pandemia invisível


JB

 Imagino o que estão a pensar: "que a pandemia é invisível todos sabem; grande novidade". Pois é, mas eu desconfio que existe outra, ainda mais invisível que esta do Covid. Esta pandemia de que falo, não há microscópio que a detecte e também pode matar.

Esta tem atacado sobretudo os jovens, entre os 9 aos 19 anos de uma forma geral. Sabemos muito pouco dela, mas aparenta ser contagiosa.

Dos sintomas relatados já sabemos mais: tristeza, infelicidade, apatia, depressão e nalguns casos mais graves, tentativas de suicídio. 
Não tenho nenhuma estatística que confirme esta minha teoria, mas por causa de muitas conversas com profissionais da área psi (psicólogos, psicanalistas e psiquiatras), amigos e conhecidos, temo que em breve não faltarão factos para sustentar esta trágica hipótese.

Não existe vacina conhecida e muito menos se sabe a origem do vírus. 

É impossível para mim, para a maioria de nós perceber o que esses jovens e crianças estão a passar. Uns dirão que são mimados e que precisam de levar umas palmadas, outros dirão que devem ser protegidos ao máximo e a sociedade é que não usa a linguagem adequada para não os ferir.

Eu discordo de ambos.

Obviamente não é à palmada que se resolvem problemas com crianças; igualmente óbvio é que não se deve andar a tentar censurar meio mundo para todos sermos "inclusivos" e assim proteger as "frágeis" mentes dos jovens. A resposta há de estar algures no meio destas duas posições. 
Não sei qual será.

Falo neste tema porque me preocupa por um lado, mas me dá alguma esperança por outro. 
Vai ser difícil explicar isto, mas vou tentar:

 Sou daquelas pessoas que acha que isto de estar vivo é absurdo, não faz sentido nenhum. No entanto cá estamos todos (por enquanto). Já cá estiveram muitos antes, estarão cá mais depois. O universo existe há 13.8 mil milhões de anos, o nosso planeta existe há 4.8 mil milhões de anos e nós estamos cá durante um instante e sem perceber patavina de coisa nenhuma: absurdo.

Claro que existem muitas explicações para dar sentido à nossa existência, cada um escolhe a que quer e é precisamente neste ponto que entra a minha esperança: naquilo que acontece a cada pessoa que procura respostas.

 Todo o ser humano digno desse nome já questionou o sentido da vida, teve as suas próprias dúvidas existenciais. A maioria de nós sabe o que isso é, sabe a angústia que isso provoca. No fim ficamos sem respostas e possivelmente com mais dúvidas ainda. Somos apenas humanos, no entanto somos curiosos, ambiciosos e destemidos. Os nossos jovens também são assim e têm mais informação que nunca. Uma criança de 9 anos provavelmente não sabe sequer o que é uma dúvida existencial, mas   sabe o que é sofrer em silêncio apenas com os seus pensamentos, isso é algo profundamente humano e profundamente triste.
A minha esperança é que todos os que agora estão a sofrer tanto, com coisas que nem imagino, saiam pessoas mais interessantes, mais empáticas, mais humanas. Gosto de imaginar que estes jovens de que falo estão apenas a crescer mais depressa. Com todos os males e perigos que isso representa mas talvez quem sabe, este processo lhes traga alguns benefícios, sempre com o maior apoio possível de família e profissionais competentes, claro.  

O futuro dirá, chega num instante.

 

 

JB

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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