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sardinhaSemlata

Um espaço de pensamento livre.

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10.11.20

Admirável Mundo Novo: Os Media e os Discursos, o Castelhano expulso de Espanha e temas sem interesse...


Robinson Kanes

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August Rodin - Monument au Bourgeois de Calais (Pormenor) - Musée Rodin

Imagem: Robinson Kanes

 

 

A loucura é rara nos indivíduos - mas é a regra nos grupos, nos partidos, nos povos, nas épocas.

Friederich Nietzche, in "Para Além do Bem e do Mal".

 

 

Enquanto andamos entretidos com um hipotético radicalismo de Trump, sendo que 95% das pessoas nem conhecem a realidade americana, enterramos a cabeça na areia quando o tema é a Europa. Depois dos conhecimentos futebolísticos, o QI de alguns portugueses terá aumentado com o conhecimento em relação à eleição americana. Aliás, existe um país no mundo que se preocupa mais com as eleições dos Estados Unidos que os próprios, é Portugal. 

 

A febre (sexual?) trumpista, independentemente dos argumentos do cavalheiro serem verdadeiros ou falsos, é passível de ser analisada em relação aos media e até à própria pandemia: nunca até hoje estes mostraram e utilizaram esse poder desta forma, nem em 2016. E o poder não passa apenas pela forma como alguns debitaram alarvidades e revelaram uma total parcialidade informativa, sem falar em fake news. Se por um lado, o "falem mal de mim, mas falem", resulta, por outro pode estar a transportar-nos para um Mundo Novo que nenhum de nós deverá sequer desejar... Para o bem e para o mal, também em Portugal a actual  presidência existe e todos sabemos porquê... O lado bom? Já não há Covid-19 nos Estados Unidos... 

 

Falar da Europa e de Portugal não dá status ou não permite nas conversas de corredor (mesmo em remote work) para dizer que estamos muito preocupados com um fantasma que ninguém sabe muito bem dizer qual é, mas que se dizem nas notícias que é mau, então vamos a isso para não ficar mal perante os grandes líderes, sejam eles quais forem. A inteligência moderna que muitos gostam de chamar a si, uma mão cheia de nada, verdadeiros orgasmos em noites não dormidas para se estar na vanguarda da informação e do conhecimento, mesmo que, por cá, alguns apoiem, bajulem e procurem favores junto de bestas bem piores que Trump. Dignidade à moderna, servida com uma dose de toucinho embrutecido pelo ranço e numa resposta à pergunta de Steinbeck com uma espécie de "que se lixem os princípios, quero é deixar-me levar". Nunca o algo e o seu contrário estiveram tão presentes.

 

Chega a ser alienígena  que os apaixonados pela liberdade e pelo mundo, nem sequer se tenham apercebido que em Espanha o castelhano vai deixar de ser língua oficial e estamos a assistir a um verdadeiro triunfo dos porcos nesse país que é cada vez mais uma espécie de "Quinta dos Animais". O Governo espanhol, encabeçado por um Pedro Sánchez obcecado pelo poder, acabou de viabilizar uma escandalosa proposta da sua Ministra da Educação e com o total apoio da ERC - Esquerda Republicana da Catalunha e do Unidas Podemos - os mesmos que querem acabar com a monarquia e o conceito do que é Espanha, começando pela independência da Catalunha.

 

A proposta não é nada mais nada menos que mais um passo no desmembramento de Espanha - o Castelhano tende a deixar de ser língua oficial e a decisão deste ser ou não ensinado nas escolas ficará a cargo das Comunidades Autónomas e sem qualquer interferência do poder central. Se não conseguimos que o cidadão comum catalão (ou até de outras comunidades) odeie Espanha, vamos fazer Espanha odiar esse cidadão. Imaginem alguém dizer que Portugal deixa de ter o português como língua oficial. Não contente com isto, Isabel Celaá tem empreendido quase numa base semanal alterações ao sistema de ensino e onde a imposição de valores, domínio do Estado e destruição da História tomam parte -  comportamento habitual numa extrema-esquerda e que parece que ainda ninguém tem vontade em perceber. Todos estão a ver a extrema-direita por todo o lado, mas estão a pactuar com a extrema-esquerda e esqueceram o que é ser moderado, uma espécie de Linha Maginot mental... Em Portugal não é diferente, até porque faz escola com muitos maus exemplos do lado de lá da fronteira.

 

Inquietante é assistir ao PP de Casado a abster-se e só o Ciudadanos e o VOX a votarem contra - pasmem-se a posteriori com o crescimento de alguns partidos. Temos os moderados do Ciudadanos e aqueles a quem todos apelidam de extrema-direita (mas sem argumentos que convençam) a favor da unidade de Espanha e a não pactuar uma espécie de cataclismo político e implementação de uma federação comunista na Europa. Será interessante, agora, ver onde andam os criticos de Abascal e aqueles que têm em Casado um senhor, o tal que também tem patrocinado um Sánchez e um Iglesias apátridas numa espécie de caciquismo mortal! O PP em Espanha, o equivalente ao PSD em Portugal, parece pactuar com tudo aquilo que é nefasto para o país: tanto Rio como Casado, irão ser os cangalheiros da Direita moderada na Península Ibérica. A esperança de Espanha poderá estar em Ayuso... A presidente da Comunidad de Madrid parece ser a única figura política no poder a desafiar o comunismo na Península Ibérica - escrevi bem, Península Ibérica.

