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sardinhaSemlata

Um espaço de pensamento livre.

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27.07.20

Nem Tudo o Que Reluz... É Racismo!


Filipe Vaz Correia

 

 

 

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Durante este fim de semana, fomos surpreendidos com a noticia de um homicídio em Moscavide, um cruel assassinato envolvendo um actor de televisão, um jovem de 39 anos.

Este trágico acontecimento abriu telejornais, caiu no mediatismo televisivo e das redes sociais.

E muito bem...

Graças a Deus, ainda não somos uma espécie de Brasil onde este tipo de noticias são o quotidiano costumeiro dos cidadãos.

Em directo, ouvi o depoimento das pessoas que se encontravam no Café, as explicações da Policia e de alguns transeuntes que por ali passavam...

Infelizmente estamos perante um acto tresloucado, mesmo que premeditado, de um psicopata incapaz de controlar os seus violentos impulsos e que encontrou naquele jovem o destinatário para tão horrível epilogo.

Um cão...

Parece que na base disto se encontrava um conflito com um cão, o motivo cimeiro para se tirar a vida a outro Ser Humano.

Tristes tempos.

No entanto, no rescaldo deste assassinato, logo apareceram os radicais do costume, pois eles se encontram em vários pontos, nos extremos que tocam o espectro social e político...

O SOS Racismo, apressou-se a tomar esta causa como sua, numa apressada estupidez que acelera o conflito, busca antagonistas, tenta incendiar os ânimos.

O que compete a todos nós, aqueles que sentem o pulsar deste nosso País, é saber destrinçar entre a causa e o acessório...

Tentar comparar o que aconteceu com George Floyd e o que aconteceu naquela maldita hora em Moscavide é, simplesmente, puro populismo.

"As Circunstâncias Importam"

Não se pode comparar a História e o seu contexto, entre Minneapolis e Moscavide, se bem que ambas as palavras comecem por M, mas todo um mundo de civilidade as separa, de vivência, de uma cultura diferente.

Não perceber isto, é viver dentro de uma redoma incendiária que vai ganhando força nos dias de hoje.

Claro que existirão racistas em Moscavide, estou certo que devem existir, de várias raças e credos, no entanto, estou convicto que neste caso o assassino não matou aquele jovem por ele ser preto, mas sim pelo desaguisado vivido entre eles...

O assassinato não teve como motivação a cor da pele mas sim a discussão.

Poderia ser um preto, um branco, um castanho, um amarelo ou um vermelho...

Para um psicopata como aquele velho de 80 anos, seria indiferente a cor da pele daquela pessoa, para que tudo terminasse da mesma forma. 

É esta a minha convicção.

Mas como vivemos num tempo de radicalismos, tudo é permitido em busca do soundbyte, numa desenfreada batalha pelo absurdo, sendo que essa absurdidade lhes poderá dar votos numas futuras eleições...

Nos raivosos extremos, tanto à esquerda como à direita.

Por isso importa ter atenção ao que publicitamos, com quem lutamos, quem apoiamos...

Como diz o ditado:

"Nem tudo o que reluz é ouro!"

Sendo assim...

Convém recordar:

"Nem tudo o que reluz... é racismo!"

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

3 comentários

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    JB 27.07.2020

    Excelente comentário. Concordo com o que dizes, só a última frase é que não percebi bem. ‘Não deve ser valorizado  nem deve ser simplificado’. Como sugeres que se aborde este caso específico? Entre essas duas acho que deve ser desvalorizado ou simplificado se quiseres. Uma das testemunhas que falou na televisão era uma menina de origem africana que explicou ao repórter que isto foi ‘um maluco por causa de um cão’. Tudo indica que assim foi, se ele era mesmo racista ou se disse os insultos só para tentar magoar o alvo não sei nem acho relevante. Acho que não tem nada a ver com racismo, mesmo que o velho fosse racista. Não tem absolutamente nada a ver com o que se passou com o Alcino Monteiro ou com o George Floyd, tentar dizer que sim é Que não me parece bem. (Sei que não estás a dizer, mas Qd dizes que não se deve simplificar estás a dizer o q então?)
    Ganda beijinho
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    Anónimo 27.07.2020

    Nada tem a ver com o que se passou com Alcindo Monteiro ou George Floyd, plenamente de acordo! Mesmo que o racismo tenha estado na origem da contenda, esta caso nada tem de semelhante com os outros dois, e querer colá-los é mau aproveitamento político.
    Ainda assim, se as ofensas surgem por racismo, o assassínio dá-se por racismo - nexo causal.
    Provavelmente, não foi por isso que surgiram, é uma versão dos acontecimentos; mas, conhecendo-a, não posso partir do pressuposto de que o velho era maluco e o desfecho seria idêntico com qualquer outro vizinho. Nem classifico já o homicídio como consequência do racismo nem assumo que o racismo nada teve a ver com o assunto: preciso de mais dados. Como certamente precisará o juiz :))


    Um dos problemas do racismo por cá é não ter contornos definidos. Como podes dizer que não interessa se o velhote é ou não racista caso tenha sido o racismo a provocar os desacatos, que escalaram? Pode ter sido um velho tonto a castigar um vizinho ou pode ter sido um homem a castigar um preto que lhe entrava em casa pela televisão e que na "sua" rua tinha um cão que lhe rosnava... apurar qual dos dois foi o homicida requer muita calma e distanciamento - e temo que não seja uma prioridade, até porque está muito instituído esse nosso hábito "se era racista, não interessa, matou, é homicida!"
    Beijos
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