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sardinhaSemlata

Um espaço de pensamento livre.

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01.12.20

Os Meninos de Odivelas...


Robinson Kanes

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Créditos:https://www.pinterest.pt/pin/762867624360232314/

 

Não é possível entender a agressividade sem entender o medo.

Robert Sapolsky, in "Comportamento"

 

 

De Odivelas, de São Paulo e de Barcelona...

 

Comecemos por Odivelas, onde só os ditos sensacionalistas deram conta de uma cena de pancadaria num restaurante daquela cidade. Episódios de violência existem todos os dias, independentemente da cor, da raça ou das cuecas que cada um utiliza. No entanto, continua a circular a ideia que uns são mais importantes que outros... 

 

Dois empreendedores, que gerem o seu restaurante, nestes tempos numa autêntica aflição, são os mesmos que podem ser espancados juntamente com os seus colaboradores, por alguém que parece acreditar que goza de uma certa impunidade - as imagens falam por si. A minha questão é simples: será que o episódio de violência de George Floyd, que tanta gente disse como é que seria possível não deitar uma estátua abaixo face a tão violentas imagens, é diferente deste em que vemos indivíduos, só porque lhes foi pedido para não fumarem dentro de um restaurante, a espancarem, com vários pontapés na cabeça, a partirem garrafas também na cabeça e um sem outro número de agressões dignas de um Godfellas ou de um qualquer filme de Franco Verucci? Qual será a desculpa agora? Que estas filmagens não tinham som, logo são menos dolorosas? Casos destes só não ocorrem mais porque à boa maneira das ruas infestadas de máfia, muitos proprietários e colaboradores baixam a cabeça, uma das imagens mostra bem esse desespero.

 

Em São Paulo, já no Brasil, a violência nas ruas rebentou quando um indivíduo negro foi agredido por dois seguranças até à morte tendo, aparentemente, morrido com dificuldades respiratórias. Várias questões se colocam: São Paulo e segurança são dois conceitos que não encaixam, além de que, ninguém espera que os seguranças de um supermercado em São Paulo tenham a mesma cortesia que os seguranças do Supercor Beloura. Mesmo em Portugal, existem muitos relatos de boas cenas de pugilato.

 

De facto, e inclusive as autoridades assim o admitiram, houve um exagero brutal e portanto os indivíduos estão já acusados de homicídio qualificado sendo certo que não escaparão a uma boa pena de prisão. Qualquer morte é lamentável e sendo provocada tem de ser punida, não exista qualquer dúvida em relação a isso. A questão coloca-se quando os media, imediatamente partilham, e com o apoio de associações que também procuram protagonismo e subvenções (ocultando até outras), a mensagem do racismo, e como no caso de George Floyd, esquecem o passado do indivíduo e até o que havia este feito para "justificar" tamanho emprego de força.

 

Na verdade, todos sabemos que se não falarmos em racismo e não divulgarmos antecendentes criminais, a opinião pública terá uma atitude diferente e muito provavelmente alguns media nem terão notícias, não vende. O resultado foi uma onda de violência completamente desnecessária... Quem é que se responsabiliza?

 

Esperemos uma punição severa, quer para os três envolvidos quer para o próprio estabelecimento, da rede Carrefour, que alegadamente permitia o uso da violência, nada justifica o final, mas conclusões precipitadas (inclusive de altas instâncias) e violência a dobrar não ajudam... Esperamos também que finalmente possam começar a ser notícia as condenações e não apenas os actos, o direito à informação também passa por aí...

 

Finalmente, e muito ao encontro do que tem sido discutido em França com a nova lei da segurança. Na Catalunha, a passada semana ficou marcada, inclusive com ecos fora das fronteiras (e não foi mais porque a cidadã não faria parte de uma minoria) por manifestações e uma clara tentativa de manipulação da opinião pública por parte dos media espanhóis. A polémica envolveu os Mossos d'Esquadra e a aplicação de uma taser sobre uma jovem que exigia que a mãe a acompanhasse num centro de saúde em Sabadell. Como em Portugal, também em Espanha, este tipo de acompanhamento não é actualmente permitido salvo algumas escassas excepções.

 

Daqui às descargas com a taser, foi um ápice e o caos teve o seu habitat preferido... Todavia, as redes sociais também se estão a tornar mais inteligentes e os leitores também, pelo que, face a alguma contestação, lá foi passando a notícia, com muitas aspas para o lado da jovem (e zero aspas para a actuação da polícia) que teria danificado instalações, enfrentado os colaboradores da unidade e adoptado uma atitude agressiva contra a autoridade.

 

Nos rodapés, acabou por surgir que afinal se encontrava detida e que havia ferido ligeiramente alguns Mossos d'Esquadra. No entanto, e quando esquecemos o que é jornalismo, o final de quase todas as notícias ficou sublinhado com o relato de uma associação (Irída) e cujo director teve palco para afirmar que tal actuação foi "muito preocupante e desproporcionada". O vídeo apresentado, só mostra o momento de histerismo da jovem após as descargas, tudo o resto "não existe".

 

Qualquer acto de violência é lamentável! Qualquer acto de violência tem de ser denunciado e combatido! Qualquer transformação da realidade causa lucros e prejuízos, e também neste campo estamos a assistir a uma enorme polarização. Se por um lado estamos a vitimizar uma parte da população (que também não se identifica com o que vê), por outro estamos a acusar toda uma outra de algo que não é. Quando estes opostos se encontram, penso que já todos sabemos como é que pode acabar e sempre com danos para os dois lados... Além de que, seja de que parte for, o politicamente correcto acaba por desenvolver um certo sentimento de impunidade com claras consequências, normalmente, para o cidadão trabalhador e que respeita a lei, seja ele quem for...

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