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sardinhaSemlata

Um espaço de pensamento livre.

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07.09.21

وداعا Robinson...


Robinson Kanes

 

desert (1).jpg

Imagem: Robinson Kanes

 

 

Quiero dormir un rato,
un rato, un minuto, un siglo;
pero que todos sepan que no he muerto;
que haya un establo de oro en mis labios;
que soy un pequeño amigo del viento Oeste;
que soy la sombra inmensa de mis lágrimas.

Federio García Lorca, retirado de Gacela de la Muerte Oscura, in "Diván del Tamarit" 

 

 

Dia 07 de Setembro de 2021, o dia em que a Humanidade ficará marcada por um grande acontecimento que mudará o rumo da História: o último artigo de Robinson Kanes no SardinhaSemLata. Mulheres atiradiças e frequentadoras de ginásio a chorarem pelos meus abdominais, outras mais acomodadas com os seus gatos a chorarem pelo meu romantismo, cavalheiros a chorarem pelas minhas echarpes caqui que me dão um jeito do caraças quando decido vaguear por um qualquer deserto nesse Mundo... e finalmente um conjunto de seres que nunca mais serão os mesmos depois da minha finitude!

 

Adormeci a pensar no que iria escrever hoje. Quando acordei tinha sonhado com aquilo que escrevi acima, ou seja, Robinson morto Robinson posto, além de que a experiência de vida de todos os outros seres humanos que já viraram pó me ensinou que o Mundo continua e nós seremos isso, pó e cinzas. Seremos uma espécie de balde de lixo espalhado ao acaso pelo chão, onde cada fragmento tem uma história e onde cada uma dessas histórias contém o infinito, porque afinal somos uns brutos decididos a impormo-nos pela poeira que levantamos... Agustina Bessa-Luis não poderia ter dito melhor mesmo que eu não me recorde da frase completa.

 

Como Picasso, visto a minha capa espanhola Seseña e parto por aí, se é que algum dia estive por aqui. Percorro a Extremadura, quente como o raio, atravesso Aragão ainda mais quente como o raio que só depois de Huesca me refresca e parto para lá... Ou volto para lá, ou continuo até Betpak-Dala passando pelo Lute ou então virando para baixo e seguindo o Atlas até ao Grand Bara. Ou então sempre posso atravessar Moscavide ou ter o péssimo gosto de frequentar a Tasca do Careca ao Saldanha pois já fecharam o grande Safari!

 

De facto é isto, nem mais nem menos... Tenho, antes de vos deixar, de dizer uma coisa àqueles que sempre foram fiéis às minhas divagações: meus amigos, eu gabo a vossa pachorra para aturarem um tipo como eu. É que gabo mesmo! Numa época em que se quer tanto inventar heróis, devo dizer-vos que se alguém o merece efectivamente sois vós! Sois vós, já dizia o Senhor! Senhor... Senhor... Vós tendes palaaaaavras... Está muito alto... Enfim, uma certa originalidade de não dizer coisas novas mas ser novo diante das velhas... Filipe, que me convidou, admiro a sua pessoa só pelo simples facto de me dar espaço para escrever, e olhe que não é fácil existir espaço para malta que debita alarvidades como eu. Só por isso já lhe devo uma.

 

Deixo-vos, com um saudinha da boa e já que citei os versos de Lorca, nada como citar o que em tempos me disseram na terra que viu morrer Unamuno... "El verano solo se acaba cuando nos de las ganas"... Preservemos esse Verão, mesmo que agora ande aí uma malta a apregoar (com ciência ideológica) que estar bem ou ser positivo é mau para a saúde, por norma é malta que faltou a algumas aulas... Agora ide e que o senhor vos acompanhe mas que ao menos tenha a decência de vos pagar um copo pelo caminho, porque normalmente só crava, diz ele que é para ajudar os aleijados e os leprosos... Antes tinhoso que cair na esparrela... Isso e certas passagens do que acabei de escrever que só fazem lembrar aquelas conversas balofas de malta que espera ordem para entrar num qualquer concerto da Gulbenkian ou do São Carlos (normalmente são sempre os mesmos)... Sim, e dos teatros em geral, aquela malta entre o étnico e o pseudo-intelectual.

 

Aqui chegado, esta é a parte em que digo aquelas coisas que toda a gente diz mesmo que não conheça de lado nenhum ou nem goste da pessoa, mas fica bem dizer e dá um ar de que se é boa onda, tipo... Sejam felizes?... Ou então... Nunca te esquecerei meu amigo... Ou algo só parvo e de circunstância a roçar aquela velha frase... Maria, desculpa não enviar os 500 euros mas quando me lembrei já tinha a carta fechada...

 

Um Grande Smile!... A fazer coraçãozinho com os dedos...

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