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sardinhaSemlata

Um espaço de pensamento livre.

sardinhaSemlata

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05.06.20

O Toiro do Pan Pequeno


JB

  Como se adivinha pelo título do post, hoje falarei de André Silva líder do Pan. Chamo-o de toiro, apenas porque encabeça esse pequeno partido e vou falar de tauromaquia. Esta comparação serve apenas ilustrar isso e não tem como objectivo insultar nem um, nem outro.

  Nunca percebi bem toda a energia gasta a combater a tauromaquia, compreendo perfeitamente que não se goste (eu próprio já gostei mais), compreendo que se ache primitivo e violento e que a evolução natural é o seu fim. O meu problema é quando querem proibir, ou pior; os que enquanto não proìbem vão para a porta dos espetáculos insultar artistas e famílias que são aficionados da festa brava. Bem sei que existem pessoas que protestam por tudo e por nada e a liberdade deve valer para todos, incluindo a liberdade de se manifestar. Contudo sempre me pareceu irónica e absurda a imagem de ver uma série de famílias, mais ou menos betas, de aficcionados, irem ver uma corrida de toiros, impecavelmente vestidos e de forma ordeira, serem recebidos aos gritos por manifestantes anti taurinos, que entre megafones, gritos e tarjas; insultam e vociferam: 'bárbaros, selvagens e assassinos!'. Desde pequeno que achei que havia qualquer coisa que não batia certo nesta imagem. 
  Não irei discutir os méritos de cada argumento aqui. Nem do evidente sofrimento do animal para entretenimento de uns ditos selvagens. Nem as características combativas do touro bravo e da sua mais que provável extinção com o fim das corridas. Haveria muito a dizer, se alguém quiser aprofundar nos comentários terei muito gosto em debater. Aqui não. Aqui quero falar no que disse André Silva líder do Pan e deputado da nação, na casa da democracia e dirigindo-se ao nosso Primeiro Ministro.

“(...)queria partilhar consigo que na segunda-feira tive uma visão do futuro no Campo Pequeno: lá dentro cultura, cá fora artistas tauromáquicos algemados. Que maravilha”

  A tauromaquia ainda não é, e espero que nunca seja, ilegal. Esta frase do líder do Pan parece aceitável? Bem sei que o nosso parlamento já esteve melhor frequentado mas é preciso, quase todos os dias, descer a fasquia? 
 
Um deputado não deveria poder dizer isto, hoje são os artistas, amanhã os aficcionados e a seguir os carnívoros eventualmente. 

André Silva é um homem pequenino, que está a apostar nesta nova moda de dizer umas coisas chocantes para agradar a uma pequena base de ressabiados. Penso que só um ressabiado pode desejar a prisão de pessoas que não cometeram nenhum crime e alegrar-se com essa possibilidade. A técnica está a dar frutos, à esquerda e à direita. 'Se irritarmos muito este tipo de pessoas, os ressabiados que não gostam delas vão gostar de nós, e vamos ter muitos votos e tachos.'. Basta observar um bocado e ver que esta 'esperteza' está bem espalhada pelo espectro político. Ontem foram uns, hoje foi o Pan e amanhã serão os outros. Há que estar alerta.

 Hoje em dia, é fácil bater na tauromaquia. Nunca foi tão fácil, os números de espetáculos estão a diminuir, bem como a popularidade. Com isto tudo, ainda vem o João Moura deixar os galgos dele morrer à fome. Nada mais fácil. 

Pequeno André Silva, não só porque o partido é pequeno, mas porque só uma pessoa pequena é forte com os fracos e fraca com os fortes.

