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sardinhaSemlata

Um espaço de pensamento livre.

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22.12.20

Sarah... O Espírito do Natal.


Robinson Kanes

uganda (2).jpg

Imagem: John

 

Deus é um mortal a ajudar outro.

Catherine Nixey, in "A Chegada das Trevas"

 

Estamos na semana de Natal... Crentes ou não, é um momento único que todos os anos nos domina. Tem o seu lado inegável de silly season de Inverno, sobretudo nas semanas que antecedem esta celebração. Não sou crente no "Menino Jesus", talvez por uma razão bastante simples... Como poderei acreditar no Messias salvador quando me deparo, não raras vezes, com autênticos deuses.

 

Não sou de deixar mensagens de Natal; gosto de viver a época junto daqueles de quem gosto, mesmo que já não estejam. Não sendo crente, acabam por ser o meu Monte das Oliveiras como lhe chamaria Camus. E como não presto homenagem ao pequeno Jesus, presto àqueles que transformam o Mundo. 

 

A deusa que hoje recordo chama-se Sarah, nome verdadeiro... A Sarah é amada e acredito que, na adversidade de viver na Savana, é a criança mais feliz do Mundo. A Sarah é o milagre de sermos humanos, sem justificação da transcendência celebrada pela data religiosa que não é apenas mais que uma adaptação do profano.

 

A Sarah é o milagre de ter sido diagnosticada com Tuberculose e depois com HIV... No Uganda, em África, sont les chooses de la vie, como interpretaria uma orquestra as notas de Philippe Sarde. São estas coisas da vida, menos romântica, que para muitos são uma sentença de morte naquele continente, sem esquecer que, se juntarmos um cancro, então temos uma trilogia fatal.

 

Mas os milagres não se concretizam em livros sagrados e muito menos em investigações religiosas. Concretizam-se em cada um de nós, no trabalho de todos, neste caso em particular, do John e da Sarah. A Sarah, pelo seu sorriso e força... O John pela sua capacidade de transformar o impossível em possível e somente com 5000 dólares americanos (bem sofridos) ter conseguido que pelo menos o cancro fosse vencido. Quem estiver ao corrente de quanto custam os tratamentos para o cancro, perceberá o que quero dizer.

 

A Sarah é alegre... A Sarah é feliz... A Sarah é a imagem de África que todos queremos ter... A Sarah é o messias que todos os dias, em todo o Mundo está presente... A Sarah é a esperança concretizada para lá de uma pitoresca tela que nos emociona todos os anos mas que teima em não sair da pesada moldura. 

 

O Natal este ano, pelo menos cá em casa, está mais rico e será festejado com alegria. Não devemos isso a decretos a datas de calendário onde anotamos a palavra "esperança", devemos isso ao Homem em toda a sua força e esplendor. Devemos isso ao que somos, seres-humanos que nunca entrando nos relatos que a História nos deixa, fizeram e contribuíram para que todos nós pudéssemos sorrir. E vale mais esse trabalho não documentado do que todo um reconhecimento post mortem.

 

Entre outros, este ano se tivermos que escolher o nosso presépio, será por certo a imagem de um grande abraço entre o John e a Sarah... 

 

Feliz Natal...

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