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sardinhaSemlata

Um espaço de pensamento livre.

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09.12.21

O Fotógrafo Manoel de Oliveira


The Travellight World

fullsizeoutput_61e5Foto: Travellight | Exposição "Manoel de Oliveira Fotógrafo", Fundação Calouste Gulbenkian

No Hall da Biblioteca de Arte da Fundação Calouse Gulbenkian, em Lisboa, está atualmente patente uma interessante exposição que nos revela uma faceta menos conhecida do cineasta português Manoel de Oliveira — a sua faceta de fotógrafo.

Com uma filmografia que inclui mais de cinquenta títulos, Manoel de Oliveira, foi o realizador com a mais longa carreira da história do cinema — foi o único cineasta a passar do cinema mudo para o cinema sonoro e a filmar tanto em película de nitrato como em suporte digital. Continuou a filmar até aos 106 anos, feito que lhe valeu o título de "mais velho realizador em atividade” e lhe valeu o reconhecimento internacional e prémios nos mais importantes festivais de cinema do mundo.

Tudo isto já eu sabia, mas a sua faceta de fotógrafo, era completamente desconhecida para mim. Por isso esta exposição que apresenta mais de uma centena de fotografias a preto e branco produzidas entre o final dos anos 1930 e meados dos anos 1950, na sua maioria inéditas, foi uma boa surpresa.

São fotografias, na sua maioria inéditas, guardadas durante décadas no arquivo pessoal do realizador, estas imagens não só exibem a curiosidade de Manoel de Oliveira pelos fenómenos óticos, pelo trabalho com a luz e sombra, como ajudam a contextualizar o rigor de composição que carateriza os seus filmes e ainda abrem novas perspetivas sobre a evolução da sua obra cinematográfica.

fullsizeoutput_61dffullsizeoutput_61e3fullsizeoutput_61e1Foto: Travellight | Exposição "Manoel de Oliveira Fotógrafo", Fundação Calouste Gulbenkian

Com a sua câmara Leica (também em exposição) Manoel de Oliveira retratou vários temas – há paisagens do Douro, natureza mortas, referências ao Porto (a sua cidade), muitos retratos, mas também imagens do circo e outras que revelam o interesse do realizador pela arquitetura moderna, pela temática social e pela aviação. 

A fotografia era, para Manoel de Oliveira, um instrumento de pesquisa formal e de experimentação… na verdade  uma outra forma de construir a sua linguagem visual.

Uma exposição de entrada livre, a não perder por quem aprecia fotografia. Até 17 de Janeiro de 2022.