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sardinhaSemlata

Um espaço de pensamento livre.

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05.07.21

Da Janela De Minha Casa…


Filipe Vaz Correia

 

 

 

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Sentei-me diante das enormes janelas que tem a minha sala de estar, olhando para o lado de fora que se "esconde" na realidade do dia a dia.

Um semi-quadrado de janelas, de prédios, de gente...

Roupa estendida, vento, árvores e plantas, jarrões e limoeiros, vidas que passam ali ao lado, num espaço tão curto e ao mesmo tempo tão distante, tão ausente e tão presente, tão carregado de tudos e de nadas.

Numas janelas moram caras conhecidas, outras ainda mais conhecidas, tantas desconhecidas, rostos que se cruzam mas que não se olham, que se olham mas não se entrelaçam, que se...

Toalhas de praia ou de banho estendidas, almofadas a arejar, calças, meias e afins, servindo de prova a vidas comuns, a vida da gente no soletrar de cada letra.

Em frente, as janelas descerradas marcam a ausência de um querido Sportinguista que me habituei a cumprimentar no café, no supermercado, na papelaria, na pastelaria Londres.

Há meses que o deixei de ver, a ele e à sua mulher...

Naquela casa nem sinal de vida, há bastante tempo, o que me faz pensar, enquanto escrevo estas linhas, na fragilidade desta essência que nos compõe, nessa partilha que sendo efémera nos parece tão segura, mesmo sendo, absolutamente, tão frágil.

Na bancada junto à janela da minha sala de estar, um conjunto de retratos, meus e da minha mulher, de sobrinhos, de amigos e da família que partiu...

Retratos dos nossos que um dia por aqui andaram, com os seus receios e medos, momentos e questões em tempos diferentes mas caminhando sobre as mesmas eternas interrogações.

Livros e mais livros se abeiram de mim, aos meus pés, circundando o cadeirão de palhinha onde me encontro sentado a vos escrever estas linhas.

Bem...

Já vai longo este pedaço de conversa, por isso me despeço nesta SardinhaSemlata de Segunda-feira, tentando perceber o que os meus caros amigos possam ver da janela de vossas casas, nesse espaço que vos rodeia, nos olhares daqueles com quem se cruzam.

 

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

 

 

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