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sardinhaSemlata

Um espaço de pensamento livre.

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15.06.21

Ditadura Portuguesa 2.0


Robinson Kanes

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Créditos: Image by wal_172619 from Pixabay 

 

O proletariado do "antigamente" possuía muitas coisas que os pobres de hoje já não têm: uma imagem clara e reconhecida do inimigo, válido para todos, uma consciência de classe, verdadeiros adversários e, em muitos casos, até uma cultura própria (...) O pobre de ontem era o sujeito da História (pelo contrário) o pobre moderno na Europa unida, pouco mais é que a vítima das circunstâncias. O seu antecessor estava na periferia da sociedade, ele está de fora.

Gabor Steingart, in "O Conflito Global ou a Guerra da Prosperidade

 

E pensar que nasci muitos anos depois do 25 de Abril e que tudo aquilo que li e ouvi, de bom e de mau, era uma coisa do passado e uma lição para o futuro, mas contrariamente ao que se esperava... o mundo nem sempre se renova e agora estamos perante uma espécie de ditadura 2.0.

 

Na ditadura 2.0, uma câmara municipal tem o poder de fotografar e recolher dados pessoais de manifestantes e enviar os mesmos para regimes opressivos. A Rússia é certo, mas consta que Israel, Venezuela e China também estão no lote... tudo goodfellas. Por falar em goodfellas, a câmara que é dominada (como tantas outras) pelos Salgado, vários construtores e um pequeno tirano que, por sorte, tem um povo que lhe dá votos parece ficar intacta neste episódio. Se fossemos tão céleres a partilhar informações criminais como partilhamos estas, o mundo era mais seguro. Mas Lisboa era a cidade exemplo e que, qual casa de bonecas, quando fica sem turistas só tem bafio e alguns residentes com "visto gold". Portugal é também o país acolhedor e democrático, que recebe tudo e todos e depois, na penumbra, fornece os dados desses mesmos desgraçados para que alguém desvie um avião para os deter ou simplesmente os faça desaparecer por "acidente". Esta situação não só é de extrema gravidade como deve fazer com que portugueses e não portugueses tenham medo de viver em Portugal. País pacífico à beira-mar plantado, dizem eles... Chamem o Saeed al-Sahaf português, vulgo Augusto Santos Silva. Sempre que esta espécie de antigo Ministro da Propaganda Iraquiano dos tempos de Saddam sobe ao palco, tem o estranho poder de calar a comunicação social, independentemente da pasta que ocupe. É algo que também me custa a perceber, mas deverá ser por isso que, sempre que o Governo é socialista, esta figura lá surge a ocupar uma pasta, não importa qual... É preciso que lá esteja e profira o seu habitual "assunto encerrado". Também é importante que os portugueses percebam, que talvez a forma como muitos compatriotas seus "desaparecem" porque ousam dizer o contrário pode ser consequência deste tipo de processos - a famosa ostracização nacional... Isso e o esquecimento de muitos casos que fariam um Frank Costello parecer uma criança que roubava berlindes.

 

A forma como, mais uma vez, se tenta abafar este caso (que já era do conhecimento de dois Ministérios) é vergonhosa... E claro está, os do costume viram a cara para o lado entre uma selfie e outra. Doa a quem doer, dizia um... Doa a quem doer, mas desde Pedrogão, passando por Tancos, por Procuradores Europeus e tantas outras vergonhas, parece que ainda ninguém se queixou das dores. Já vi regimes serem apelidados de ditatoriais por muito menos.

 

Também nesta nova ditadura bolivariana tuga style, encontramos um certo mor com os tiques ditatoriais, sobretudo agora que renovou mandato, a cuspir literalmente na cara dos especialistas em saúde pública ao afirmar que não voltará atrás no desconfinamento e que estes - a machadada final - não governam! O tom agressivo, e algo estranho (aqueles esgares, a forma como movimenta os olhos e a cena da baba com um presidente chinês deixam-me sempre a pensar que algo não está bem) como proferiu esta mensagem dá que pensar. Então mas não foram os mesmos especialistas, escolhidos a dedo para partilharem aquilo que um Governo e um Presidente queriam que fosse dito, que em tempos eram a desculpa para a tomada de decisões que restringiram a liberdade dos portugueses como nunca antes se tinha visto? Sangue luso tem, isso é inegável: a forma como usa e abusa quando é da sua conveniência e quando já não precisa, cospe e trai aqueles que o serviram é notória... Temo que muitos, tirando aqueles especialistas que gostam de viver à sombra da política e acatam tudo com um sorriso na esperança de um cargo elevado, possam emigrar como tantos outros portugueses emigraram porque não têm mentalidade para provincianismos, traições e humilhações públicas - por muito que procurem dar o seu melhor.

 

Por falar em emigrantes... Enquanto em Portugal três figuras de Estado se pavoneavam de terem feito Espanha voltar atrás na decisão de fechar fronteiras com Portugal, o verdadeiro obreiro, o Embaixador Português em Madrid, era reconhecido pelo país vizinho e entrevistado na Rádio Nacional. Uma coisa que muitos portugueses compreendem bem, por cá o círculo é fechado...

