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sardinhaSemlata

Um espaço de pensamento livre.

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19.11.20

O Estranho Caso Antagónico das Vacinas


Triptofano!

“Todos os que quiserem vacinar-se serão vacinados”, afirmava confiante a meio de Outubro o Presidente da República, depois de ter pousado em tronco nu para a foto enquanto lhe era administrada a vacina contra a gripe. Se a falta de roupa do Presidente não me surpreendeu - afinal depois do mediático salvamento que protagonizou na praia tudo o que o nosso representante precisa é de um par de calções aerodinâmicos - a promessa vacinal deixou-me estarrecido.

Talvez o PR pensasse que estava a apelar aos votos nas eleições, sabendo-se de antemão que as taxas de abstenção iam ser novamente altas, porque apesar de todas as teias políticas que se tem desenvolvido, especialmente numa certa região ultra-periférica, felizmente os Portugueses ainda não tem que decidir entre um Trump e um Biden.

Só que Marcelo estava a falar de uma vacina, normalmente já simpaticamente concorrida, e que só por acaso este ano foi prescrita a toda a gente e mais alguma, porque toda a gente e mais alguma está com medo de adoecer e com bastante razão.

Quando olhei para as minhas 50 vacinas alinhadas sapientemente no frigorífico e as comparei com a lista de 400 reservas de utentes desesperados - costumo dizer que o maior risco de saúde é a iliteracia - percebi que o Presidente tinha descoberto o milagre da multiplicação, e que em vez de pão iria distribuir às mãos cheias injecções intramusculares ou subcutâneas profundas, conforme o gosto do freguês, ou neste caso, utente.

Um mês depois as vacinas já acabaram - devem ter durado dia e meio se tanto -, a lista de reservas aumentou mais uma ou duas centenas de números, as vozes de indignação dos utentes já me causam otites de stress, e Marta Temido resolve dizer o que todos os Farmacêuticos já sabiam mesmo antes do início, que a disponibilidade destas vacinas no mercado é limitada. Ou seja, que mais vale tirarem o cavalinho da chuva que este ano não vai haver vacinas para todos, independentemente de já a tomarem desde 1896.

Passamos duma situação de extrema abundância e recursos ilimitados, para um panorama de escassez, onde cada um deve pensar realmente se precisa de se injectar ou deixar tal ato para outro cidadão desconhecido que talvez necessite mais e não tenha a sorte de trabalhar para um dos grupos que possui stocks SOS de vacinas à distância de um telefonema farmacêutico.

Agora tenho que dar os parabéns ao Governo, porque apesar da revolta que toda a situação da vacina anti-gripal gerou, conseguiram desviar o foco para outra imunização, neste caso a do Covid.

Ontem já recebi o meu primeiro telefonema a perguntar se fazíamos reservas para a vacina do Covid. Quando desliguei a chamada só pedi a São Cosme e a São Damião que neste futuro aperto se esquecessem das Farmácias, que isto de se ser invisível não é só quando dá jeito ao Governo...

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