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sardinhaSemlata

Um espaço de pensamento livre.

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01.08.21

A Vila e a Praia da Arrifana


Robinson Kanes

praia_arrifana.jpgImagens: Robinson Kanes

 

 

Para quê fugir de Aljezur? A comida é boa, as pessoas são simpáticas e o ambiente é óptimo. Por isso, porque não descobrir um dos tesouros de Portugal e do Mundo? A cerca de 10km fica a Praia da Arrifana, considerada uma daquelas praias que vai estar na moda, espero, no entanto, que a capacidade de carga seja acautelada.

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De Aljezur à Praia da Arrifana o caminho, por bicicleta, a pé ou de carro é fantástico. A pé conseguimos caminhar mais perto do mar e refrescar o corpo com a brisa marítima. Para ser perfeito nada como fazer o percurso da Praia do Monte Clérigo, onde podemos apreciar a Praia da Amoreira noutra perspectiva, e seguir em direcção à Arrifana. No total são cerca de 15km que podem ser reduzidos para metade se o automóvel ficar no Monte Clérigo. De carro vamos pelo campo e aí refrescamos o olhar com a companhia do gado e de cães pastores que por ali deambulam e nos fazem parar para umas festas. Além disso, posto que a panorâmica é mais limitada, alimentamos a expectativa da chegada.

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Chegados à Arrifana e temos a sensação de estar a sentir o Mediterrâneo, que já não fica longe. O atlântico ali tem outra força, muito por culpa da baía que protege a praia de ventos e ondas mais tenebrosos. É também nesta povoação que se encontra a famosa “Pedra da Agulha”, localizada no topo sul da praia. A vila piscatória é isso mesmo, uma fotografia viva do mediterrâneo.

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Mas... Chegar à Arrifana e não sentir o cheiro a peixe grelhado é o mesmo que ir a Lisboa e não comer um pastel de nata ou visitar os Jerónimos. O cheiro dos sargos, do carapau da costa, do pargo e dos robalos fazem as delícias de quem gosta de comer um bom peixe. Façam amizades, comprem até o peixe, sobretudo em época baixa, e acabem a degustar uma destas iguarias na casa de algum pescador...

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Mas guardemos os prazeres da gastronomia e vamos à praia... mais que sentir as águas cristalinas que chegam a fazer lembrar as Caraíbas (só que estas mais bonitas), é fundamental apreciar a panorâmica da praia. Uma verdadeira beleza! Rapidamente se percebe porque é que a natureza decidiu criar tal refúgio natural. Acredito que o Infante D. Henrique terá muitas vezes equacionado entre Sagres e a Arrifana, tal é a inspiração que aqui podemos tirar. Temos vontade de invadir o Atlântico e partir em busca de algo.

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Fiquemos por terra e caminhemos mais um pouco pela povoação para chegarmos à Fortaleza da Arrifana (datada de 1635).Paremos e respiremos antes de entrar... É que somos imediatamente transportados para outra dimensão e para uma das mais belas vistas do mundo! Contemplemos, apreciemos a Ponta da Atalaia (onde se encontra um valiosíssimo Ribat Muçulmano (com um cemitério com 900 anos de valor inigualável) e a Praia de Vale Figueiras.

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É impossível não ficar de pé a sentir a brisa marítima no rosto. É impossível deixarmos que os nossos olhos não tomem o controlo da nossa vontade e vagueiem perdidos pelo horizonte. A fortaleza envolve-nos também com a sua história de luta contra o mar e contra o desprezo de muitos durante anos a fio, desde a Marinha ao Ministério das Finanças e um sem número de entidades que não lhe reconheceram o valor histórico. Hoje está recuperada e, mais uma vez, é um miradouro e uma infraestrutura de valor singular. Cada pedra, cada rocha que a sustém é uma prova viva da luta da rocha contra o mar.

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O mar lá em baixo, as vistas de cortar a respiração continuam a fazer-nos deambular e, nem mesmo, o cheiro do sargo grelhado nos afasta desse isolamento uno com a natureza. Deixamos que em nós os versos de Sophia se entranhem no espírito e nessa comunhão com o mar:

 

As ondas quebravam uma a uma

Eu estava só com a areia e com a espuma

Do mar que cantava só para mim.

 

As gaivotas chamam a nossa atenção, é preciso assar o sargo. Paramos no restaurante que se encontra junto à fortaleza e provamos um branco alentejano. Abastecidos de frescura e do sabor do Alentejo, percorremos caminho até perto do pequeno porto de abrigo. É aí que nos espera o peixe grelhado e a companhia inesquecível que farão deste dia, uma recordação única.

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  • Interessante e precioso documento acerca do "Ribat Muçulmano" pode ser descarregado aqui.

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