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sardinhaSemlata

Um espaço de pensamento livre.

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05.02.21

Quem nos fala quando sonhamos?


JB


     O ser humano é espetacular.

  Já conseguiu feitos impressionantes e tem vindo a adquirir ao longo do tempo uma compreensão maior dos fenómenos deste universo. As disciplinas científicas multiplicam-se e cada vez tentam compreender mais e mais longe e muitas vezes acontecem descobertas fascinantes.

  Os objetos de estudo desdobram-se: matemática, filosofia, português, história etc... Em cada campo diferente tivemos sempre várias pessoas de destaque, cientistas, pensadores, escritores entre tantas outras personalidades que com as suas descobertas e invenções nos trouxeram até aqui. 
 Desde a invenção da roda até aos mais recentes avanços da física quântica existiram uma série de personalidades e momentos marcantes na nossa evolução.

 Hoje escolhi falar de uma dessa descobertas, quanto a mim, aquela a que deveria ser dada mais importância do que todas as outras: o inconsciente.

  O inconsciente foi descoberto por Freud, foi o primeiro que o nomeou e se dedicou a estudá-lo.

 Como todos sabemos a humanidade já cá anda há uns milhares de anos e (se retirarmos da equação os últimos 5 anos) anda no processo contínuo de se tornar menos selvagem e mais civilizada. Isso produziu efeitos. Um deles foi que nós, humanos, tivemos que começar a reprimir instintos, sentimentos e comportamentos em nome dessa convivência civilizada. Desde que nascemos até que aprendemos a verbalizar emoções existe todo um turbilhão e emaranhado de experiências que continua a fazer parte de cada um de nós. Por não as podermos verbalizar ou em muitos casos sequer compreender elas ficam escondidas, reprimidas para um canto da nossa consciência e puff... desaparecem, como se nunca tivessem acontecido. Ou será que não?

 Freud descobriu que não desaparecem, que esses acontecimentos na infância, essas emoções reprimidas e todos os comportamentos censurados tinham um custo e o inconsciente de cada um cobra esse custo de forma impiedosa. Observou que muitas vezes aquilo que atormentava as suas pacientes era o inconsciente de cada uma. Eram vítimas de si próprias de certa maneira. Através da análise dos sonhos de cada uma, foi chegando a conclusões. Elas perguntavam-lhe:

   -Porque é que me apaixono sempre pelo mesmo tipo de homem, se já sei que não vai resultar?

  - Porque é que sinto uma repulsa por cães?

    (Ou até num certo caso mais grave)

   - Porque é que tenho fobia de água?

   Só depois de ficar a conhecer melhor o inconsciente de cada uma das suas pacientes é que Freud pôde e soube responder a estas perguntas. 
    "O sonho é a estrada real para o inconsciente", disse uma vez.
    É verdade. É mesmo.
    Sempre me interessei por este 'outro eu' que partilha a existência comigo na minha cabeça. Com o tempo aprendi a comunicar e conviver pacificamente com 'ele', graças a Freud. Todos temos esse 'estranho' na cabeça e todos temos a opção de o tentar enterrar ou tentar conviver com ele, sendo certo que nunca teremos sucesso absoluto em nenhuma das hipóteses.

  Hoje em dia é inquestionável que o inconsciente existe, nos sussurra durante a noite e como o próprio Freud lembrou, talvez a sua descoberta nem seja assim tão original.

 Já na Grécia antiga, mais precisamente no templo de Apolo em Delfos estava escrita a frase 'conhece-te a ti mesmo'. Cerca de 2500 anos depois, Freud 'apenas' nos ensinou como o podemos fazer: com a interpretação dos sonhos, dos lapsos, no fundo com uma análise com um psicanalista competente. Quem se atreve?

 

   JB

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