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sardinhaSemlata

Um espaço de pensamento livre.

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07.04.20

Das Tolerâncias de Ponto até à Pirataria...


Robinson Kanes

Robinson_kanes.jpg

Imagem: Robinson Kanes

 

O céu é de todos e este mundo de quem mais apanha.

Raúl Brandão, in " A Farsa"

 

Com o desgaste provocado pelo vírus e pela apatia cerebral provocada pela Netflix, sobretudo na cabeça dos portugueses, começamos a regressar à normalidade e aos atropelos habituais de um certo Estado Democrático lá para os confins da Ibéria.

 

Começo pelas tolerâncias de ponto, esse tópico que sempre foi uma regalia para uns e uma miragem para outros. Pergunto-me se faz sentido aplicar essa mesma tolerância neste momento, sobretudo quando muitos funcionários públicos estão em regime de home-office (estranho que finalmente agora se utilize a expressão tele-trabalho), sem o layoff e com emprego garantido. "Entendo" que uma das preocupações dos partidos à esquerda seja já o congelamento dos salários destes funcionários, mas não é motivo para tolerâncias, sobretudo para permitirem que nas datas em que não se pode circular entre concelhos, muitos destes funcionários se possam antecipar e assim dar a volta às próprias emanações do Executivo. E dois dias? Além de ser uma falta de respeito para os demais funcionários públicos que ficarão a trabalhar é também um desrespeito aos demais portugueses que perderam o emprego, que perderão o emprego e que, quer queiramos quer não, com tudo o que isso possa ter de bom e de mau, continuem a suportar a máquina pública - que em muitas áreas também devolve o investimento.

 

É fácil ouvir os arautos da política, de uma certa dependência pública e até de uma certa onda da comunicação social (e até desportiva e cultural) opinarem e darem conselhos, partilharem os seus exemplos... Sobretudo porque não sofreram as restrições que muitos estarão a sofrer. O "fique em casa" é muito interessante quando o meu ordenado não sofre alterações e o meu trabalho não depende dos resultados nem da produção da minha organização... Mas alargar uma tolerância de ponto a este extremo, só mesmo ao nível da legislação que protege os funcionários públicos do despedimento (mesmo quando praticam crimes) e até estabelece um salário mínimo acima dos demais mortais...

 

A união dos portugueses não se faz assim, e senhor Presidente e senhor Primeiro-Ministro, cuidado com a mola...

 

Finalmente, fiquei sensibilizado com a união da imprensa em geral, em relação à pirataria. Ainda percebo aqueles leem ou veem muitos media nacionais, já pagar por isso e até praticar pirataria, é algo que me coloca a pensar como é que se arrisca tanto por tão pouco. Sugiro a este grupo que combate a pirataria e sempre que vê os seus podres a descoberto invoca a sagrada e incostestável liberdade de imprensa (e de inventar) que se debata acerca das fake news, da liberdade de escrita de muitos que tentam desempenhar a função de jornalistas (já poucos...) e das pressões que são exercidas para que... Ainda no dia 02 de Abril, uma das revistas cuja directora mais se envolveu no combate à pirataria, publicava com o seguinte título "Covid-19: as imagens impressionantes das filas nos supermercados em Lisboa", uma reportagem com algumas fotografias que só podem ser de alguém que nunca havia saído do Rendo e veio a Lisboa pela primeira vez. Só de alguém que nunca saiu à rua em Lisboa ou até em qualquer cidade deste país!

 

E enquanto fiquei a pensar porque é que me lembrei de pirataria e de determinadas decisões políticas em simultâneo, o vírus começa a dar sinais de abrandamento, no entanto, existem outras viroses que já se tornaram doenças crónicas.

 

P.S.: neste mesmo dia, em 1994 tinha início uma data sangrenta da nossa História... O genocídio no Ruanda.

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