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sardinhaSemlata

Um espaço de pensamento livre.

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29.06.21

O Triunvirato Lusitano e o Reptilianismo


Robinson Kanes

ferro-rodrigues-marcelo-rebelo-de-sousa-e-antonio-Créditos: https://www.movenoticias.com/2017/06/dia-portugal-celebrado-um-pe-no-porto-no-brasil/

 

Nota Introdutória: onde não existem cameras de filmar ou fotográficas, nem compadrios, nem pseudo-celebridades, o Estado português não tem interesse em estar, mesmo quando tem um papel (culposo ou não) na sua morte... No seguimento da morte e funeral de um cidadão português que não dá likes, mas representa mais de 90% de todos nós. Lembremo-nos disso...

 

 

O homem não quer matar a sede. O homem quer é a sede. Por isso é que come tremoços quando bebe cerveja.

Vergílio Ferreira, in "Promessa"

 

A limitação das liberdade e a apologia do medo, sobretudo no longo-prazo, tendem a promover o nascimento de democracias (ou ditaduras) mais ou menos musculadas e cujos arautos apregoam aos quatros ventos a liberdade  - escondendo uma vontade de mostrar o seu poder autoritário. Piores que todos os que chegam com vontade de conquista, são sobretudo os que dizem existir para nos salvar e para zelar só e apenas pelo nosso bem... Se a isto juntarem uma ou outra causa (racismo, direitos sexuais e afins...) têm a passadeira perfeita para a constituição das suas democracias queer.

 

Portugal, como outros países, não escapou a esta tendência e à adopção de comportamentos que nos deveriam fazer questionar. Temos um presidente, alegadamente conhecido no meio como papagaio-mor, que comenta tudo mas que foge às questões (quando não desaparece vários dias até a poeira assentar) estruturais e fraturantes. Um presidente que é comentador de futebol, acérrimo defensor do mesmo e que a troco de um jogo da seleção - aparentemente a nova guarda pretoriana ou mais uma máquina de propaganda de um regime cada vez mais totalitário - coloca de lado as vidas de milhões de portugueses. Marcelo sabe o que é e convive bem com isso, conhece o poder do futebol e sabe como manipular o povo português, sobretudo na construção da sua máquina de propaganda. Só falta a Igrega, tão querida deste cavalheiro e temos o mote perfeito. Eu sei que é proibido falar mal deste senhor, mas falando do novo triunvirato, não o poderia deixar passar para deceção dos media e do presidente pop. Diz o que quer, faz o que quer, trai o que lhes são fieis à boa maneira romana e aí está... A mostrar a sua pele que tantos tentam ocultar. 

 

Temos também um Primeiro-Ministro que vai mostrando os seus tiques autoritários, varrendo e fugindo aos assuntos fracturantes, mostrando todo o seu poder que já está disseminado pelo país e conduzindo uma máquina trituradora que só pode mesmo sobreviver pelo medo. O mesmo que, copiando um qualquer ditadorzeco de país de terceiro mundo, estende a mão aos parceiros europeus que assim vão sustentando os seus e todos aqueles que vivem das bazucas... Um povo acomodado, empresários sem coragem e que procuram mais ganhos junto do Governo do que propriamente no desenvolvimento de estratégias duradouras. Também é comentador de futebol e também, em situação de guerra, é cavalheiro para abandonar as tropas e apreciar uma boa peladinha. Seguem-nos vários reptéis em autarquias e posições no Governo que, não gostando da sua pessoa e ambicionando mais poder, o veneram... 

 

Finalmente, temos alguém que num país democrático, à semelhança dos dois anteriores, nunca existiria. O primeiro foi acérrimo defensor de um regime ditatorial e de uma guerra colonial, o segundo, com este terceiro, foram ouvidos a tentar manipular a Justiça, entre tantas outras coisas, sendo que uma relacionada com pedofilia nunca ficou bem resolvida... Afinal, o absolvido Ferro tentou ripostar com um processo contra a alegada vítima e o tribunal que julgou este segundo caso teve um entendimento diferente e não puniu a vitima... Talvez um dia possamos ver tudo esclarecido, pois jamais passará pela cabeça de alguém que a segunda figura do Estado tivesse tais telhados de vidro. Não terá. No dia quem o processo Casa Pia ficar bem exposto, tal como o Ballet Rose, possamos tirar a prova dos nove.