 

 

JB

 

 

 

8 comentários

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    JB 05.06.2020

    Foi isso que interpretou? Se assim for a formulação da frase foi infeliz. O Ventura quando mandou a Joacine para a terra dela também não era bem aquilo que queria dizer(segundo o própria e as ‘venturettes’ .Acho que devemos sempre ter cuidado com as palavras. Se for um deputado a dirigir-se ao parlamento acho que esse cuidado deve ser triplicado. Inaceitável e da minha parte não terá interpretações benevolentes.
    Beijinho Sarin
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    Anónimo 05.06.2020

    Foi o que supus estar na base da frase, não foi o que interpretei - frases que tais são dadas a poucas interpretações. E foi o que supus porque não concebo que um deputado, por muitas barbaridades que diga, defenda o constrangimento da liberdade de alguém sem o associar a uma qualquer proibição.
    Até porque actualmente, e AS desenvolveu trabalho notório na matéria, a liberdade mais acarinhada parece ser a de proibir,
    Não se trata de benevolência mas de contexto. No caso de Ventura, o seu (dele) contexto indica que foi mesmo para a terra dela que pretendeu mandar Joacine (o que me intriga, dado que a deputada tem dupla nacionalidade - quereria que fosse às postas? No contexto também não seria de espantar) . No caso do outro André, o seu contexto, e o seu percurso, é de proibições.
    As palavras importam, sim, mas não nascem em cada frase - a menos que se mandem consistência e coerência ás urtigas, claro :))
    Beijocas, JB 




    , numa ou noutra interpretação não concebo a valorização das proibições em detrimento da defesa
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    JB 05.06.2020

    A frase foi categórica. Visão do futuro, artistas algemados, que maravilha. Segundo entendo o que dizes, o contexto dele mostra que ele quando diz isto, estava a dizer outra coisa. Realmente fala muito de proibições o AS; mas não falou desta vez que me refiro, saltou esse detalhe e passou logo para o objetivo final, prender artistas tauromáquicos e sabe-se lá mais quem.’ Que Maravilha!’
    Inaceitável.


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    Sarin 05.06.2020

    Não, AS não estava a dizer outra coisa, estava mesmo a dizer "artistas algemados" - mas porque a tauromaquia estaria proibida e estes insistiriam em manter actividade; e não porque queria prender inocentes, como dizes. Em momento algum li a frase como alegoria, como aparentemente pensaste que li, antes a enquadrei naquilo que AS vem dizendo.
    Como te disse, contexto.
    Não concordo com essa tua leitura de que AS saltou a proibição - a que título poria algemas nos artistas tauromáquicos (e deixemos de fora sonhos libidinosos)? Até nos regimes totalitários se arranjam pretextos de ilegalidade para meter cidadãos na cadeia :))))
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    JB 05.06.2020


    Sarin,
    Não concordo com essa tua leitura de que ele saltou a proibição.’ Como assim? A minha leitura é do que ele disse. Ele não disse “cá dentro a cultura, la fora os artistas tauromáquicos que desrespeitaram a lei, fizeram corridas ilegais e agora foram presos.’Senão teria tido outra interpretação.
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    Sarin 05.06.2020

    Devo presumir então que, para ti, o que se diz e defende antes não interessa, que cada intervenção nasce isolada e tem de encerrar todo o tudo que se defende?
    Repito a pergunta, então: na tua interpretação, a que título se proporia AS algemar os artistas tauromáquicos se não pressupuser a tauromaquia proibida?


    Não se trata de reinterpretar nada, parto geralmente do princípio de que nós, os cidadãos, dizemos exactamente o que queremos dizer (lá se sabemos o que quer dizer o que dizemos, ou se pensamos nas suas implicações derivações e interpretações, é outro assunto); a questão aqui não está no que quis dizer, mas no que disse - eu vejo-lhe raízes noutros discursos do próprio, tu entendes que nasceu desenraizado :))
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    JB 05.06.2020

    Vejo perfeitamente enraìzado nesta
    Nova moda, como tento explicar no meu texto. Continuo a achar que é muito boa vontade tua. Se fosse como dizes ele diria criminosos tauromáquicos em vez de artistas algemados. Estamos a falar da assembleia da república , podem dar as voltas que quiserem mas a forma foi inaceitável. O conteúdo pelos vistos fica à interpretação de cada um. 
    Posso
    Então presumir que a tua resposta à pergunta que lancei no texto “esta frase do líder do Pan é aceitável?’ Seria, “sim é tendo em conta o contexto do que ele tem dito para trás”? Discordamos se assim for, acho inaceitável.  Beijinho S
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