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sardinhaSemlata

Um espaço de pensamento livre.

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20.01.22

Ser inútil


The Travellight World

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Um carpinteiro e seu jovem aprendiz caminhavam juntos por uma grande floresta quando se depararam com uma enorme e altiva árvore. Ficaram os dois a olhar para ela e o carpinteiro perguntou ao seu aprendiz: “Sabes porquê esta árvore é tão grande, alta, velha e bonita?”

O aprendiz olhou para o seu mestre e disse: “Não... porquê?”

“Bem”, disse o carpinteiro, “porque é inútil. Se fosse útil, já teria sido cortada há muito tempo e transformada noutra coisa. Mas a sua madeira não pode ser usada para nada. Um barco feito com ela afundaria, um caixão logo apodreceria, uma porta vazaria seiva e uma viga teria térmitas. É uma madeira inútil. É por isso que a árvore atingiu uma idade tão madura e cresceu tão alta, majestosa e bonita. É por isso que hoje te podes sentar à sua sombra e relaxar num dia quente.”

O carpinteiro sorriu e continuou a falar: “Às vezes pode ser útil ser inútil como esta bela árvore.”

“O que é ser inútil?” Perguntou o aprendiz.

“Ser inútil, neste caso, é ser livre. É não ter de se esforçar para se transformar em algo que os outros vejam como especial. Ser inútil é simplesmente relaxar e aceitar-se como se é.

Quando realmente deixamos de lado qualquer necessidade de ser de uma certa maneira porque os outros dizem que deve ser assim, então somos verdadeiramente livres… como a árvore.”

- - - X - - -

Eu adoro esta parábola. Ajuda-me a lembrar quantas vezes a nossa auto-estima está ligada a ser “útil” para outra pessoa. Frequentemente, avaliamos o quanto somos úteis para uma empresa, para o nosso parceiro, para a nossa comunidade, para os nossos amigos, para a nossa família, para o mundo. Como se o nosso valor estivesse dependente do título de “diretora de x”; “mãe de tal”, “melhor amiga de y”, “ativista”…

Como se o nosso valor estivesse ligado apenas ao que podemos fazer pelos outros…

… porque na verdade há um medo profundo de que o nosso ser, por si só, não seja suficiente.

O que esperamos ganhar com toda a nossa eficiência e produtividade? A aprovação de quem? O elogio de quem?

Mantemos-nos tão ocupados porque isso realmente nos preenche e nos deixa felizes? Se assim for perfeito! Ou será que  andamos sempre a correr, num frenesim de atividades mil, porque pensamos que só dessa maneira seremos “alguém” aos olhos do mundo?

A realidade é que cada pessoa é valiosa e digna como é, e cada um de nós faz a diferença no mundo que nos cerca. Ninguém é inútil, mesmo que possa ser visto dessa forma por algumas pessoas ao seu redor.

Então lembrem-se, não importa como os outros nos rotulam, ou o que eles pensam ou querem de nós. O nosso valor não depende necessariamente do que nós fazemos aos olhos da sociedade, mas sim do que nós somos, do que é a nossa natureza e identidade.

Às vezes é bom parar um pouco, respirar fundo e pensar qual é a nossa verdade.

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