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sardinhaSemlata

Um espaço de pensamento livre.

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19.12.20

Caldeirada Com Todos... “Pequi”


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Como o Pequi apareceu no SardinhaSemLata?
 
 

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Pequi  árvore - Lilian Brandt                                                                               Pequi flores - Bento Viana 

 

 

Comecemos por algumas definições para não deixar os leitores mais confusos. Estou no Cerrado, a milhas e milhas distantes do oceano. Cerrado é o nome dado às savanas brasileiras caracterizadas por árvores baixas, arbustos espaçados e gramíneas. Presente nos estados de Minas Gerais, Mato Grosso, Bahia, Mato Grosso do Sul, Tocantins e Goiás a principal marca do bioma cerrado são seus arbustos de galhos retorcidos e o clima bem definido, com uma estação chuvosa e outra seca [https://www.infoescola.com/geografia/cerrados/].

O cerrado cobre cerca de 197 milhões de hectares do território brasileiro e a título de comparação teria área similar à de Portugal, Espanha, França, Itália, Suíça, Áustria, Alemanha, Holanda e Bélgica juntos.

Nesse ambiente de galhos retorcidos, existe uma disputa complexa pelos nutrientes. As plantas desenvolveram raízes profundas e bastante ramificadas para sobreviver nesse ambiente [https://www.bbc.com/portuguese/brasil-39391161#:~:text=Barbosa%20afirma%20que%20muitas%20plantas,ra%C3%ADzes%20profundas%20e%20bastante%20ramificadas.&text=Esse%20complexo%20sistema%20radicular%20ret%C3%A9m,as%20plantas%20na%20esta%C3%A7%C3%A3o%20seca.]. Dizem que é uma verdadeira floresta de raízes e é mais um bioma que nós seres humanos estamos destruindo.

O pequi (nome científico: Caryocar brasiliense) é um fruto típico do Cerrado, cuja nomenclatura vem do Tupi e significa “pele espinhenta”. Seu fruto possui o tamanho aproximado de uma maçã e uma casca verde. No seu interior, existe um caroço revestido por uma polpa comestível macia e amarela. Embaixo da polpa há uma camada de espinhos muito finos, por isso ao roer o pequi cozido, é preciso ter cuidado. [http://www.cerratinga.org.br/pequi/].

Muito utilizado na culinária regional em deliciosos pratos como o arroz com pequi, ou ainda como tempero, em conserva e como matéria-prima para a produção de licores, sorvetes e ração para animais, o pequi é um fruto muito versátil. Sua polpa tem o dobro de vitamina C de uma laranja e é rico também em vitaminas A, E e carotenóides. Tais fatores tornam o fruto um aliado no combate ao envelhecimento e na prevenção às doenças associadas à visão. [http://www.cerratinga.org.br/pequi/].

Eu nasci e vivi nesse ambiente onde vez e sempre o pequi aparece à mesa. Só fui alfabetizado aos sete anos. Morei em algumas cidades que de tão pequenas não eram citadas nos mapas. As estradas eram de terra e muito comum o capim roçar a parte de baixo do veículo. Pontes até existiam, só que o comum eram as pinguelas (uma ponte improvisada com tábuas de madeira formando duas trilhas por onde as rodas devem seguir) ou balsas no caso dos rios maiores. Não existia televisão, telefone e até mesmo a energia elétrica era racionada. Tinha o rádio, ainda com amplitude modulada (AM).

Cedo me apaixonei pela leitura, mas não dessa leitura dos livros de romance. Comecei com revistas em quadrinhos e não sei exatamente por qual motivo, passei a me interessar por biografias e mais tarde por notícias.

Não devo esquecer que o objetivo é chegar até o Sardinha Sem Lata...

O tempo foi passando e ficando cada vez mais fácil ter acesso a notícias e começou a ser exigido uma pesquisa, um pouco sofisticada eu diria, para tentar extrair a verdade da notícia. Se é que isso seja possível! Raízes profundas em solo pobre de nutrientes.

Eu sempre li muito, no entanto eu não falava e tínhamos uma convivência pacífica. Então a polarização começou a se intensificar e aqueles que nunca leem se deram ao direito de me importunar com mensagens e mais mensagens – na verdade “zilhões” de mensagens mal escritas, mal interpretadas e de maldade explícita. Isso deixou-me perturbado porque cada mensagem exigia uma pesquisa para confirmá-las (a minoria) ou desconstruí-las (a imensa maioria). Entrei numa paranoia e decidi me afastar de todos. Sem facebook, nem instagram, nem grupos de whatsapp...

