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sardinhaSemlata

Um espaço de pensamento livre.

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19.05.20

A Real Baixa à Portuguesa...


Robinson Kanes

maxresdefault.jpgCréditos: https://www.youtube.com/watch?v=DH7PbYGHPFo

 

 

Uma das reais instituições nacionais é a Incapacidade Temporária para o Trabalho (ITT), mais conhecida com baixa, baixas que em 2019 chegaram ao número assustador de 1,8 milhões! Mas tal como muitos conceitos e práticas, a ITT, ou baixa, como preferirem, tem as suas derivações e uma delas, bastante comum, é a baixa fraudulenta.

Muitas, e são mesmo muitas, destas baixas são fraudulentas, são formas de imensos indivíduos fugirem ao trabalho ou até de prejudicarem as respectivas entidades patronais - perdoem se hoje não venho proteger os trabalhadores... ainda. Aliás, este é mais um dos entraves (desnecessários) com que muitos profissionais têm de lidar, quer em termos de gestão de equipas quer em termos de processo burocrático, aqui mais focados nos departamentos de recursos humanos. A excessiva protecção e a falta de fiscalização e ética são as chamas que permitem a oportunistas lesar todos nós.

E é aqui que entramos num sem número de situações que não pode nem deve passar impune e, independentemente do rótulo de "bufo", porque ser bufo em Portugal é a metáfora suportada no anterior regime para que muitos esqueçam os deveres como cidadãos... Em Portugal e em meia dúzida de países subdesenvolvidos.

As baixas fraudulentas, não só prejudicam os demais colaboradores de uma organização como a própria organização em termos de eficiência produtiva. As baixas fraudulentas prejudicam-nos a todos nós como contribuintes que pagam os seus impostos e especialmente fazem descontos para a Segurança Social. As baixas fraudulentas, desviam o apoio destinado a quem realmente necessita para os bolsos de parasitas e oportunistas que um Estado Social (e ainda bem que existe) continua a proteger. Todavia a impunidade reinante é tal que o orgulho de dizer que está de baixa "só porque sim" é uma das imagens de marca da real chico-espertice lusa.


E como exemplos nunca podem faltar, dou um dos mais recentes que chegou ao meu conhecimento: um indivíduo com uma incompetência natural para as tarefas mas "protegido" por um contrato sem termo, aproveitou para incentivar o desleixo na equipa que ele próprio geria. Esse desleixo seu e dos demais, custou milhares de euros à organização que, aquando de tomar uma decisão em termos de despedimentos a propósito da actual crise, não hesitou (e mesmo assim ao fim de muitas oportunidades) em colocá-lo no "pote".


Este foi o indivíduo que ao tomar conhecimento da decisão desapareceu e enviou um email a informar que estava de férias. Foi o indivíduo que, ao regressar, ofendeu e quase passou a vias de facto com outros colaboradores e perante a advertência, faltou ao respeito às altas chefias e disse, e sim, isto é real: "agora quem manda sou eu, vocês vão ver". Abandonou o posto de trabalho sem ordem para tal, e no dia seguinte lá chega a ITT. Essa mesma ITT que foi sendo renovada até ao fim do vínculo laboral. Doença mental, talvez...

Casos destes, mais brandos ou piores não faltam (alguns até em acordo com a entidade patronal), e na verdade, todos conhecemos alguém que gentilmente já nos roubou. Ainda me lembro de alguém que esteve de com Incapacidade Temporária para o Trabalho por causa de uma cirurgia à coluna e passava os dias a fazer BTT com os próprios colegas de trabalho.

 

É por situações destas que indagamos do porquê de não termos mais apoios do Estado quando precisamos! Também é por situações destas que muitos já nem sonham com a reforma quando terminarem a sua vida profissional! É por situações como estas que a percentagem que todos os meses nos destrói o salário bruto não vai cessar de aumentar.

 

Um bom exercício, sobretudo para quem tem dificuldades em fazer chegar o salário ao final do mês pode passar por colocar nessas contas a percentagem do que teria a mais se não existissem tantas situações destas... A Justiça Social também se faz assim e ouvindo e apoiando quem "estupidamente" trabalha e paga os seus impostos, os tais que não têm associações, espaço mediático e grupos de pressão a lutar pelos seus direitos e deveres, no fundo, uma larga maioria. Não fica bem abordar estas questões, não é in, mas quando a temática são os nossos impostos, passa a ser uma prioridade e só não o é para quem terá também sempre algo a esconder.

 

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