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sardinhaSemlata

Um espaço de pensamento livre.

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01.09.20

Mulheres de Armas: as Akashinga


Robinson Kanes

30741703_379467925886737_901922494842142720_n.jpgCréditos: https://www.iapf.org/

 

 

Quem se convence que o estranho paradoxo de manter a paz com armas é um hebetismo que não leva a nada, ou não vive no planeta Terra ou nunca esteve em contacto com seres-humanos. Infelizmente, embora a diplomacia não deixe de ser o recurso primordial, as coisas não funcionam assim.

 

No Uganda, cheguei a ouvir falar destas senhoras, as Akashinga, e foi com um grande sorriso que recentemente me foi possível apreciar uma publicação da National Georgraphic onde estas verdadeiras senhoras eram exaltadas. São instagramers de sucesso? Vestem roupas caras? Não! Mas são belas, são sensuais e desempenham uma tarefa primordial no Zimbabwe, a defesa da vida selvagem - de M16 em punho. As Akashinga, oriundas de uma comunidade indígena, são o braço armado da International Anti-Poaching Foundation (IAPF) que, como o nome indica, luta contra a caça-furtiva no santuário da vida selvagem de Phundundu em pleno vale do Zambeze, um dos grandes rios africanos e que muitos conhecem em Portugal também por atravessar Moçambique e desaguar nas águas do Indíco. 

L10092101.jpegCréditos: https://real-leaders.com/akashinga-zimbabwes-female-anti-poaching-team/

 

As "brave ones", comandadas por Damien Mander, não são mulheres (ou pelo menos assim não deve ser entendido) à procura de um mínimo sustento e cujo papel de uma ONG deverá ser prestar todo a caridade possível! Bem pelo contrário, e quem conhece a realidade de muitos países africanos rapidamente perceberá que as palavras de Mander farão sentido: estas mulheres são uma verdadeira força de elite e até melhor que muitas forças constituidas por homens porque são menos susceptíveis de aceitarem subornos, estão mais bem preparadas para situações de violência extrema e ao contrário de muitos dos homens, investem mais de 90% do seu rendimento na família (no caso dos homens, em situações semelhantes, o valor desce para os 35%). Este é um trabalho de empowerment ao contrário do trabalho de muitas organizações que protelam este estado e alimentam a caridade.

 

Mulheres com uma vida "normal", mulheres orfãs de progenitores falecidos com HIV (em África, em muitas regiões ainda é uma sentença de morte) ou mesmo mal tratadas pelos maridos, as Akashinga prestam um serviço à Humanidade! Não vestem tailleur e muito menos Prada, não usam sapatos que davam para alimentar uma família no Malawi durante 10 anos, no entanto, são umas verdadeiras Senhoras. As Akashiga são combatentes de camuflado pela vida selvagem e por todos nós. Não são capa da Forbes e não são capas das revistas que só falam de quem lhe paga, mas por certo, são merecedores do nosso genuíno respeito, sem improvisos, sem show off encomendado.

 

As Akashinga são mulheres de armas, literalmente, e com um trabalho singular em prol da Humanidade e na defesa de um Mundo que o Ser-Humano já abandonou.

 

Para saberem mais acerca do trabalho da IAPF, visitem a página aqui e para conhecer a reportagem da National Geographic aqui. Aqueles que quiserem ir mais longe, fiquem conscientes que os seus donativos servirão, entre outras coisas, para patrocinar o objectivo que é chegar às 1000 mulheres até 2025 e com uma área de abrangência de 20 parques naturais.

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