 

É também em Espanha que o principal "defensor" das mulheres e tão admirado em Portugal, tem o rótulo de "machista" por comportamentos menos próprios em relação às mesmas. A sua esposa, também com uma pasta ministerial e defensora da causa feminista (ainda se lembram das deputadas que levavam os filhos para a Moncloa e mostravam os mesmos a mamar? Isso é passado) foi a primeira a afastar uma deputada do seu próprio partido por estar em baixa de maternidade indo contra a conversa de um Podemos que mudou o discurso assim que chegou ao poder. Não vi manifestações "Floyd Style"... Nem mesmo quando ainda esta semana ficou vincado que em Espanha irá avançar aquilo a que já chama o "Ministério da Verdade", uma espécie de agência pública que filtrará as notícias a bem do combate às fake news... 

 

Os escândalos de corrupção sucedem-se, os ataques ao rei e à unidade de Espanha sucedem-se, no entanto o problema é Trump e os Estados Unidos e o futuro daquele país, que mal ou bem está mais estável que uma Europa em alvoroço e em alguns casos, praticamente sob ataque. Em Espanha continua a tentar-se controlar a Justiça depois do escândalo do Supremo e onde nem as ameaças de queixas na Europa parecem estar a surtir efeito.  Veta-se a mobilidade do rei e no interior do Governo até se pede que este não visite a Catalunha porque não é o soberano daquele "país"! Veremos como reagirá agora o Tribunal Constitucional Espanhol na interpretação do art.3º da Constituição, acerca da questão da língua. E de facto, também estou focado no caso espanhol, mas muito do que aqui escrevi também encaixa em Portugal.

 

Uma coisa é certa, nem nos tempos que antecederam uma Guerra Civil em Espanha se assistiu a tamanha ameça à Democracia e muito menos à própria identidade de Espanha. Como é do conhecimento geral, a Guerra Civil em Espanha foi, além de uma das mais sangretas guerras entre irmãos, o prelúdio para uma guerra na Europa, para o desmembramento de um continente que se queria estável e onde dois poderes "ocultos" ambicionaram desenhar o mapa Europeu, sendo que o revivalismo está aí, mesmo que muitos coloquem um dos lados como um pacífico libertador da Europa. Esquecerão, contudo, que só assim se tornou porque a Alemanha nazi violou o "Pacto Molotov–Ribbentrop" e desencadou a famosa "Operação Barbarossa". Em Portugal não temo revolta, os discursos enfadonhos de Marcelo ainda controlam o povo, que este repete que é sereno, e que implicitamente apelida também de asno e néscio quando se quer atirar as culpas de uma má gestão da crise, seja ela qual for... 

 

As interrupções ao discurso de Trump e consequente chorrilo de ofensas por parte de jornalistas de "renome" não pode colher (independentemente de gostarmos ou não de Donald Trump e de até concordarmos com o argumento) a nossa simpatia. Por cá, já antecipando a falta de tema devido à destituição de Trump, a Visão, pelo mão do seu Editor, já escolheu André Ventura para os próximos tempos... Estranho que esteja mais para aí virada do que para os casos de corrupção que grassam na nossa sociedade e no nosso Governo... Os corajosos do teclado e do comentário chamam a este discurso uma espécie de whataboutism - forma simpática muito utilizada por alguns que adoram debitar conceitos da moda apreendidos no LinkedIn, sentem-se importantes no fundo da sua nulidade e falta de argumento lógico para desacreditar os demais. Não podemos orgulhamente transmitir discursos dignos de um qualquer Tarek Aziz e ao mesmo tempo transformar jornalismo em activismo político eliminando discursos contrários.

 

E finalmente, para que se perceba que também as fronteiras na Europa poderão estar a sofrer uma mudança, foi o discurso de Macron a semana passada, na fronteira com Espanha, onde este exigiu, alicerçado no combate ao terrorismo, que a União Europeia reveja a política fonteiriça interna e externa. Se alguém, durante as noitadas deixou a masturbação intelectual com Trump de lado, terá por certo, assistido a este discurso que mudará a forma como a União Europeia está desenhada, para o bem e para o mal.

 

E é assim que vamos seguindo como Jimmy... Vamos ballando... ballando... numa espécie de dança macabra cujos acordes ainda se farão ouvir por muito tempo e alicerçado num "estímulo-rotina-recompensa". Essa espécie de presente envenenado que deixará marcas para o futuro, sobretudo num mundo afogado em conflitos bélicos e não bélicos que a qualquer momento podem espoletar um terceiro grande conflito mundial.

 

P. S. : ontem foi o aniversário da Queda do Muro de Berlim (por cá passou ao lado, mas foi). Uma memória que muitos não querem que se acabe, para o bem de todos...

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