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sardinhaSemlata

Um espaço de pensamento livre.

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23.09.21

Programas eleitorais


The Travellight World

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Fui educada para valorizar o ato de votar, não só por este ser a expressão mais elevada da democracia e um dever cívico, mas também por ser um direito que as mulheres lutaram muito para conquistar. No entanto, dou por mim, a cada eleição, a sentir uma crescente dificuldade de escolher um candidato.

Dia 26 de Setembro, próximo domingo, como todos já sabem, terão lugar em Portugal as eleições autárquicas. Estas são as eleições que nos permitem escolher quem queremos ver na câmara municipal, na assembleia municipal e na assembleia de freguesia da nossa terra.

São eleições de proximidade. São aquelas que talvez interfiram mais diretamente na nossa vida diária porque elegem o poder local e é esse poder local que decide se junto da nossa casa vamos ter estradas alcatroadas sem buracos, parques infantis, ecopontos, ciclovias, zonas ajardinadas ou iluminação de rua, por exemplo.

Para fazer uma escolha informada e decidir o que pode ser melhor para o meu município e freguesia, gosto de conhecer os programas eleitorais, saber qual é o plano de trabalho de cada candidato, o que propõe exatamente fazer durante os quatro anos que se seguem e em que medida pretende valorizar a minha área de residência com infra-estruturas essenciais, criação de emprego, oferta cultural, etc.

Infelizmente o processo de campanha eleitoral, cada vez ajuda menos à decisão. Nos noticiários, lá os vemos — os candidatos, em “arruadas” a tentar mostrar interesse pelos munícipes, distribuindo canetas e blocos de notas e apontando para a bandeira do partido para o eleitor não ficar com dúvidas em quem votar…
…Mas experimentem pesquisar nos sites dos vários partidos, ou na internet em geral, qual é o programa eleitoral para o vosso município e freguesia e, a não ser que residam em Lisboa ou Porto, duvido que encontrem algo.

Vivo num dos concelhos mais populosos do país — que nem direito a debate televisivo teve — e o que encontrei de informação foi muito pouco. Apenas um partido, dos 8 candidatos, listava ponto por ponto o que pretendia fazer para resolver problemas que preocupam a população se ficasse à frente da junta de freguesia da minha área de residência e outros dois esclareciam com algum detalhe o que pretendiam fazer pelo município (mas não pelas freguesias especificamente). Dos outros só encontrei ideias muito gerais, quase clichés lançados ao vento, e de alguns nem isso.

Não sei se assistiram ao último programa do Ricardo Araújo Pereira “Isto é gozar com quem trabalha” sobre as autárquicas. A dada altura aparece um candidato de um certo partido, a quem uma jornalista, faz perguntas sobre o seu projeto eleitoral e sobre porque se candidatou, o que pretende mudar, etc… E o tal candidato, vai repetindo que não sabe, que ainda tem de ver, que isso fica para depois… Enfim, parecia uma caricatura, um sketch humorístico, mas não era. Será um caso extremo (quero acreditar), mas ainda assim não deixa de representar bem este descaso com a população, para quem, em princípio, os candidatos querem trabalhar.

Que bom seria assistir a campanhas eleitorais objetivas, que tivessem em atenção as necessidades reais das populações e fizessem propostas claras para melhorar, a nível do município e das freguesias, a sua qualidade de vida, seja fomentando a criação de emprego (combatendo desta forma a desertificação que grassa por tantas zonas do país) ou melhorando as áreas da saúde, educação e lazer.

Mandar ideias para o ar, todos podemos mandar, apontar problemas também. Agora ter um plano definido, detalhado, com princípio, meio e fim e propor soluções reais para ultrapassar as dificuldades, é mais complicado…
Quem se propõe a ficar à frente de uma Câmara Municipal ou de uma Junta de Freguesia deveria estar melhor preparado e levar o seu trabalho mais a sério para que a decisão de: “onde colocar a cruz no boletim de voto”, neste domingo, não fosse tão difícil e resultasse realmente de uma escolha totalmente informada do cidadão.

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