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sardinhaSemlata

Um espaço de pensamento livre.

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02.06.20

Do Racismo e da Homofobia, eles estão em todo o lado! Não!


Robinson Kanes

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Créditos: https://www.vision.org/philosophy-ideas-propaganda-and-manipulation-2799

 

 

As verdades úteis já são conhecidas desde há muitos séculos e se elas hoje são apresentadas como novas é porque os homens ainda não aceitaram. As verdades úteis ainda desconhecidas sê-lo-ão para sempre.

Vergílio Ferreira, in "Em Nome da Terra"

 

 

Antes de iniciar este texto, importa referir que para mim um cidadão é um cidadão, independentemente do que quer que seja. Desde que não atente contra a lei e respeitando os outros, pode ser/seja o que quiser ou o que lhe tiver saído na saudável lotaria da natureza. Antes de iniciar este texto, longe do dito mundo desenvolvido, friso também que existem países onde o racismo e a homofobia são ainda um grave problema.



São aqueles que muitas vezes dizem proteger o povo e os mais vulneráveis os mesmos que nas cadeiras da esplanada ou em jantares privados são os primeiros a dizer que o povo não percebe nada, que é iletrado e por isso os "messias" (eles) são sempre uma necessidade para exaltar o conhecimento. De facto, ao ler e ver algumas coisas, "ainda bem que o povo é iletrado" para não ter de sofrer com os riscos de uma desinformação e verborreia que pode acabar mal no longo prazo, sobretudo para aqueles que os primeiros dizem querer proteger. E se o povo lê este espaço, também deve reconsiderar sob pena de vir a sofrer de graves transtornos emocionais.


Tem sido uma moda, até porque é preciso escrever/falar sobre algo, espalhar que o povo português é racista, fascista e homofóbico - a xenofobia tirou férias, o totalitarismo de uma certa corrente também e ainda ninguém deve ter reparado mas somos um povo tendencialmente de esquerda, aliás, um dos poucos na Europa. Afirmar que somos fascistas é dar um tiro no pé - o que dizer se andarem em Pavia (e não é a do Alentejo) e tiverem legalmente um indivíduo a entregar-vos propaganda fascista e anti-imigração.

Leio nos escaparates coisas como o "ódio anda nas ruas", como se em cada português existisse uma besta que ao ver um preto, um cigano ou gay (posso dizer isto?) teria como primeira reacção um apedrejamento ou tiro de caçadeira no lombo. Dito em tom sério com toques de  humor, para não dar probl€ma$ a quem escreve ou fala, a mensagem vai passando. Alguns até vão mais longe e colocam os indivíduos de "fato e gravata" como os grandes racistas, fascistas e homofóbicos deste país! Também uso fato e gravata e começo a pensar se devo passar a ter um ar sabujo, deixar crescer a barba só porque sim e debitar vernáculo e um monte de tretas passado a imagem que sou um profissional de topo. Quando alguém chega ao cúmulo de escrever isto e ainda ter tempo de antena, está tudo dito... Eu também escrevo barbaridades, mas a mim ninguém dá grande importância, menos mal.

Em relação ao racismo, não sei em que mundo tenebroso, longe dos bairros problemáticos vivem estes indivíduos, pois não vejo racismo nesses mesmos bairros, nas zonas mais perto, nos transportes e em muitos espaços públicos! Aliás, além de em alguns casos ver medo na cara dos potenciais racistas, vejo é uma palavra que os defensores da paz odeiam: paz. Vejo desconforto com o discurso utilizado de que o racismo está em todo o lado e sempre que algo acontece e que envolve indivíduos de determinadas etnias, por intermédio das vozes que se levantam em defesa de coisas que não são defensáveis, inclusive causando na vitima a sensação de que é ele, isso sim, o criminoso. O ódio anda nas ruas, tenham cuidado... Não vão trabalhar que ainda vão ser agredidos, procurem conforto junto daqueles que vos defendem mas jamais ousarão viver junto de vós ou até vos arranjam trabalho como... empregados de limpeza, que não é desprestigio nenhum, convenhamos. O ódio está em todo o lado! Pelo menos é o que se diz por aí.