 

Mas foi este último, sempre pago por todos nós, que se comporta como um capo, dominando e mostrando os dentes com um sentido de impunidade que só encontramos num Xi Jinping ou num Maduro. Que os venera é uma realidade... E desse modo, lá cuspiu e espezinhou os portugueses por estes dias com o seu apelo à deslocação em massa a Sevilha, reforçando o mesmo apelo na Assembleia da República antes do fim-de-semana. Bravo! Já vi parlamentos e palácios presidenciais a arder por muito menos... Todavia, parece que em Portugal  o ódio dos mestres tende a duplicar o amor dos escravos, como escreveu Victor Hugo. Pior que isto só a justificação para Presidente e Presidente da Assembleia não estarem presentes no jogo de Portugal (Marcelo colocou travão e mudou de ideias, não aguentaria ver uma capa de jornal a dizer mal da sua pessoa): a epidemia em Andaluzia (como se não soubessem). Ao mesmo tempo incentivam os portugueses a ir. Isto de governar para os títulos de jornais fofinhos dá nisto...

 

Estes três, não fossem aprendizes de ditadores num país gasto e pequeno mas que procura ser sempre o melhor do Mundo em tudo (pelo menos nas revistas e televisões e nem que seja à custa de prémios comprados) por certo limpariam da História Júlio César, Pompeu e Crasso. Soubessem os últimos três que estes existiriam e a Lusitânia ocuparia hoje, na história de Roma, o lugar que a  Grécia ocupou para a construção da cultura romana. Ou talvez não... Ou talvez apenas na caminhada para a queda do império, que ao contrário da teoria dos bárbaros, implodiu por dentro.

 

Para o fim, deixo três inquietações:

- Marcelo remete a habitual escandaleira dos fundos europeus para as eleições de 2023. Caro Senhor Presidente... Não são só os portugueses que nas eleições têm de avaliar. Alguém que anda sempre a apregoar inteligência, sabe que existem mecanismos que já hoje podem começar a aferir de que a roubalheira não se repete - bela forma de fugir às responsabilidades Senhor Presidente. Também ainda aguardo que defina Justiça Social, na prática, e não em discursos balofos. Sei que apregoa que o povo é sereno e o trata com autoritarismo e paternalismo, mas nem todos vão nessa conversa. Durma mais... Vai fazer-lhe bem.

- A lei contra o enriquecimento ilícito proposta pelo Chega foi chumbada por todos os partidos (excepto o próprio Chega) no Parlamento. Vejamos, este tema que tem marcado o diálogo e as convicções, sobretudo da esquerda, não passou com o votos de 99.9% dos deputados! Deduzo então que muitos cartazes políticos aí espalhados sejam uma forma de escarrar nos portugueses, é isso?

- Lei(s) anti-corrupção... Depois das férias vemos isso... Foi esta a resposta do Parlamento... 

Sejamos serenos até ao dia em que se fizermos contas ao que deixamos de viver e auferir por causa desta má gestão e é provável que nos fartemos de vez.

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Para ouvir: se o original dos Beatles é qualquer coisa, uma das músicas que levanta o astral por aqui é a versão de Gary Clark Jr. para "Come Together". Lock & Load and let's rock! Vozes de hoje, old school do melhor. Para quem apreciar, nada como continuar com "When My Train Pulls In".

Para ler: um clássico da filosofia mas que, nos dias de hoje, dará jeito a muita gente. Ajuda-nos a pensar em nós e nos outros e nas nossas atitudes perante o Mundo. "A Críticia da Razão Prática" de Immanuel Kant parece estar a tornar-se demasiado necessária!

Para assistir: enquanto na quarta-feira um país vibrava com a sua selecção (talvez das muito poucas coisas que o faça vibrar) decidi contrariar e fiquei-me pela Politécnica e com os Artistas Unidos. Encenação de Jorge Silva Melo para a "Circularidade do Quadrado" de Dimítris Dimitriádis. Não aconselhável a menores nem a malta que não capta as variantes da vida, do quotidiano. Utópico, real... Ficará ao critério de quem lá passar. Boa interpretação de Inês Aires, Simon Frankel e Nuno Pardal.

Para  comer e beber: É Verão, e talvez uma das melhores recordações possa ser ( e volto aos brancos e à grande casta) o "Quinta do Alcube, Chardonnay 2019". Temo é que já não exista. Das duas mil garrafas produzidas, acredito que, como é hábito, se terão findado em dias. Se assim for, nem sabem o que perderam. Genial! Para comer, nada como um saltinho a Viana do Castelo para um arroz à valenciana na "Casa de Pasto Maria de Perre", mesmo no centro. Por lá, tudo o que mete arroz e bacalhau marcha!

 

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