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sardinhaSemlata

Um espaço de pensamento livre.

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20.04.20

No Dia 25 De Abril Não Haverá Covid-19?


Filipe Vaz Correia

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O País está em confinamento há sensivelmente um mês, dias difíceis e que acarretam sacrifícios para todos, enquanto sociedade, dinâmica familiar ou até de sanidade mental.

Durante este tempo, vários foram os factores que asfixiaram as populações, essencialmente pela mudança de hábitos que nos transtornam a vida, sendo que o exemplo Português, que tanto gostam de apregoar, serve de bandeira ao sucesso Lusitano e às noticias contadas por esse mundo afora.

Por entre estes dias, uma polémica ganhou contornos de divisão, palavras soltas que sinalizam o carácter irónico de tempos especiais...

O Estado, Presidência da República, Governo e Assembleia da República, principalmente na figura do seu Presidente Eduardo Ferro Rodrigues, aliado a alguns ortodoxos quadrantes da sociedade Portuguesa, muito ligados à Esquerda parlamentar ou militar, tomaram a decisão de avançar com as comemorações do 25 de Abril na Assembleia da República numa atitude incompreensível e carregada de tamanha insensatez.

Enquanto pedimos às pessoas que se sacrifiquem em nome do bem estar comum, e muito bem, os "filhos" do regime preparam as comemorações em pleno Parlamento, com convidados, indiferentes às fissuras que tal atitude pode criar.

Muitos alegam o cancelamento da Páscoa para ilustrar o contra-senso desta medida, no entanto, julgo que outro exemplo pode ser mais elucidativo, cruel e despido de disfarces:

Os Enterros...

O Estado impõe que os Enterros sejam limitados ao máximo de 10 pessoas, impossibilitando famílias  e amigos de se despedirem dos seus entes queridos, num acto quase impossível de suportar mas que em tempos como os que vivemos se tornam necessários e essenciais para o controlo desta Pandemia.

Quantas lágrimas roubadas ficarão restritas nesses intemporais sentimentos que florescem no meio dessa dor por cumprir?

Quanta dor foi exponencialmente aumentada, por entre, essas proibições?

E agora...

Para se comemorar o 25 de Abril, ganhamos tempo, abrandamos as restrições, tornamos mais aceitável o que ainda é inaceitável?

Em nome do quê?

Por quem?

Em nome dessa liturgia de regime que parece não ter alicerces fortes o suficiente que permitam comemorar essa data por videoconferência, à janela de casa de cada um ou de outra forma contida e cautelosa.

Sinceramente mais do que incompreensível, parece um arrombo de prepotência e arrogância, uma forma desgarrada de mostrar poder e domínio.

Não percebendo os ditos Governantes que com esta medida afastarão muitos dos que anteriormente até poderiam simpatizar com a dita data.

E já se ouve falar de uma descida da Avenida Almirante Reis no dia 1º De Maio, com Sindicatos à cabeça...

Já nada me admira.

Minto...

Admirado estou por me encontrar do mesmo lado da barricada de João Soares, que saiu em defesa do cancelamento das comemorações do 25 de Abril no Parlamento.

Nunca imaginei...

Ora aqui estou, ao lado de João Soares e com algum gosto.

E já agora, João Soares não se mace com a preocupação de que alguém lhe possa chamar de facho, segundo as suas palavras...

Olhe que ninguém acreditaria.

Já outros epítetos, não posso assegurar...

Haja pudor!

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

2 comentários

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    Filipe Vaz Correia 20.04.2020

    Minha querida Sarin...
    Viu a fotografia no início deste post?
    Nós sabemos bem a quem esta sardinha deve agradecer esta grandiosa inovação...
    Querida amiga, anotei o seu posto de vista e a discordância para com o meu texto, neste campo de pensamento livre e debate como sempre desejámos.
    Quanto ao facto de a Assembleia da Republica se manter em funções, mesmo que mínimas, não muda a minha opinião, pois uma coisa é se reunirem para aprovar leis, entre elas o Estado de Emergência, e mesmo ai julgo que poderia ser feito através de um deputado por cada partido e um membro da mesa, outra coisa é para comemorar uma data, qualquer que fosse, com convidados e reunindo mais de uma centena de pessoas.
    Quanto ao apoio que esta medida parece recolher e os quadrantes que a suportam, na verdade se calhar não fui explicito na minha argumentação, mas quando escrevo Esquerda parlamentar e militar, antecedi essas palavras de outra que julgo ser fundamental...
    Alguns.
    Claro está que o PSD e IL também aprovaram esta medida, no entanto, se formos olhar para esses partidos e suas bases encontramos muitos que divergem nessa orientação, sendo que nas bases dessa Esquerda que aqui referi esse apoio é muito mais generalizado.
    Quanto à comparação com os Enterros não julgo ser desajustada, antes pelo contrário, pois é de sacrifícios que estamos a falar, de desafios neste tempo tão difícil para todos.
    Aqui o ponto é a quantificação desse sacrifício pedido a cada um, em nome de todos, principalmente àqueles que tiveram a tremenda falta de fortuna de terem perdido alguém que amavam.
    Nessa quantificação que a dor não deveria estar sujeita, pensemos somente na quantidade de pessoas que se viram impedidas de se despedir dos seus para compreender a violência de tal circunstância...
    Falo de Netos, Amigos, pessoas que na sua dor, sentiram ao longe essa despedida tão sentida.
    Mas concordemos em discordar, neste vasto mar que nos aproxima.
    Um beijinho do tamanho do mundo
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