 

Por estes dias, é bom que se utilize o Euro 2020, o Fernando Alvim (agora percebo porque é que este indivíduo está em todas, apesar de décadas promoção da sabujice, da má utilização da língua portuguesa e da falta de educação), a filha do Dr. Cautela (o dentista das celebridades, diz-se) que embora não tenha grande jeito para a coisa e envergonhe o país quando é anfitriã numa cimeira virtual da União Europeia (apesar da tentativa falhada de banho de loja intelectual como em tempos se fez à senhora Guimarães) e quando surge a esbanjar os nossos impostos - sempre é uma porta estandarte do status quo para atirar areia para os olhos dos portugueses. Tragam também um Araújo Pereira e um Faro para inventar umas coisas sobre homofobia, transexualidade, feminismo ou a chamarem fascistas a quem diga "não, eu penso de outra forma". Também ajuda a distrair... Ou então toda uma certa malta que anda na RTP (e não só) a receber milhares por mês para promover a inutilidade, a imbecilidade nacional e com isso ainda gozar com a cara de quem, alegremente, lhes paga esses salários milionários.  E por pouco me esquecia... Utilizem também um certo Adão e Silva, pelo que vai ganhar por mês, e tendo em conta o tempo que falta para os 50 anos do 25 de Abril, terá tempo de sobra para continuar, subtilmente, a fazer propaganda a este novo (antigo?) regime.

 

Sugiro já que se comecem a fazer os preparativos para a celebração dos mil anos da nacionalidade em 2143. Até já tenho sugestões para essas funções: Ricardo Costa, eventualmente Francisco Louçã (embora veja Portugal como parte da extinta URSS) ou então José Sócrates.

 

Por vezes dá que pensar... Se no ar anda o SARS CoV-2 ou um outro vírus que adormece os portugueses. Em tempos alguém com quem privei parecia adivinhar: se existirem jantaradas, espaços para esquemas e fugas a impostos, promoção da nulidade, palco para show off e brinquedos caros, os portugueses abdicam de toda a sua inteligência, liberdade e até enviam os pais para um campo de concentração de forma voluntária. Honestamente, eu não acredito que assim seja (pelo menos de forma massificada) esta lógica de video meliora proboque, deteriora sequor... Só desconfio é que os verdadeiros portugueses estejam adormecidos, são muitos, e quando acordarem, já não controlem os tentáculos deste polvo cujas ventosas sugam e destroem Portugal.

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Para quem quiser assistir: é já dia 26 de Junho que arranca o Tour de France. Prova rainha do ciclismo mundial, consegue apaixonar ciclistas e não ciclistas por esse mundo fora. Vamos ver se ainda consigo acompanhar a 13ª etapa entre Nîmes e Carcassone.

Para quem quiser ver e ouvir:  Isabel Días Ayuso, no passado dia 10 de Junho, mostrou-se no programa da TeleCinco "Mi casa es la tuya". Sem rodeios, para o bem e para o mal, Ayuso mostrou ser uma política e mulher dos tempos modernos. Longe do bafio e da provincianismo dos políticos lusos, e sobretudo das mulheres políticas lusas, talvez possa servir de exemplo para alguns que encaixam esse grupo.

Para acompanhar: semana de eleições no Irão. Existe o medo do ultra-conservadorismo num país que tem tudo para ser uma das grandes potências mundiais, não só em termos de recursos naturais, mas também capacidade intelectual e comércio. Os iranianos estão desejosos de começar a colocar em prática aquilo que tornou a Pérsia num dos impérios mais brilhantes da História.

Para quem quiser ler:uma ótima leitura para ficar a conhecer a corrente política turca encetada por Erdogan. "Erdogan's Empire: Turkey and the Politics of the Middle East" mostra-nos a sede de transformação deste política e a ideia de voltar a colocar a Turquia como uma potência regional, apagando os vestígios da queda do Império Otomano. Também intra-fronteiras, Soner Çağaptay transporta-nos para a Turquia actual e oscilante entre uma Democracia e um poder quase autoritário e que se fortalece quotidiana e perigosamente.

Para quem quiser ouvir: a sonoridade do argentino Federico Aubele dá-nos a banda sonora ideal para acompanhar uma meia tarde com toques latinos. Eclético, tem também temas que não me encantam, mas os que nos apaixonam facilmente nos fazem esquecer os outros. Deixo "Contigo" para nos acompanhar num Bacardi com gelo e limão.

Para quem quiser comer e beber: por esta semana regressei ao "Foz do Cávado" em Esposende. Não embarquei no famoso Arroz de Pato, nem no habitual Rodovalho Grelhado mas fiquei-me por um robalo. Na esplanada, e quando o vento do estuário desaparece, tem-se um início de noite bem agradável. Para beber, uma bela pomada branca com a uva de ouro, um "Quinta do Gradil Chardonnay 2019". Fresco e bom, só não é fofo.

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