Um outro argumento, muito utilizado pelos falsificadores da verdade é o ódio nas redes sociais! Caríssimos, o meu conselho é que deixem o computador, o vosso quarto, a vossa redacção e saiam à rua. Eu sei que é mais fácil manipular e levar à nossa avante, mesmo suportados por subterfúgios mediáticos, através das redes sociais, mas se abandonarem esse terreno e respirarem o ar da rua, aposto que vão ver um mundo diferente - se querem utilizar as redes sociais, utilizem-nas para contornar a crise e criarem novas ferramentas económicas e sociais que gerem bem-estar. Saiam é da vossa zona de conforto e conheçam outras pessoas além daqueles que vos dizem sempre que sim ou que é preciso manter por perto para vos salvaguardar aquele espaço no jornal. Já agora, e perdoem a altivez do "já agora", cumprimentem as pessoas negras que vos limpam o chão, dois dos maiores anti-racistas da nação nem isso fazem, ou não fizeram...

A última palavra fica para o discurso da homofobia.
É interessante ver o discurso do "se chove é mau para quem é gay" (desculpem não utilizar a designação LGBTIZOIRPORNROXMGDVXCHTRRABWRBRWSFBRBSRGBGTGEAHRUJYNBRWS+), "se o Coronavirus anda por aí é mau para quem é gay", "se não se pode ir trabalhar é mau para quem é gay". Não é mau, e se algo é mau existe uma lei e formas de fazer valer os nossos direitos e não é nas redes sociais. Quem se sentir discriminado tem múltiplas formas de fazer com que aqueles que atentam contra a sua liberdade sejam punidos. Fico com a sensação que só eu conheço gays, e não são poucos, que estão bem com a sua sexualidade e não se preocupam em andar constantemente a apregoar que o são e que têm direitos e afins - têm direitos como qualquer um, são cidadãos como eu, nem mais nem menos. Já nem falo do "sair do armário", uma expressão totalmente infeliz e que não abona a favor da causa.

Temo também até, que potenciais vitimas se sintam inibidas de denunciar ou pedir apoio, pois muito se fala, mas poucas alternativas são dadas e pouca sensibilização é feita, sensibilização essa que tem de ir além do nós e os outros! Neste terreno não existem outros, existimos nós, sob pena de defendermos uma coisa e o seu contrário quando debitamos (agora menos, estranhamente) "todos diferentes, todos iguais". Nunca vi querer tanta igualdade com tanto discurso para marcar a diferença.

Uma das regras base para ultrapassar a situação é a primeira a não ser respeitada pelos hipotéticos defensores da causa: colocar constantemente o indivíduo "lesado" como a vítima. O processo de vitimização é a base para que muitos não consigam ultrapassar determinadas situações. Quem defende a constante vitimização vendo terror onde não existe, não tem a mínima noção de como pode resolver o problema e por isso também o alimenta, as associações precisam de dinheiro e na sua igualdade não pretendem abdicar do lugar reservado (e sempre desocupado) que possuem na Rua dos Fanqueiros (praticamente no Terreiro do Paço) em detrimento daqueles que não têm lugar cativo para fazer as cargas e descargas para o seu trabalho diário. Viva a igualdade! Afinal, quanto maior é a causa, mais ela é susceptível de oferecer asilo à hipocrisia e à mentira, já dizia Malraux na sua "Esperança". 


Mais do que "dar nas vistas" e alimentar, erradamente, modas, é garantir que os direitos são respeitados e isso faz-se no dia-a-dia, na rua, nos tribunais e nas nossas acções - é aí que devemos estar e garantir que as decisões/actos respeitam os Direitos Fundamentais de cada cidadão. 

Finalmente, diz-me a experiência, e admito até que posso estar errado, mas o exacerbar constante de certos temas, tornando-os mais trágicos do que realmente são, tende a terminar mal e até gera mais conflito social. Todavia, também é esse conflito social que alimenta discursos e coloca dinheiro nas contas de muita gente... Porque, não raras vezes o digo, se resolvemos o problema da fome de 1 milhão, criamos um problema na garagem e na casa de 2 000.

Nota final: já alguém reparou que num Maio tão quente, com temperaturas a queimar, com tanto foco no vírus, na popularidade e em temas que têm consumido um imenso espaço mediático, até parece que os incêndios também fizeram confinamento?

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