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sardinhaSemlata

Um espaço de pensamento livre.

sardinhaSemlata

Um espaço de pensamento livre.

19.10.20

Até Quando?


Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

 

 

Olho da janela de minha casa, depois de um almoço em família, para as copas de árvores que circundam a zona onde vivo...

Nessa reflexão existe uma desesperançada esperança maior do que minha alma, centrada nesta mistura de incredulidade que vivemos.

Uma incrédula viagem repleta de desconhecido, como esta frase faz mais sentido do que nunca, onde se perdem afectos, descobrimentos, humanos toques escondidos nesse medo pandémico.

Com o ressurgir de novos casos, por esse mundo a fora, importa centrar as energias naquilo que se torna essencial, pelo menos para mim, ou seja, não perdermos esse querer pelo outro, essa vontade de metaforicamente abraçar, amarrar aqueles que importam.

Neste almoço, nos olhos dos meus, encontro essa serena serenidade que nos retempera, nos alcança, nos amarra.

E se o mundo acabar amanhã?

Desde pequeno que esta inquietação me persegue, talvez pela vulnerabilidade física de minha Mãe, num medo tão imenso como intenso, gigantescamente presente em cada fim de dia, a cada chegada da noite, em cada ausente presença...

Nesse combater quotidiano fui aprendendo a sentir mais e menos, a gerir esses anseios que me perseguiam, em tenra idade, por entre vulnerabilidades e fragilidades, no denominado crescimento de um jovem.

Durante este almoço, sempre acompanhado por uma Playlist do Spotify absolutamente fenomenal, “encalhámos” numa musica de Gabriel o Pensador, Até Quando?, carregada de verdade, de sentido, desse cru escrevinhar tão intemporal...

Por vezes, na aparente diferença encontramos a beleza dimensional da genialidade, como neste caso tão bem se apropria.

As letras, as palavras, pincelam a imensa diferença de uma obra de arte...

Como tão bem faz Gabriel “o Pensador”.

Crua, desmedida, intensamente desnudada, a palavra...

Essa arte de escrever e dizer sem calar, anotar e tracejar sem limites, seja em pop, rock, rap ou na mais pura e idílica declamação de uma poesia.

Renasce em mim a esperança no olhar de meus sobrinhos, nesse querer certo de gente melhor, na curiosa curiosidade de almas novas que anseiam por conhecimento, por beber essa “sabedoria” que lhes permitirá serem pessoas melhores.

E é isso que importa...

Só isso que importa.

O legado...

Esse pedaço de Humanidade despido de preconceitos, de linhas tortas pejadas de dogmatismo, de barreiras intransponíveis repletas desse “ódio” populista que ameaça o horizonte que chega.

Olho da janela de minha casa, depois de um almoço de família, para as copas de árvores que circundam a zona onde vivo...

E tenho esperança.

Uma infinita esperança no admirar desses vindouros que ousam  vislumbrar o mundo como um todo, um gigantesco Globo carregado de pequenas almas, iguais, na sua indisfarçável diferença.

Ouvindo Beatles, Metallica, Rod Stewart, Vinicius de Moraes, Charles Puth, Kate Perry , Cazuza ou Rui Veloso...

Voando pela infinita esperança num mundo melhor.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

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