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sardinhaSemlata

Um espaço de pensamento livre.

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20.07.21

Ditadura Portuguesa 3.0


Robinson Kanes

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Imagem: Viktar Masalovich por Pixabay 

 

 

Temo estar a entrar num registo de criar cadernos e correr o risco de, aquilo que começou como "Ditadura Portuguesa 2.0", se transformar num longo périplo digno de uma republica bolivariana da América do Sul.

 

Falando em América, é no centro deste continente que a questão cubana tem levantado algumas questões sendo que, por cá, vários são os partidos democráticos (alguns no poder) que exaltam a ditadura cubana e até a colocam como um dos grandes feitos políticos do século XX e consequentemente do século XXI - isso tem de nos assustar, pois alguns estão no poder, sublinho. São os mesmos que querem fazer desaparecer indivíduos aos quais colocam de imediato o rótulo de fascistas quando ousam apenas dizer: " o vosso pensamento é pouco totalitarista, não?" ou então algo como "não concordo convosco".

 

Mas voltando à ditadura provinciana que quer ser bolivariana, não é de estranhar que um Presidente da República, em viagem a Luanda, ainda tenha de se justificar da encenação do salvamento do passado Verão no Algarve? E logo num país estrangeiro? Se não foi, ainda não entendo porque é que Marcelo não digeriu esse acontecimento e procura mostrar, passados quase 365 dias, que tal foi mesmo uma coincidência. Este é também o presidente que decidiu, perante uma decisão do Tribunal Constitucional que não lhe foi favorável, telefonar para os canais de televisão (se não é inédito e pouco, enfim...) durante os telejornais da noite, como a correr atrás do prejuízo (lembram-se da metáfora do falem bem de mim, falem bem de mim? E um presidente a telefonar para redações televisivas para controlar notícias que o deixam mal na fotografia!) para dizer que não perdeu e até ganhou, pelo menos enquanto a lei prevaleceu. Marcelo vê o cargo como um "eu ganho, eu perco"... Infelizmente, perde o país, mas a História encarrregar-se-á de mostrar isso, pena que tarde e até lá andemos a reboque de um indivíduo que não tem qualquer sentido de Estado e procura ser um egocentrico rei sol - dará voltas Luís XIV depois de eu ter feito esta infeliz comparação para a sua pessoa.

 

É também na ditadura provinciana que uma má gestão de um ministério que varreu para baixo do tapete as recomendações da Polícia e da Direção Geral da Saúde (DGS), acabando por atirar as culpas da sua incompetência para a primeira, e tendo caído mal, dispara na direcção de um clube de futebol. O Ministério do atropela e foge... Esta tendência que a pandemia trouxe, mostra que tudo o que falha em Portugal é sempre de alguém mas nunca do Governo ou de um grupo de partidos e respectivos caciques... Normalmente é do "povo estúpido" que parece apreciar. A verdade é que a mordaça é tal que as forças polícias já preferem não intervir em algumas situações - não vá um ministro e um presidente pedir a prisão daqueles que lutam pela ordem enquanto tiram fotografias com os criminosos.

 

Esta é também a ditadura provinciana onde o Ministro do Ambiente (mais um que anda de carro elétrico para a televisão, mas de alta cilindrada a gasóleo quando as cameras não estão) circula a mais 200km/h mas diz não ter dado por nada... Percebe-se porque é que gosta de fazer estradas nacionais a 160km/h enquanto quer intervir na actividade privada das gasolineiras, as mesmas que servem de intermediário para que este retire 60% em imposto do valor que o consumidor paga! Controle-se o mercado, mas qual Xerife de Nottingham os impostos que "nos" alimentam que fiquem. Também não me parece que os portugueses estejam muito preocupados... Pedir a um produtor (ou até intermediário) que baixe as margens quando ficamos com 60% do valor é, no mínimo, obsceno.

 

E é também a esposa do Ministro da Administração Interna que corrige as suas próprias "avaliações" acrescenta argumentos e decide como é de modo a consumir mais um cargo na sua eterna dependência do Estado. Se isto não é viver numa ditadura, então sugiro que se reveja o conceito, já que parece estar em voga que alguma ciência ande ao serviço da agenda política. Faz-me lembrar tantas coisas e até um certo procurador europeu.

 

Por enquanto, lá vamos espalhando o medo por um lado e idiotices pelo outro, nos jornais, na televisão do Estado e não só (já viram quanto pagam os contribuintes a nulidades impostas como Filomena Cautela e um indivíduo de nome Palmeirim?) as coisas vão andando, ou talvez não... Temo que o "Ditadura Portuguesa 4.0" não tarde muito...

 

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Dois lamentos: a morte de Rafaella Carra, um passado que se apaga e que via ao longe lá por casa.  A morte de Gay de Liébana, um economista que me ensinou muito e que nos últimos tempos nos abriu muito os olhos.

Para quem quiser ler: o último livro de Gay de Liébana, escrito com Yayo Herrero, "Adelante: Solo existe el futuro. Y es nuestro". Uma interessante análise do hoje tendo em vista o amanhã... Medo é o que não queremos para o futuro.

Para quem quiser ouvir: Não é propriamente um hino, mas hoje terá de passar por aqui. Rafaella Carrá com "Fatalitá".

Para quem quiser comer e beber: a bom preço, com simpatia e com uma francesinha que merece a pena. O "Oh Lá Lá" em Braga vale a visita. Conheci-o quando noite dentro, ainda com os confinamentos mais extremos, me encontrava na A1 a vir de Lisboa. Esperaram por mim, apesar do enorme atraso... Uma francesinha, gelado e uma sangria de espumante à maneira... Excelente take away e no restaurante ainda é melhor. Para beber, uma sugestão que me deram em La Spezia... A proprietária do hotel era de Manarola e sugeriu-me o "Cinque Terre Bianco Vigne Alte Bianco". Nunca mais o larguei e ainda hoje vou mantendo o contacto... e as garrafas.

Para quem lá quiser passar: na Casa do Turismo em Setúbal, o Setúbal Wine & Culture, apresentará todas as quintas-feiras de Agosto e a primeira de Setembro, uma seleção de provas vínicas com os produtores da região. Um espaço fantástico e bom vinho, que se pode querer mais? 

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