Não escrevi no início, mas uma das características do cerrado é ser aparentemente destruído pelo fogo e renascer esplendoroso. [https://www2.ibb.unesp.br/departamentos/Educacao/Trabalhos/coisasdecerrado/FOGO/fogodocerrado.htm].

Entendi que não só meus amigos e familiares estavam contaminados, mas toda a mídia. Passei a observar de onde vinham as fontes de notícia e claramente em fonte brasileira uma notícia não passa de dois parágrafos (será preguiça ou falta de honestidade?) e percebi que existiam agências estrangeiras que escreviam sobre o Brasil e para o Brasil. Agências da Inglaterra, da Espanha, da Itália, da Rússia, da China, da Alemanha. Duvido que encontre algum artigo de Eliane Brum, brasileira, no El País com menos de dez parágrafos. [https://brasil.elpais.com/noticias/eliane-brum/]

Nessa busca por notícias do Brasil no exterior acabei encontrando o Sapo. Não é como os outros que estão no Brasil gerando notícias daqui, só que os artigos de opinião são interessantes e comecei a ler e a admirar a forma como os portugueses escrevem e com um humor que me encanta.

Destaco um que nunca esqueço: As despedidas dos portugueses por Manuel Cardoso [https://24.sapo.pt/opiniao/artigos/as-despedidas-dos-portugueses].

Tive que ler para minha esposa e perguntar a ela se conhecia alguém assim? Depois ao meu cunhado cuja aposta sempre foi conseguir sair antes da quinta despedida. “Marido, vamos embora?”. “Vamos! Já despediu?”. “Sim. Duas vezes!”. “Cunhado, podemos terminar a rodada de cartas, ainda estão na segunda despedida, temos muito tempo ainda!”. “Sim, temos muito, a minha ainda nem chamou para despedirmos.”

Do Sapo para o Sardinha foi um bocado de tempo. Eu diria uns 3 anos. De repente aparece na minha tela uma tal “A Birra do Menino Trump” por JB [https://sardinhasemlata.blogs.sapo.pt/a-birra-do-menino-trump-70755]. Foi como amor à primeira vista por esse blogue. Comecei anônimo e insistiram para que eu tivesse um nome. Então comecei a pensar em algo que nos unisse. Algo como Pequi com Sardinha. Um prato estranho, no entanto, pesquisar na internet é algo que está intrínseco ao meu caráter. Digitei “Pequi com Sardinha” e de cara, a primeira opção [https://gomesdacosta.com.br/receitas/arroz-com-pequi/]. Incrível! Minha ideia não era assim tão absurda. Escolhi Pequi Sardinha.

Assinei Pequi Sardinha alguns comentários. Não me senti confortável. Queria muito ser um Sardinha, mas isso teria que vir de um Sardinha, não de mim. Além do mais, os Sardinhas escrevem muito bem e eu sou só um leitor, não o escritor. Ocultei o Sardinha e passei a ser o chato que importuna o JB, o Robinson Kanes, o Filipe, a Sarin, o Triptofano e todos aqueles que gostam de ler os comentários. Aliás, os maiores e com maior frequência são os meus, com certeza. Tirei um artigo esquecido do Robinson Kanes e o coloquei na lista dos “Na Brasa” – subverti o algoritmo dos Sardinhas. Mil desculpas a todos!

Fui muito bem recebido e em diferentes momentos. Mesmo nos instantes das divergências e na possibilidade de um mal entendido pelas nossas experiências tão distintas. Tem sido uma terapia ler e interagir com esse cardume de Sardinhas. Muito obrigado!

Obrigado por tantas leituras maravilhosas que proporcionaram e proporcionam muita alegria e aprendizado. Obrigado pela receptividade. Obrigado pela interatividade. Obrigado pela paciência. E de repente um desejo enorme de um dia visitar Portugal e quem sabe ter a oportunidade de conhecer essas figuras mitológicas e inoxidáveis que agora fazem parte do meu cotidiano.

Aos comentaristas, roam com cuidado, por baixo da polpa o pequi possui muitos espinhos!

 

 

Pequi

 

 

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