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sardinhaSemlata

Um espaço de pensamento livre.

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25.05.21

Lembrar Falcone... E as máfias...


Robinson Kanes

falcone.jpg

Créditos: https://spettacolomusicasport.com/2017/07/10/distrutta-la-statua-di-giovanni-falcone-a-palermo/

 

 

La mafia è un fenomeno umano e come tutti i fenomeni umani ha un principio, una sua evoluzione e avrà quindi anche una fine. Spero solo che la fine della mafia non coincida con la fine dell'uomo.

Giovanni Falcone

 

Redijo este texto no dia 23 de Maio... A noite em Madrid cai mas a sua vida será eterna, nada consegue parar esta cidade, não tem de conseguir, Madrid sim, a cidade que nunca dorme. E é neste mergulhar pela escuridão feliz que me surge à memória, até pela rápida passagem pelo "La Repubblica" deste dia, o aniversário do atentado da máfia em Palermo, a 23 de Maio de 1992, contra o juiz italiano Giovanni Falcone. A Cosa nostra mostrava as suas garras e inaugurava mais um período de terror naquela cidade, naquela ilha e naquele país. No atentado, com uma explosão bastante violenta, perderam ainda a vida, a mulher do juiz, Francesca Morvillo, e mais três agentes que garantiam a protecção ao juiz, nomedamente, Vito Schifani, Rocco Dicillo e Antonio Montinaro.

 

Este atentado, ordenado por Salvatore Riina, viria a antecipar um outro que nunca será esquecido, o de Julho do mesmo ano e que vitimou Paolo Borsellino, outro grande juiz que combatia a máfia em Itália. 

 

A este propósito, destaco as palavras de hoje do Presidente da República Italiana, Sérgio Mattarella, e que dizem nada mais nada menos que "ou se está contra a máfia ou se é cúmplice, não existe alternativa"... Não existe alternativa... Ou existirá? A morte de homens como Falcone e Borsellino e a respetiva memória, a sua e a de todos os que morreram naqueles dias (inclusive com um nome), deve fazer-nos pensar que não podemos pactuar com as práticas mafiosas, com a corrupção e mais um sem número de variáveis que podem levar a um controlo de grupos de poder que dominam as nossas vidas e impedem o desenvolvimento dos países. Pequenas coisas, que naquele momento são inofensivas e das quais tiramos partido com o pensamento do "não magoa ninguém" levam-nos de facto a protelar a redução deste género de criminalidade.

 

Na verdade, em Itália não se gosta da máfia, por outras paragens é motivo de orgulho... Talvez esse orgulho possa esmorecer ao recordarmos estes heróis que morreram com um sentido de Justiça e na demanda de uma sociedade que não precisa de viver com medo, que não precisa de ser explorada, que não tolera chicos-espertimos do mal, somente a troco de poder e dinheiro.

 

As mortes causadas pela máfia, seja ela qual for, são incalculáveis... Ignorar esse facto, não recordar estes heróis (não são jogadores de futebol nem youtubers, é um facto) e inclusive colocar corruptos em lugares de poder com o voto popular, pode levar-nos para um fim civilizacional para onde caminhamos todos alegremente cantando numa danse macabre. Para ver o alcance de muitas destas situações, recorro a um exemplo simples e que se foca no facto de que um desvio de alguns milhares de euros de dinheiros públicos, pode ser fatal para alguém que está numa cama de hospital ou que, por esse mesmo desvio, corre o risco de não chegar a tal instalação ou até, na pior das hipóteses, nem ter o direito a uma vida digna.

 

Não sou adepto de homenagearmos mortos que em vida não o foram, mas não posso deixar passar esta data que, talvez até permita que muitos como Falcone, ganhem vida e sejam reconhecidos durante essa curta passagem por este Mundo. Deixar passar a impunidade, que nestes dias e especialmente durante as últimas horas tem sido mais que muita (a propósito do desvio de um voo) pode colocar-nos a todos debaixo de meia dúzia de cartuchos de dinamite.

 

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Para quem quiser ler: "La Buena Suerte" de Rosa Montero. Acompanhar Pablo é começar sinistramente a desvendar esta personagem que vai acabar por nos desvendar a nós próprios. Actual por ser escrito durante a pandemia e actual por ser tão directo e tão certeira nessa viagem ao conhecimento das diferentes personagens.

Para quem quiser ouvir: Um dos melhores albúns de George Michael, "Listen Without Prejudice". Imperdíveis as faixas "Praying for Time" e "They Won't Go When I Go". Quando a boa música está em decadência, vejam-se, por exemplo, os Eurofestivais, é bom ouvir alguma coisa boa.

Para quem quiser comer e beber: Não vou entrar no vinho... Mahou e um Rabo de Boi ou o Entrecot no Fatigas del Querer em Madrid, ali bem perto da Porta do Sol. Visita obrigatória nas idas a Madrid, com bons preços, decoração gasta e com a verdadeira Espanha a mostrar-se nas paredes e nos azulejos. O restaurante, uma taberna como poucas, é um monumento por si só e a comida também. Experimentar a Tortilla, é subir aos céus, sobretudo se entre una cerveza, un plato de jamón ibérico y un Manchego. Para ficar em amena cavaqueira até nos ser permitido estar.

Para quem quiser assistir: O Nimas anda dedicado a Joseph Losey e por isso, deixo um dos meus preferidos do realizador e que nos anos 70 foi um dos seus maiores sucessos: "The Go-Between". É o típico amor da senhora rica pelo menos abastado, mas Losey sabe fazer as coisas e criou um filme genial.

 

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