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sardinhaSemlata

Um espaço de pensamento livre.

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04.07.21

Praia da Baleeira... Um Segredo a Guardar...


Robinson Kanes

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Imagens: Robinson Kanes

 

Tempestade

O vento enchia o Mundo. Mal deixava

lugar para a tremenda voz das ondas.

 

Mas era o Mar apenas que se ouvia.

da Gama, Sebastião (1971). Pelo Sonho é que Vamos (2ª ed.). Lisboa: Edições Ática

 

De facto, um dos destinos a descobrir na Europa é, sem dúvida, a região de Setúbal. E na verdade, os segredos e as surpresas que por lá encontramos são imensas. Um local único, capaz de rivalizar com outros grandes destinos do sul da Europa. Há sempre algo para explorar, e um dos locais mais belos, é a fantástica e singular Praia da Baleeira, cuja orla continua a ser defendida pelo Forte de São Domingos da Baralha, em plena Serra da Azóia, já no concelho de Sesimbra.

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Nada como sermos piratas e tentarmos conquistar esta praia por mar enquanto percebemos que é uma zona rica em peixe, nomeadamente polvos e sargos. No entanto, a conquista pode ser feita por terra. O caminho não é para todos, e o carro deve ficar longe para se apreciar toda a riqueza envolvente... Ouvir sobretudo o mar, que aí tem uma voz diferente e que só se perde ao chegarmos ao Cabo Espichel. Se nesta descoberta tiverem a companhia de um quatro patas de combate, então têm o dia perfeito para sonhar e culminar com um belo mergulho nestas águas que nos fazem esquecer que estamos em pleno Atlântico... Pelo menos quando o mar o permite.

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Várias paragens serão feitas, o mato rasteiro permite-nos uma observação da variada flora e, além disso, em dias de calor, também para sonharmos com uma árvore que nos proteja do sol. A Serra da Azóia é intrigante e apresenta dificuldades nos dias mais quentes ou de perfeita tempestade. A paixão pelo mar nunca nos deve deixar baixar a guarda, pois além das surpresas na água, também em terra os riscos são grandes.

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E eis que, depois de uma boa caminhada, e percorrendo os seixos, o quatro patas atira-se à água como uma criança que vê pela primeira vez o mar e nos obriga a seguir-lhe as pisadas. Está calor, por isso não se torna tão difícil. Para aqueles que só sonham com praias de água quente e totalmente descaracterizadas, a sugestão é de que não percam muito tempo com este local tão belo, remoto e autêntico. Não venham ver as ruínas de pequenas edificações que albergavam os arreios e até os corpos cansados, daqueles que do mar tiravam proveito.

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Um livro, uma companhia e um farnel podem trazer-nos grandes momentos naquele local e se, por mar, nada como aproveitar e trazer umas ostras do sado... Uma maravilha. De repente, e torna-se impossível explicar o porquê, dou comigo a viajar na costa da Albânia... O mar, os ventos do Adriático, qualquer coisa me atormenta o pensamento e me obriga a analogias infindáveis. Estranha forma de sentir, mas ao mesmo tempo tão bela, como se o Mundo fosse uno em todas as dimensões da natureza e especialmente do mar.

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Para quem conhece a zona, e estando o dia a terminar, talvez seja hora de recolher, agora é preciso subir. O sol vai-se pôr nas nossas costas e por isso, nada como ainda ir a tempo de espreitar esse momento no Cabo Espichel e fugir da sombra que agora toma conta da praia. Por lá, e ainda com a Baleeira no pensamento, talvez decifremos Vergílio Ferreira e entendamos porque é que "não é bem a vida que faz falta (mas) só aquilo que a faz viver".

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