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sardinhaSemlata

Um espaço de pensamento livre.

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25.08.20

Estado de Calamidade!


Robinson Kanes

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Créditos: https://www.vulture.com/2018/04/revisiting-the-controversy-surrounding-scarface.html

 

O céu é de todos e este mundo de quem mais apanha.

Raul Brandão, in "A Farsa"

 

 

Não, não estamos em Estado de Calamidade, pelo menos declarado. Mas que alguma calamidade já connosco carregamos, é um dado adquirido.

 

Ana Mendes Godinho, Ministra do Trabalho, da Solidariedade e da Segurança Social, deu dois tiros nos pés no decorrer dos últimos dias. Encontro semelhanças com outros casos, a título de exemplo, Constança Urbano de Sousa. Será afastada e depois premiada com mais um cargo se não suportar a pressão da pasta. Ana Mendes Godinho, fazendo render o investimento estatal nos media, onde se inclui o Expresso, procurou promover-se, um hábito de outras paragens - deu-nos a conhecer que o seu interesse por assuntos fundamentais não é importante. Há tempo para dar entrevistas, partilhas de conteúdos nas redes sociais mas não há tempo para governar o país.

 

Alguém reparou que quando o tema contempla assuntos como emprego, greves; a pilula do dia seguinte; o nascimento de um urso pardo; o crescimento económico e tantos outros, mais do que uma instituição, surge sempre a fotografia de Ana Mendes Godinho? Nem se fala da Ministra, mas a foto está lá - quando a notícia é de feicção. Foi assim aquando da sua passagem pela Secretaria de Estado do Turismo. Quem acompanhasse o LinkedIn e não só, ficava com a sensação de que tudo acontecia em Portugal no âmbito do Turismo tinha o cunho desta senhora. Os habituais bajuladores (casta errante dos bastidores e redes sociais nacionais) a isso ajudavam - não fosse ser necessário um favor mais adiante da parte daquela que não hesitava sequer em utilizar a primeira pessoa do singular para se referir a "louros" de outros ou de toda uma instituição. Ana Mendes Godinho foi vítima daquilo que tanto praticou: muito show off e pouco foco no essencial. Ao contrário do que foi dito por muitos, Ana Mendes Godinho não necessita de um suporte comunicacional, precisa é de contenção no mesmo.

 

Também no dia em que os médicos recebiam o seu grande prémio, uma final da Liga dos Campeões, eis que são chamados de cobardes pelo Primeiro Ministro. Só quem não conhece António Costa e muitos ardilosos da política é que pode ter ficado surpreendido. Só quem nunca esteve com políticos em off é que acredita que o tradiconal "porreiro pá" é uma excepção à regra. Muitos poderemos nomear, e nos altos cargos da nação também podemos incluir o Presidente da Assembleia da República, conhecido no meio pela fraca educação. Com efeito, numa hora elogiamos os médicos e na outra, com as cameras desligadas, apelidamos os mesmos de cobardes: é a política estúpido, não nos deixemos surpreender.

 

No entanto, sobre o que efectivamente ocorreu em Reguengos, muito ficará por dizer, como nos incêndios de 2017 e tantos outros nefastos acontecimentos da nação. Uma coisa é certa, enquanto as promiscuidades entre política, sector social e associativismo forem uma realidade aceite, também continuarão a ter lugar situações do género e a arrastar-se ainda mais as metásteses de um dos maiores cancros do país. Não faltam por aí muitos discípulos de Tony Montana ou até do Kutaisi Clan.

 

Finalmente, até porque temas não faltam, fico surpreendido com a despesa estatal em meios de combate a incêndios (denote-se que não falei em prevenção) com os resultados a serem sempre os mesmos. A indústria dos incêndios é como o Algarve, traballha de Verão para o resto do ano e precisa de apoios - até se dispensam pilotos da força aérea (incapaz nos meios humanos e materiais para combater incêndios) para combater fogos ao comando de aeronaves privadas cujo aluguer é pago pelo Orçamento de Estado, ou seja, a espécie rara que paga impostos.

 

Drones que à semelhança de ventiladores não chegam quando são necessários e mais recentemente o "comité do comité do comité do comité" no que concerne aos famosos Kamov. Só em Portugal um helicóptero de ponta é mal utilizado e são precisos mais de dois anos (e ainda a contar) para que se faça uma auditoria no sentido de aferir se merece a pena reparar os mesmos! Nem pensemos na reparação que nunca será menos de 5 anos e então se necessitarmos de comprar mais num concurso transparente serão uns 10. Se for um daqueles concursos à medida, não mais que uma semana. Será assim necessário tanto tempo, tantos meios e tantos organismos para avaliar se reparamos um instrumento essencial e de milhões?

 

Não ficarei admirado, até porque para os lados da Póvoa de Lanhoso e Braga, uma Técnica Superior com curso na área da geografia e com um cargo público, arrecadou uma prestação de serviços no valor de 15.000 euros (escrevi bem...) para estudar se a compra de determinado veículo de combate a incêndios era viável. Qualquer indivíduo poderá ficar escandalizado, mas se acrescentar que a adjudicação veio do Comando Distrital da Protecção Civil de Braga, cujo esposo da mesma ocupava um dos lugares de topo e com influência na aquisição de serviços, provavelmente terá vontade de incendiar o distrito de Braga inteiro!

 

Já vi declarar Estado de Calamidade por menos...

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