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sardinhaSemlata

Um espaço de pensamento livre.

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22.08.21

Gentes do Sado...


Robinson Kanes

sado.jpgImagens: Robinson Kanes

 

Trago a Scott, já pesam os quilómetros e a roda 26" começa a fazer-nos sentir saudades das 29". O caminho entre Alcácer do Sal e Palmela não é linear, não pode ser, não tem de ser... É a sensação de entrar num supermercado em direcção à peixaria e desviarmos para os doces, depois para os chocolates e ainda com uma paragem técnica na área da pastelaria. Será por isso que uma manhã se pode transformar num dia...

 

O Sado é especial, tem pequenas histórias, não daquele ardor que encontramos no Douro ou até no Guadiana, mas histórias simples, bem vividas, humildes e sentidas, um pouco na senda, embora a uma escala maior, daquelas que encontramos em rios como o Alva ou o Lima.

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Percorrer a Reserva Natural do Estuário do Sado é ainda ver esperanças de vida, do genuíno, em contraste também com a industrialização que parece, apesar de tudo, vir a perder terreno para a Natureza. Nesse Sado, sobretudo a Este, ainda encontramos gentes que brincam naquela lama, que aproveitam o final de dia em práticas raras de convívio humano e com aquilo que é singular ali tão perto piscando, contudo, um olho ao progresso que não deixa de marcar com a sua presença... Imagens dos anos 70, 80 e 90 do século passado, e que nos ajudam a compreender, sobretudo para quem nada ou pouco viveu essas épocas, esses avanços e recuos.

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É hora de retomar o percurso... De percorrer a terra batida até regressar à estrada e encontrar outra pausa, esta bem interessante, sobretudo se tiver a companhia de um espumante bem fresco e umas ostras. Sim, é possível no Moinho de Maré da Mourisca, uma parceria entre o Município de Setúbal e o Instituto de Conservação da Natureza que nos permite desfrutar de um dos mais belos crepúsculos do Mundo (sem exagero) enquanto saboreamos o que a região tem de bom... E não é pouco. Para os amantes das aves, também aqui se encontra um dos mais interessantes e belos santuários do Mundo. É mágica toda esta envolvente de natureza marinha e terrestre... Toda a história de contacto entre homem, terra e rio, de uma fauna singular e que está a ser preservada a todo o custo. Local de visitas passadas, local de visitas futuras, sobretudo pelo amor à avifauna.

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E é tudo isto que são as gentes do Sado... toda essa mescla de sons, ambiente e práticas que colocam Setúbal e a sua região como um dos segredos mais bem guardados da Europa. E as ostras, as ostras que rivalizam e muito com aquelas que encontramos em Arcachon enquanto admiramos a baía sentados em Cap Ferret na companhia de um Sémussac, das ostras e de um Côte de Gascogne dos bons.

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Dois mundos, mas talvez encontre no Sado ainda uma certa tranquilidade do fim da Europa, é inegável fugirmos a essa marca... Apesar da centralidade no Mundo, existe algo de bucólico em nós e nas nossas paisagens que nos agarram e que, para o bem e para o mal nos transformam enquanto descendentes deste pó a sul da Europa.

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São horas de voltar às duas rodas, anoitece e as quatro rodas ainda estão em Palmela. Esperam-se atalhos por vinhas e vinhedos numa outra aventura que promete, sobretudo para quem, depois de um dia a pedalar, ainda se lembrou de deixar o carro mesmo lá no alto, onde Palmela contempla o Sado, cumprimenta Setúbal e abraça a Arrábida.

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