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sardinhaSemlata

Um espaço de pensamento livre.

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28.03.21

Aben Hácen e Zahara


Robinson Kanes

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Imagem: Robinson Kanes

 

Iniciada a leitura das páginas da “Crónica de la Conquista de Granada”,  de Washington Irving, baseada nos escritos de Frei António Agápida é altura de mergulhar numa época importante da História de Espanha e de toda a Península Ibérica... História do fim da ocupação muçulmana no sul da Europa - as últimas guerras da reconquista cristã.

 

Se em Portugal já andávamos a explorar o continente africano, em Espanha o Reino de Granada, governado pelo rei mouro Muley Aben Hácen, ainda disputava o seu território com os Reis Católicos, Fernando II e Isabel I.

 

Até aqui, nada de novo... o interesse começa quando o soberano mouro deixa de pagar o tributo à coroa espanhola e decide avançar, em primeiro lugar, com as hostilidades. Mais tarde ou mais cedo alguém ia dar o primeiro passo. Também Fernando II, só não avançara porque tinha de gerir as convulsões internas do seu próprio reino e os habituais atritos com os primeiros separatistas que “Espanha” conheceu: os Portugueses.

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E eis que, para minha surpresa, Muley Aben Hácen decide atacar e tomar Zahara de la Sierra, um pueblo andaluz situado no Parque Natural de Grazalema e que faz parte da “Ruta de los Pueblos Blancos”. Esta tomada decorreu de forma vulcânica, com várias mortes e prisioneiros. No regresso a Granada, perante tão sanguinária campanha, muitos foram os que acabaram por antever um cenário negro para o reino: uma espécie de castigo que chegaria muito em breve.

 

Zahara é daquelas imagens que não se esquecem. Da barragem, agora construída, e olhando para aquele pueblo, conseguimos imaginar as forças de Aben Hácen a invadir a fortaleza (conquistada em 1407 aos Mouros) que ainda hoje lá se encontra. Imaginamos os gritos dos seus residentes a ecoarem pelos vales até Arcos de la Frontera, embora a paisagem, tão bucólica, possa levar ao engano. Uma chegada ao amanhecer transmite-nos uma tranquilidade singular, uma espécie de acalmia pós-batalha e cujo cenário jamais permitirá, ao ignorante de tais factos, imaginar a carnificina que ali teve lugar na noite anterior. O principio do fim da presença muçulmana na Península Ibérica começara em Zahara a ser redigido.

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Foi uma agradável surpresa, agora que a neblina magicamente se dissipa e leva com ela os fantasmas da cavalaria árabe. Apercebo-me da importância de tão bonito local, um local que será o primeiro de muitos no que toca às peripécias da Conquista de Granada.

 

Continua no próximo Domingo...

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