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sardinhaSemlata

Um espaço de pensamento livre.

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13.02.24

As Empresas Públicas não são Verdadeiramente Públicas, as Empresas Privadas Sim


Bruno

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Imagem: Bruno Nunes dos Santos - Atenas

 

Os recentes casos que envolveram algumas empresas públicas e as ingerências políticas nas mesmas, geraram alguma consternação e até conflitualidade junto da opinião pública. Todavia, é puramente falacioso crer que o facto de uma empresa pública – ou até (inter)municipal - não ser influenciada por um Governo ou partido é uma realidade.

 

No caso português, e não só, o simples facto de ser uma empresa pública permite que as administrações tenham sempre cunho político-partidário e esse cunho se enraíze até às bases da organização. Na generalidade dos casos, aspetos como a meritocracia ou o superior interesse/resultado da ação da empresa pública é secundário em relação ao interesse político. E neste aspeto, cidadãos como nós, pouco ou nada podemos fazer, pelo menos na sociedade em que vivemos e que prefere afastar-se destes temas ou simplesmente opinar aqui e acolá. Não tomo isto como uma critica, mas como uma constatação de factos que caberá a outros opinar sobre a sua adequação ou não. Importa referir que, e não é invenção da minha pessoa, que não elegemos detentores de cargos públicos para nos representarem, mas sim para disporem do poder com o nosso voto.

 

Não obstante, as empresas privadas são verdadeiramente públicas e até o deixam de ser, permitam-me o jogo de palavras, se preferirem viver sob o chapéu público de “proteção”.

 

Se uma empresa ou até uma marca não for ao encontro da vontade dos consumidores, é certo que o poder destes sobre a mesma fazer-se-á sentir: a alternativa será fechar, modelar a estratégia, desenvolver novos produtos e outro sem número de ações que permitam, nos tempos atuais, ir ao encontro do cliente.

 

Longe vão os tempos em que quem ditava as “modas” eram somente as empresas ou as marcas e que atuação destas não era escrutinada (cuidado com os trabalhadores, sustentabilidade…). Também a incompetência de gestão ou até dos processos, terá consequências que não serão cobertas ad aeternum com injeção de mais e mais dinheiro a fundo perdido. As soluções têm de ser rápidas, não raras vezes os consumidores terão de ser ouvidos e com estes a necessidade de se criar uma abordagem e sempre com risco e também muitas vezes sem rede. Negativo? Não! É isto que aumenta também a competitividade das diferentes empresas que, num país eventualmente mais justo, não seriam tão condicionadas pelo Estado que assumiria o seu papel de regulador.

 

Finalmente, também acredito que nas empresas privadas, cada vez mais nos identificamos e sentimos parte das mesmas do que propriamente nas instituições públicas, fruto de um trabalho cada vez maior em favor daquilo que podemos denominar de intrapreneurship . Tendem a ser cada vez mais espaços onde “as pessoas inovam, onde estão confiantes que podem questionar, onde estão mais abertas a mudanças radicais e onde não temem represálias por isso” como sublinha Raghuram Rajan (in “The Tird Pillar”).

 

Quando assim é, não tenhamos a menor dúvida que estamos inclusive a promover as melhores práticas assentes em pilares de Desenvolvimento Sustentável, nomeadamente no “Trabalho Digno e Desenvolvimento Económico”; na “Redução das Desigualdades”; na construção de “Cidades e Comunidades Sustentáveis” e até para a “Paz, Justiça e Desenvolvimento de Instituições mais Fortes”.

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Para ler: “Um Nenhum e Cem Mil” de Luigi Pirandello (mais um livro do mestre) é uma verdadeira comédia, mas também tragédia que começa no nariz de alguém e acaba num rol de peripécias que, mais uma vez, mostra como este senhor estava à frente no seu tempo.

Para assistir: Na Comuna, João Mota continua um senhor imparável, lá estarei para assistir à peça “A Paixão Segundo o Teatro” de Brigitte Jacques-Wajeman. Uma peça para os verdadeiros amantes do teatro, imperdível.

Para ver: Um filme que este fim de semana me deu um banho de realidade, no intervalo de uma ida a Podence abraçar os caretos. De como é a vida, das relações humanas e sem os floreados em que tendemos a cair, mesmo quando procuramos uma história triste. “Vidas Passadas" de Celine Song é verdadeiramente um filme que nos coloca na realidade das relações. Na realidade do mundo moderno e, temendo repetir-me, da vida como ela é. Excelente filme, para “gente adulta”.

Para comer: Quem estiver por Esposende ou mesmo por Braga, pontualmente me encontrará no Foz do Cávado. Comida verdadeiramente tradicional, funcionários, filho do proprietário e o próprio proprietário de uma simpatia singular. Como se atende bem no Norte, e sobretudo em Esposende, até porque nos arredores nem sempre se prima pela simpatia. A comida tem aquele toque caseiro – o Bacalhau à Foz do Cávado, o Arroz de Pato, o Cabrito, os Filetes de Pescada e o Rodovalho ou o Robalo grelhados, fazem a delícia de todos aqueles que visitam o espaço. Cervejaria à antiga, como eu gosto.

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